Vida – Crítica

2 votes, average: 2,50 out of 52 votes, average: 2,50 out of 52 votes, average: 2,50 out of 52 votes, average: 2,50 out of 52 votes, average: 2,50 out of 5 (2 votes, average: 2,50 out of 5)
You need to be a registered member to rate this post.

Sem Vida

Vida – Divulgação

Direção: Daniel Espinosa

Elenco: Jake Gyllenhaal, Ryan Reynolds, Rebecca Ferguson

Roteiro: Rhett Reese e Paul Wernick

Imagine que você está em casa em algum sábado à tarde, sem nada para fazer, e decide assistir a algum filme. Você escolhe Alien – O Oitavo Passageiro, um clássico que, por algum motivo ou por outro, você nunca tinha parado para ver antes. O filme te impressiona bastante: o desespero pela sobrevivência dos tripulantes no meio do completo e frio isolamento do espaço deixa-o de cabelos em pé, e um frio percorre sua espinha sempre que você se lembra da figura aterrorizante do Xenomorfo. Agora imagine que, após ver o filme, e com a história ainda fresca na cabeça, você entra na internet e vê uma nota da NASA sobre a possibilidade de vida extraterrestre; e isso, se funde de tal forma com as suas impressões sobre o filme que acabou de ver que o germe de uma ideia original começa a se formar no seu cérebro. Você começa a pensar: “E se eu pegasse exatamente a história de Alien – O Oitavo Passageiro e, de alguma maneira, a fizesse ficar melhor, mais realista e atual?” Pronto, você agora consegue entender mais ou menos como deve ter sido o processo criativo por trás de Vida.

Talvez eu esteja sendo um pouco injusto com o filme: afinal, Vida tenta ser um pouco mais do que uma imitação barata de Alien. Na verdade, ele até tem um começo promissor: uma equipe de astronautas da Estação Espacial Internacional, após recolher amostras do solo de Marte, descobre a presença de células de um microrganismo ancestral e dormente. Após reanimarem a célula e cuidarem dela até que ela se multiplique e desenvolva, os cientistas começam a perceber que acordar e fortalecer essa nova e desconhecida criatura talvez não tenha sido a melhor ideia de todas. Após um acidente que acaba liberando o alienígena dentro da estação, David Jordan (Jake Gyllenhaal), Miranda North (Rebecca Ferguson), Rory Adams (Ryan Reynolds) e o resto da equipe precisarão fazer de tudo para conter a criatura e, ainda, achar alguma forma de se manterem vivos.

A primeira meia hora de Vida promete uma direção interessante para o filme: vemos os personagens sendo apresentados de maneira coerente, com bastante espaço para crescerem e o que parece ser um rumo claro de desenvolvimento. Isso tudo é esquecido no resto do filme. Após esse começo promissor, Vida degringola para todos os estereótipos possíveis de um filme do gênero, esquecendo-se completamente da relação das personagens que ele tentou construir no início e fazendo toda a ação acontecer mais por causa da burrice dos protagonistas do que por recursos genuinamente bem-pensados. Na verdade, noventa por cento da trama de Vida poderia ter sido facilmente resolvida se as personagens houvessem tido o bom-senso de falarem umas com as outras. Ou talvez essa seja a verdadeira mensagem de Vida: que a humanidade está verdadeiramente perdida quando ela para de tentar se comunicar entre si—uma mensagem tão babaca e exposta de maneira tão sutil que eu espero que ela tenha sido não-intencional, para não me fazer ter raiva do diretor e dos roteiristas.

Mas o mais provável é que isso nem tenha passado de fato pela cabeça do diretor Daniel Espinosa e dos roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick. É surpreendente ver como Reese e Wernick, conhecidos principalmente pela maneira como conseguem subverter conceitos típicos de gênero cinematográfico—como, por exemplo, do gênero de zumbis em Zumbilândia e do gênero de super-heróis em Deadpool—deixam Vida se levar para uma mesmice enfadonha, sem apresentar absolutamente nada de novo. E o pior é que essa sensação de mesmice se reflete no elenco: Reynolds acaba caindo na mesma armadilha de excessos dramáticos que ele sempre cai quando tenta interpretar papéis mais sérios, e Ferguson, de uma forma comicamente paradoxal, marca mais pela sua falta de presença em cena do que por qualquer outra coisa. Até o monstro marciano é imperdoavelmente esquecível: a criatura, feita de puro músculo, puro cérebro, e pura capacidade ótica, não possui, nem de longe, toda a força icônica de um Xenomorfo, ou de outros monstros famosos. O que poderia ser incrivelmente assustador no papel mostra-se decepcionante na tela. Além disso, diversos pontos do filme e da mitologia do marciano são convenientemente passados para trás, o que seria ótimo se a impressão geral fosse mais do tipo isso não é importante no momento e menos do tipo eu não pensei direito nisso.

Vida parece o tipo de filme que já nasceu morto. E isso por causa da aparente falta de interesse de quase todo mundo envolvido: ninguém parece realmente se importar com o produto final e o resultado é a total falta da urgência que esse tipo de filme necessita e uma sequência de cenas puramente protocolar. Gyllenhaal é um ator incrível, e ele parece ser o único que tenta dar o máximo de si; mas nem a maior boa-vontade do mundo consegue superar um mar de desinteresse. E quando tal falta de interesse já parte dos realizadores, como exigir isso do público? Melhor ficar em casa e assistir a Alien.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

Comentários
Jackie – Crítica
sexta-feira, 12h05
Jackie – Crítica

Camelot Direção: Pablo Larraín Elenco: Natalie Portman, Peter Sarsgaard, Billy Crudup, John Hurt Roteiro: Noah Oppenheim Se houve alguma família que mais próxima esteve da realeza nos Estados Unidos, essa família foi a…

Ver Post
Cinema do Rio de Janeiro Promove Maratona Especial Zumbi
quinta-feira, 15h32
Cinema do Rio de Janeiro Promove Maratona Especial Zumbi

    O Estação Net Botafogo, conhecido por seus eventos alternativos de cinema, está promovendo, na madrugada de sexta para sábado(1º de outubro), uma maratona que vai deixar todos os…

Ver Post
Artistas revisitam clássico dos Beach Boys para campanha da BBC
quarta-feira, 23h20
Artistas revisitam clássico dos Beach Boys para campanha da BBC

“Lorde participou de versão de “God Only Knows””   Pet Sounds é um dos discos mais influentes da história da música pop e aparece entre os dez melhores de todos…

Ver Post
Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com