A Obsessão Perfeita: Crítica de Whiplash – Em Busca da Perfeição

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Whiplash - Festival do Rio

 

Não existem duas palavras mais prejudiciais do que ‘bom trabalho’. Esta é a filosofia de vida de Terence Fletcher (J.K. Simmons), um conceituado professor de conservatórios de uma das melhores universidades de música dos Estados Unidos. Seus métodos de ensino são extremos e abusivos, mas isso não impede que um enorme número de alunos faça fila para juntar-se a sua turma. Porém, não é fácil; poucos são escolhidos e Fletcher não tem medo de puxá-los além de seus limites para obter o melhor de cada um. Ele deseja encontrar um aluno que transcenda além dos seus limites para tornar-se algo especial; Fletcher procura um novo Charlie Parker, um músico tão bom que será lembrado para sempre. Fletcher busca esse aluno perfeito com a mesma obsessão depreendida por Ahab atrás de sua Moby-Dick. E assim como o velho lobo-do-mar, o professor de música não se preocupa com quantas vidas ele destrói atrás de sua baleia branca.

Para complementar a obsessão doentia de Fletcher, entra em cena Andrew Neiman (Miles Teller), um jovem não menos ambicioso: Andrew é o baterista suplente de uma banda medíocre e ressente isso. Ele tem talento; logo em seu primeiro encontro com Fletcher, o professor percebe isso, convidando o garoto para juntar-se à sua pequena elite musical. As sessões de treino são excruciantes; Fletcher não admite erros; ele abusa Andrew fisicamente e – de maneira mais intensa – mentalmente. Os métodos de Fletcher acabam incentivando Andrew, que abandona toda a sua vida para dedicar-se à bateria. Para Neiman, a dor física e as cicatrizes em suas mãos não são um problema; muito menos a sua namorada, Nicole (Melissa Benoist), e seu pai, Jim (Paul Reiser). Ele passa por cima de tudo isso em busca de seu objetivo.

Whiplash – Em Busca da Perfeição, que estreou ontem no país ( e foi exibido ano passado no Festival do Rio), é, antes de tudo, um filme sobre o relacionamento doentio e abusivo entre Fletcher e Andrew. O roteiro e a direção, ambas de Damien Chazelle, procuram, a todo momento, intensificar essa relação, criando uma codependência entre seus protagonistas, um alimentando constantemente a obsessão do outro. Neste sentido, Chazelle faz um trabalho fantástico. O filme – que foi gravado em, apenas, 19 dias – tem uma sensação aterrorizante de urgência e desespero.

Grande parte do mérito de Whiplash está em sua direção e edição; a outra parte está em seu elenco, habilmente escolhido. Teller, uma jovem promessa, e Simmons, um veterano confiável, estão incríveis em seus papeis. É difícil imaginar outros atores que conseguiriam infundir os personagens com tamanha força.

Infelizmente, nem tudo é perfeito: um dos problemas de Whiplash está em seu roteiro, que possui alguns momentos extremamente forçados. Isso não é um demérito do roteiro de modo geral que, na maior parte, é bem escrito. Porém, em alguns momentos – especialmente na metade final do filme – algumas situações tornam-se inverossímeis. O diretor consegue compensar esses problemas no final, com a arrebatadora sequência que encerra o filme.

O mais interessante em Whiplash é ver até onde vão os limites daqueles que buscam transcender a mediocridade. Esse é um tema especialmente recorrente na geração Millennial; todos sonham com uma grandeza eterna, capaz de marcar a história e inspirar as gerações futuras. Nesse sentido, Chazelle parece ter pretensões tão grandes quanto Fletcher. Ele ficou conhecido por puxar tanto seus atores em cena que Teller acabou adquirindo as mesmas cicatrizes de seu personagem nas mãos. Mas, no final das contas, a busca pela perfeição é sempre ilusória; estar sempre atrás de um ideal perfeito serve apenas para abrir os nossos olhos para todos os erros que cometemos pelo caminho.

 

Trailer

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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