Som de Segunda: Três Discos de Bandas Cariocas Para Você Ouvir

noveJá faz um tempo que a cena do rock carioca voltou a se organizar com força total. Sob a bandeira d’A Cena Vive, algumas delas conseguiram romper barreiras e reacender um movimento que estava um pouco ofuscado, sem espaços para bandas se apresentarem e até com o fim de alguns grupos. Com a organização e a parceria entre os grupos contemporâneos, e a ajuda dos serviços de streaming e da internet para divulgar as músicas e os shows, muitos deles conseguiram gravar seus primeiros discos cheios, produzir vídeos, etc. Nos últimos meses, três bandas importantes para a cena lançaram novos discos. Então vamos conhecer os novos trabalhos de Canto Cego, Medulla e Nove Zero Nove.


Deus e o Átomo – Medulla

Uma das bandas mais antigas do rock do Rio de Janeiro, o Medulla lançou em setembro seu segundo disco, Deus e o Átomo, com diferentes participações, criando letras com temas sociais e pessoais em cima de guitarras e influências de rap e eletrônico. Entre os nomes que participam do álbum estão Marcelo D2, Teco Martins e Martin Mendonça (Pitty e Agridoce). Em “A Paz”, a banda faz uma crítica ao projeto de pacificação das comunidades cariocas, usando samplers de moradores de algumas dessas favelas que são ocupadas pela Polícia Militar. Outro destaque é a bela “Abraço”, um blues doloroso com o refrão cortante “Você quer me amar ou ferir? Você quer me partir ou partir?”. Já “Faça Você Mesmo” usa elementos eletrônicos para deixar o arranjo mais poderoso. Deus e o Átomo é o ótimo resultado da evolução da banda nesses 11 anos desde O Fim da Trégua (2005), tempo em que os irmãos Kéops e Raony se dedicaram a lançar EPs curtos com o grupo. Vale a pena ouvir.


Valente – Canto Cego

canto-cegoEm “Eu Não Sei Dizer”, Roberta Dittz canta “que o meu silêncio grita”, já anunciando o barulho que vem por a seguir. A letra de Marcelo Yuka – que também é parceiro da banda em “O Dono da Ordem” – pode ser sobre ideias, visões, evidências que são difíceis de se traduzirem em palavras, mas isso não parece dificuldade para a vocalista da banda, que tem seus cadernos onde escreve textos e poesias como seus fiéis escudeiros. Alguns desses rascunhos se transformaram em canções de Valente, primeiro trabalho da banda – que também conta com Rodrigo Soledade (guitarra), Magrão Kovok (baixo) e Ruth Rosa (bateria). A fúria lírica do quarteto fica clara em canções como “A Fúria”, “O Dono da Ordem” e na incrível versão de “Zé do Caroço”, de Leci Brandão. Também importante destacar as já conhecidas “Contra-Canto”, “Vão” e “Nuvem Negra”, escrita em homenagem às vítimas da chuva que atingiu o morro do Bumba, em Niterói, em 2010. Considerando que a banda já se apresentou no tradicional Festival de Montreux, não é exagero dizer que o Canto Cego tem potencial para vencer a “barreira acústica” que cerca o Complexo da Maré – comunidade onde a banda surgiu – e chegar aos ouvidos de quem está na Maré, na Augusta, em Londres ou Suíça.


Blindado – Nove Zero Nove

O apartamento 909, na Lapa, onde o vocalista Maurício Kyann morava, deu origem ao nome da banda. Em fevereiro deste ano, um incêndio atingiu o local e destruiu boa parte dos pertences do músico e dos equipamentos da banda, que eram guardados lá. Ressurgidos das cinzas, os meninos – e a menina, a baixista Eliza Schinner – lançaram o disco de estreia Blindado no dia 9/09 (olha o número aí de novo). Além das faixas do primeiro EP do grupo, mais alguns singles que saíram nos últimos três anos, o álbum também apresenta algumas faixas inéditas. Entretanto, mesmo com canções já conhecidas, o grupo vencedor do Rio Banda Festrelembre aqui – se deu o trabalho de recriar todas as faixas, produzidas por Paulo Jeveaux entre abril e julho. Uma das canções que mais ganhou forma no estúdio foi “Cositas Más”, cujos riffs deram uma carga emocional maior à letra. Já a inédita “Uma Noite Dessas” dá uma acalmada na velocidade da banda com seu arranjo acústico, que tem até um violão. O resultado é bem bonito. Outros destaques são a criativa “Ode Química (Pinguim)”, que lembra bons momentos do Charlie Brown Jr., e “Happy End”, o clássico da banda. O disco mantém o clima underground da música da banda, mas com potencial para atingir um público maior.

Sobre o Autor

PH Rosa
Jornalista, autor de contos que nunca viram a luz do dia, viciado em música e comprador compulsivo de livros, discos e tênis. Se diz bom amigo, mas prefere ir ao cinema sozinho. Ama descobrir novos sons e escrever sobre canções que causam arrepio.

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