The Leftovers Recap: E Finalmente Morre o Cisne…

Justin Theroux protagoniza a nova série da HBO

Justin Theroux protagoniza a nova série da HBO

Normalmente, o luto é visto como um processo corriqueiro; espera-se que todos passarão, de alguma forma ou de outra, em algum momento de suas vidas, por uma intensa reação a algo perdido. Porém, compreender e diferenciar quando alguém vai além de um simples e natural estágio de luto e entra em um preocupante estágio de depressão não é fácil.

The Leftovers, a nova série da HBO que concluiu sua primeira temporada ontem, busca encontrar esse limite. A premissa é relativamente simples: no dia 14 de outubro, três anos atrás, 2% da população mundial desaparece sem explicações. A história, então, acompanha a vida de alguns moradores da pequena cidade de Mapleton, Nova Iorque, enquanto eles tentam entender e – mais importante – aceitar o que aconteceu.

O protagonista é Kevin Garvey (Justin Theroux), um chefe de polícia que teve sua vida familiar destruída após o evento: sua esposa, Laurie (Amy Brenneman), abandonou todos para se juntar a um culto, os Guilty Remnant (algo como os Remanescentes Culpados); seu filho, Tommy (Chris Zylka) tornou-se guarda-costas de um autoproclamado profeta; seu pai (Scott Glenn) perdeu sua sanidade e foi internado em um hospital psiquiátrico; sua filha, Jill (Margaret Qualley) metamorfoseou-se de uma adolescente alegre e otimista em uma completa niilista. E, como se a desgraça não fosse o suficiente, o próprio Kevin vê sua noção de realidade desaparecer aos poucos; nessa volta do parafuso contínua, ele tenta recobrar seus sentidos e lutar contra aquilo que julga não natural, enquanto os espectadores – e o próprio Kevin, em parte – mantém-se na dúvida sobre o que é real ou não.

Mais do que qualquer outra coisa, The Leftovers se sobressai devido a sua profunda análise de personagem. Um aviso: essa série não é para todos. Aqueles que buscam respostas rápidas, ação e reviravoltas constantes não sairão satisfeitos. Como um bom livro, The Leftovers é para ser apreciado aos poucos. A história, praticamente inexistente, caminha lentamente enquanto aprofunda-se na psique de Kevin e os outros ao seu redor.

De fato, The Leftovers funciona melhor quando abandona completamente a história e dedica-se exclusivamente a um personagem. Irmãos na série, Matt (Christopher Eccleston) e Nora (Carrie Coon) ganharam episódios inteiros para si. Coon, aliás, é a responsável por alguns dos melhores momentos da primeira temporada. Sua personagem, uma mulher cuja família inteira desapareceu no evento, dá à atriz, desconhecida pelo público, inúmeras chances de brilhar. Outro destaque do elenco – que é, em sua grande maioria, sólido – é Ann Dowd que interpreta Patti, a líder local dos Guilty Remnant. A performance torna-se ainda mais especial devido à sua natureza: o culto fez um voto de silêncio e passa a maioria dos episódios sem falar.

 

Carrie Coon é um dos destaques da primeira temporada.

Carrie Coon é um dos destaques da primeira temporada.

É possível perceber, pelas sinopses dos personagens, que o drama impera na série. Realmente, os momentos de leveza são esparsos. Isto é feito com o propósito de manter o constante clima de depressão permeando a série. Pois, The Leftovers não se preocupa em ser sutil; o roteiro muitas vezes desemboca para o óbvio, para o redundante, lembrando o espectador o tempo todo de quão miseráveis são esses personagens. Nesse drama, digno de Victor Hugo, ninguém tem a chance e o direito de ser feliz.

Muitos espectadores reclamarão e optarão contra, mas isso é um mal necessário. The Leftovers não seria o mesmo sem isso. Ele precisa incomodar o espectador, irritá-lo ao ponto de fazê-lo lembrar constantemente de uma verdade inerente à raça humana: o sofrimento existe e a dor nunca vai embora. E é Nora quem resume perfeitamente a primeira temporada quando ela diz, nos momentos finais, que ela achou que um dia poderia passar pelo luto e esquecer o evento, mas percebeu, infelizmente, que isso era algo que nunca seria superado. Mas, mesmo nesse momento em que a depressão toma conta e tudo parece perder o sentido, ela vê um símbolo de esperança e conclui que não é tudo que está perdido; que a vida ainda continua.

E assim, finalizando sua primeira temporada, (E com a segunda temporada convenientemente já garantida para o ano que vem.) The Leftovers mostra que, enquanto é impossível esquecer seu passado, o futuro virá e coisas melhores estão a caminho.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

Comentários
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