The Square: A Arte da Discórdia – Crítica

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The Square: A Arte da Discórdia crítica

The Square é um santuário de confiança e carinho. Dentro dele, todos nós dividimos direitos e deveres iguais.

Direção: Ruben Östlund

Elenco: Claes Bang, Elisabeth Moss, Dominic West, Terry Notary

Roteiro: Ruben Östlund

A principio, The Square: A Arte da Discórdia pode parecer um filme mais inofensivo do que ele realmente é. Com um tom forte de humor, o filme narra a rotina de Christian (Claes Bang), o curador de um importante museu de arte contemporânea, enquanto ele tenta gerenciar as futuras exposições e exibições do museu e lidar com as repercussões resultantes do roubo de seu celular e carteira, e das ações que ele toma para recuperá-los. A premissa relativamente simples serve de base para o diretor Ruben Östlund abordar uma série de temas, incluindo os limites da arte, as influências de nossas ações sobre o outro, e os jogos de poder envolvidos em todas as relações cotidianas.

Christian é um personagem que vive no meio da arte, mas não a experimenta completamente: o grande papel do curador de um museu é procurar maneiras de explicar a arte exibida, o que é diferente de entender a arte propriamente. Partindo do principio que toda obra de arte é pessoal e subjetiva, Christian só pode, no máximo, buscar palavras para explicar a intenção do artista ao criar aquela obra. Mas esse é um trabalho ingrato—e muitas vezes fútil. A arte só deveria importar na medida que ela afeta o observador, algo impossível de ser classificado. Por causa disso, qualquer tentativa de Christian de realmente definir o que seu museu está exibindo é nula: e suas palavras grandiosas sobre a importância de uma ou outra exposição são tão vazias que nem ele consegue entender o que ele mesmo escreveu.

E não é somente a arte que entra em conflito constante com o observador: The Square mostra como nossas ações corriqueiras e cotidianas influenciam fortemente aqueles que nos rodeiam. Ao falar da situação dos moradores de rua e dos imigrantes na Suécia, Östlund procura nos mostrar como fechamos os olhos para aquilo que mais nos incomoda todos os dias; ignoramos inconscientemente o que não é agradável, procurando desesperadamente viver em uma realidade em que nossas ações são completamente justificáveis e não somos responsáveis pelo sofrimento do outro. Östlund parece querer mostrar que o preconceito está, também, em não querer agir.

Isso fica claro em diversos momentos do filme: Christian repete exaustivamente a definição de sua nova exposição, que fala sobre confiança e carinho, mas ele não absorve nada do que diz. O personagem demonstra, a cada situação, uma verdadeira desconfiança em relação a todos que o cercam. E o maior mérito do diretor é, justamente, a forma como ele desenvolve seu protagonista. The Square não possui uma trama envolvente dramática. Östlund está mais preocupado com o estudo de personagem e de temas. É impressionante como o diretor consegue imprimir uma leveza ao filme e transformá-lo em um filme que fala sobre arte (e, portanto, artístico) sem parecer pedante.

O mais fascinante sobre The Square—e sobre a arte de modo geral—está em o que o filme pode revelar sobre nós. No fundo, todos nós queremos sempre nos ver como pessoas boas. Todos nós queremos sempre apertar o botão da confiança e acreditar no bem que existe no outro. Mas são nossas ações—ou falta delas—que no fundo revelam quem realmente somos. A arte inócua, aquela que é bela e agradável de se olhar, aquelas que cria espaços de confiança e de carinho, e nos pede para sermos melhores pessoas—essa arte é, verdadeiramente, inofensiva. Conscientemente, todos sabemos que precisamos amar uns aos outros e sermos bons. A boa arte não nos consola e nos diz aquilo que sabemos: ela nos perturba e nos faz enxergar coisas que não queremos admitir. A cena mais famosa de The Square—a cena da performance de Oleg (Terry Notary, brilhante no papel) como um homem-macaco no meio de um jantar sofisticado—é uma mostra disso. A performance começa leve e inofensiva, mas logo cria tensão e termina com a brutalidade extrema—tanto do artista quanto do público. Mesmo que The Square não fosse um filme bom, o ingresso já valeria só por essa cena.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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