Som de Segunda: A Experiência Lollapalooza

Após seis edições fica cada vez mais evidente que o perfil do Lollapalooza Brasil mudou, não só na curadoria dos palcos, mas também no público. Quando era realizado no Jockey Club, o festival tinha uma capacidade reduzida, comparada ao Autódromo de Interlagos, e atrações sempre bem alternativas. Passados quatro anos da mudança de espaço, vemos um line-up cada vez mais eclético e popular e um público muito heterogêneo. Talvez a edição realizada na semana passada tenha sido a mais polêmica até hoje, principalmente pela escalação do Metallica como headliner do primeiro dia.

Assim que o line-up foi divulgado muita gente reclamou nas redes sociais que o festival tava mudado, que ia encher de metaleiro e outras reclamações nem sempre tão plausíveis. O que ninguém pensa é que bandas de peso (literalmente) como o Metallica ajudam a fechar a conta e pagar o cachê de outros artistas menores, que não atraem tanto público. Tanto que, o dia que os reis do trash metal se apresentaram foi a primeira vez que os ingressos se esgotaram desde a mudança do festival para Interlagos. Ainda assim, houve muita gente reclamando antes e durante o festival sobre a presença da banda em meio aos nomes indies poucos conhecidos pelo grande público (e até pelo público dos metaleiros) dizendo que este era um dos piores line-ups da história.

Mesmo com as queixas, o festival encheu. Quem olhava para trás durante o show do Metallica via um mar de gente, entre fãs, curiosos, e pessoas que estavam ali apenas para conversar ou tirar selfies. Aliás, esse comportamento foi visto durante todo o festival, mas em alguns shows específicos era bem fácil encontrar grupos conversando, mexendo no celular (filmando ou ignorando a apresentação). E aí percebe-se que muitas vezes uma suposta “experiência” de festival acaba se sobrepondo à música, e no final das contas, tanto faz quem está no palco, o que vale é o check-in no Facebook e alguns cliques no Instagram.

A experiência também poderia ser melhor. Não fosse a falta de ambulantes vendendo água no meio do público, e não só Skol Beats, além das enormes filas dos bares, talvez o público se sentisse mais confortável no evento. No palco principal, o que mais prejudicou foi o fato de só haver bares em um dos lados. Antes do show do Metallica, a fila para comprar qualquer bebida chegava a durar mais de 20 minutos.

Apesar de tudo isso, quem foi ao festival focado nos shows, pode conferir bons shows. Entre as atrações nacionais, o BaianaSystem foi uma das que mais se destacou, com uma apresentação super enérgica no primeiro dia. Quem chegava ao festival no festival por volta das 15h se surpreendia com a potência do som do grupo que mistura guitarra baiana, samba, reggae e música eletrônica.

Outra banda que também demonstrou muita energia foram os veteranos de Lolla Cage The Elephant, que dessa vez chegaram ao festival com o premiado Tell Me I’m Pretty (2016), mas emocionou com canções mais antigas como “Shake Me Down” e “Cigarette Daydreams”. O vocalista Matt Schultz deu um show a parte com suas características danças e expressões. No domingo, a surpresa foi o Catfish and The Bootlemen. A banda que tem apenas dois discos e uma carreira relativamente curta fez um show explosivo e chamou atenção pela quantidade de fãs em solo brasileiro que cantaram canções como “Cocoon”, “Kathleen” e “7”.

Mas quem dominou mesmo o evento foi o Metallica, com um show que começou com problemas no som, mas valeu a pena pela performance sempre incrível da banda. O repertório também não deixou a desejar, com canções do disco Hardwired… To Self-Destruct (2016) e clássicos como “Whiplash”, “Battery” e “Harverster of Sorrow”. Com esse show, a banda mostrou que pode tocar onde quiser e que sempre será bem vinda para o seu público.

Sobre o Autor

PH Rosa
Jornalista, autor de contos que nunca viram a luz do dia, viciado em música e comprador compulsivo de livros, discos e tênis. Se diz bom amigo, mas prefere ir ao cinema sozinho. Ama descobrir novos sons e escrever sobre canções que causam arrepio.

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