Som de Segunda (na Terça): Ressaca do Lolla

 

Divulgação/ Créditos: Instagram do IHateFlash

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Se tem algo que o Lollapalooza deixou, além das boas lembranças, foram as dores e o cansaço. Isso graças às grandes distâncias a serem caminhadas entre um palco e outro – tarefa que se tornou um pouco mais cansativa em um domingo de chove-não-molha. Mas isso não é ruim, já que se você se propõe a ir para um festival, tem que estar disposto a peregrinar para assistir às suas bandas favoritas.

Após o festival, muito se comentou sobre sua crise e que este foi um dos piores line-ups de todos os tempos. Tudo muito relativo. Este ano, o Lolla contou com alguns patrocinadores que não estiveram no ano passado, e que tiveram suas marcas vinculadas a palcos e espaço vip. Sobre o line-up, houve realmente um excesso de música eletrônica na escalação, mas, apenas o Skrillex e o Calvin Harris tocaram no Onix, um dos palcos principais da festa – os dois já haviam tocado na primeira edição brasileira, em 2012. Se formos olhar a programação de 2013, o também DJ Deadmau5 ocupou um dos espaços de headliners do evento.

Outro ponto que foi muito questionado foi a presença de Pharrell Williams como artista principal. Eu fui um dos que reclamou, mas logo refleti sobre a importância de um nome como o dele para arrastar o público até aquele espaço gigante, que é o Autódromo de Interlagos. Querendo ou não, é um atrativo.

Interessante foi perceber o quão importante foi a presença do rapper no evento. Ajudou a dividir o público, sem deixar o espaço abarrotado. No mesmo horário, enquanto se ouvia no palco principal o hit “Happy” e outras músicas, no palco alternativo, as guitarras do Smashing Pumpkins soavam para um público menor, mas bem interessado. Isso também ocorreu com o Jack White, que dividiu o horário com o Bastille, que tocou no palco secundário.

O grande problema da popularização dos artistas é que um monte de gente que só está afim de curtir “a balada do fim de semana” acaba atrapalhando quem está interessado em algum show. Mas eles também merecem seu espaço. Ou não?

O incômodo mesmo foi que, durante alguns shows no palco Axe, o som da transmissão do Lolla Lounge vazava e acabava quebrando o clima de alguns shows. Foi possível ouvir “Hollaback Girl” no intervalo entre músicas do Pumpkins. Além disso, o forte cheiro de urina, intensificado pela chuva no domingo, tornou a caminhada mais estressante, principalmente em frente ao Chef’s Stage, espaço gourmet do festival.

Ainda assim, festivais são feitos de experiências como essas, e sempre haverá alguém que sairá insatisfeito. Mas o Lollapalooza continua cumprindo um papel de trazer bandas alternativas às dos grandes festivais e levando nomes nacionais que têm menos visibilidade para tocar nos palcos principais. Pelo menos para mim, o Lolla ainda não morreu.

Sobre o Autor

PH Rosa
Jornalista, autor de contos que nunca viram a luz do dia, viciado em música e comprador compulsivo de livros, discos e tênis. Se diz bom amigo, mas prefere ir ao cinema sozinho. Ama descobrir novos sons e escrever sobre canções que causam arrepio.

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