Tamo Junto – Crítica

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(Não) Tamo Junto

Tamo Junto critica

Tamo Junto é o terceiro longa-metragem que o famoso filho da PUC-RJ, Matheus Souza, assina como roteirista e diretor.  No papel, a história gira em torno de Felipe (Leandro Soares), um jovem de 27 anos que termina o namoro a fim de curtir a vida. Na realidade, ou melhor, na tela, a câmera parece mais preocupada em seguir as aventuras de seu melhor amigo de escola.

Nerd, sem habilidades sociais e fora dos padrões de beleza, Paulinho decide que o reencontro com Felipe é a “chamada para aventura” (do filme) de sua vida. Se esse desvio de foco do enredo principal soar estranho, é válido lembrar que o intérprete do protagonista-travestido-de-coadjuvante, Paulinho, é ninguém menos que… o próprio diretor.

Tamo Junto quer falar da geração Y: Com um ar descontraído e referências à cultura Pop, questões como a superficialidade das relações pessoais e as frustrações profissionais são pinceladas. Claro, tudo de forma irreverente e descompromissada. Afinal, estamos falando de uma comédia romântica de apelo comercial, assustar a audiência com problematizações reais não seria cabível!

O filme pretende ser feminista através do enfraquecimento de suas figuras masculinas: um perdido na vida e um geek que mora com a mãe. Muito bem. Quanto às personagens femininas? Bem, uma adolescente drogada e hiperssexualizada, mas de coração sensível (Alice Wegmann); uma mocinha cujo complexo de princesa da Disney a faz escolher o casamento com um homem que não ama (Sophie Charlotte); uma mãe superprotetora e histérica, outra que seduz as conquistas da filha, uma namorada com tendências psicopatas e assim por diante… Compreensível, como exigir construções complexas de um produto de Mercado?

Tamo Junto também quer ser Cinema autoconsciente e autorreferente. Cinema Moderno com M maiúsculo, que traz The Big Bang Theory, American Pie, Rocky e a Primeira Noite de um Homem – tudo em menos 100 minutos! É verdade que a linguagem cinematográfica fica de lado em favor de uma estética televisiva, mas os jovens espectadores não iriam gostar se fosse diferente.

Tamo Junto é tudo que se propõe a ser – e seu problema é justamente esse. O filme é um retrato da juventude de seu tempo: irresponsável, raso, egocêntrico, bobo e o pior de tudo – metido a esperto.

Matheus Souza, aceitando ou não o título de “voz cinematográfica da geração Y”, é o único representante da mesma com acesso direto ao público de massa. Dito isto, uma referência pop que o diretor parece ter esquecido: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.

Em tempo, não “Tamo Junto”.

Sobre o Autor

Priscilla Signorelli
Cinéfila de alma antiga que prefere Technicolor a CGI, mas assiste de Marvel a Bergman com prazer. Divide o tempo útil entre a Crítica e a Cinemateca do MAM, enquanto sonha em viver de Cultura. Pseudo-poetisa e roteirista nas horas vagas.

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