Som de Segunda: Três discos para ouvir antes que o mês acabe

A coluna de hoje apresenta três discos lançados em novembro e que merecem ser ouvidos antes que as novidades de dezembro cheguem. Os artistas escolhidos de hoje têm origens e estilos bem diferentes. Mas pra quem gosta de expandir o repertório, vale ouvir os três. Confere aí!


Synthesis – Evanescence

Mesmo longe dos holofotes, o Evanescence não perde a energia e segue trabalhando em material novo para os fãs. Há algumas semanas, o grupo liderado por Amy Lee – única integrante da formação original – lançou Synthesis (2017), após realizar uma turnê homônima nos Estados Unidos. O trabalho, disponível nas plataformas digitais, é composto por canções dos três discos da banda, mas rearranjados com orquestra e elementos eletrônicos.

Os grandes sucessos não ficaram de fora. “Bring Me To Life” foi a primeira a ser lançada, em um arranjo mais voltado para o piano e programações e sem o tradicional rap da versão de Fallen (2003). “My Immortal” não se distanciou muito da gravação de 2003, sem a banda, mas aqui, Amy mostra uma voz mais madura, o que torna a versão mais doce e emotiva. Outros destaques são “Lithium”, com uma melodia mais sombria, densa e crescente, “Your Star”, “Secret Door” e as inéditas “Hi-Lo” e “Imperfection”. O álbum funciona como a trilha sonora de um filme, de acordo com o sonho que Amy sempre disse ter.


Catto – Filipe Catto

Catto (2017 – Biscoito Fino) é um mar de influências e sonoridades que resultam em um trabalho pop e com identidade. Pensado em uma noite, como disse Filipe Catto, o álbum apresenta três canções autorais, mas que completam o sentido da obra com as outras faixas interpretadas por ele. “Lua Deserta” traz ecos dos anos 80 e uma letra mística e sensual sobre amor e liberdade abre caminho para uma ainda mais pop “Canção do Engate”. Composição de António Variações, compositor português que lançou seus principais trabalhos no início da década de 1980, pouco antes de morrer, também fala sobre encontro e amor, de forma leve e despretensiosa.

A conexão entre as faixas é percebida até na transição entre elas. Não há respiro, a maioria dos arranjos se fundem. Assim com as vozes de Filipe e Zélia Duncan na também autoral “Só Por Ti”, que tem um refrão chicletinho na medida. “Faz Parar” aponta um lugar mais delicado da interpretação do cantor, enquanto “Torrente” vem com a força de uma tromba d’água. “É Sempre o Mesmo Lugar” é uma das mais bonitas, e o arranjo que lembra New Order dá uma sensação acolhimento. O final com “Eu Não Quero Mais” é quase uma expurgação. Como o próprio Filipe recomendou, Catto é um disco para se viver e experimentar.


Soul of a Woman – Sharon Jones & The Dap-Kings

Lançado exatamente um ano após a morte de Sharon Jones, Soul of a Woman (2017 – Daptone Records) é um registro poderoso e emocionante da cantora. Dividido entre baladas e canções dançantes, a despedida da artista pode ser considerada ainda mais retrô do que os últimos trabalhos lançados pelo grupo, que tinham uma finalização mais contemporânea. O grito da vocalista na abertura de “Sail On!” convida o ouvinte a se jogar na pista enquanto a música toma conta de seu corpo. “Rumors” segue a mesma linha, enquanto “Searching For a New Day” é ótima para dançar com um par.

Os grandes momentos do disco são as baladas, que sempre foram entoadas com emoção por Sharon. Faixas como “Matter of Time”, “Pass Me By” e “Come and Be a Winner” são certeiras. Já “The Tears”, “Just Give Me Your Time”e “When I Saw Your Face” podem causar fortes sensações em corações mais sensíveis. Mas o grande momento do disco é “Call on God”, canção gospel dos anos 1970 que Sharon cantava no coral que fazia parte, que mostra o quão tocante é a sua voz e o quanto ela revela sua alma através de suas músicas.

Sobre o Autor

PH Rosa
Jornalista, autor de contos que nunca viram a luz do dia, viciado em música e comprador compulsivo de livros, discos e tênis. Se diz bom amigo, mas prefere ir ao cinema sozinho. Ama descobrir novos sons e escrever sobre canções que causam arrepio.

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