Snowden: Herói ou Traidor – Crítica

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Delação Premiada

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Direção: Oliver Stone

Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Shailene Woodley, Melissa Leo, Rhys Ifans, Zachary Quinto

Roteiro: Oliver Stone e Kieran Fitzgerald

Ontem, pouco após o anúncio da vitória de Donald Trump à presidência americana, Oliver Stone declarou sua preferência pelo magnata dos imóveis em relação à candidata derrotada, a ex-Secretária de Estado Hillary Clinton. A fala de Stone pode surpreender alguns fãs, acostumados com o discurso extremamente esquerdista e liberal do cineasta, mas ela não é, de toda, inusitada. Na verdade, parte da rejeição a Clinton é o resultado de um processo de descrença extrema com a política tradicional americana e seus principais articuladores que já vem crescendo fortemente entre a grande massa eleitoral há algum tempo e culminou com a publicação de documentos secretos da Agência de Segurança Nacional (NSA) americana revelados por Edward Snowden em 2013. Dando uma olhada de perto em todas as artimanhas reveladas por esses documentos, chega a ser compreensível a escolha de um candidato completamente fora do meio político como presidente da nação—ou quase compreensível: afinal, temos que nos lembrar que o candidato em questão é Trump.

Snowden é o protagonista do mais recente filme de Stone, em que o diretor, por meio da trajetória pessoal do delator, busca jogar uma luz sobre os esquemas soturnos de Washington. E quando eu digo jogar uma luz, quero dizer escancarar sob todos os holofotes: o diretor não se preocupa, em nenhum momento, com o mínimo de imparcialidade ou sutileza. Stone puxa sua agenda liberal até o fim, chegando ao ponto de dar, em certos momentos, contornos ingênuos e idílicos às cenas. O Snowden de Joseph Gordon-Levitt passa completamente por uma jornada quase fantástica, passando de um militar conservador e ignorante a um verdadeiro herói liberal e iluminado. E o vilão do filme, interpretado por Rhys Ifans, transforma-se, no final, em um personagem extremamente caricaturesco, que só falta ter um monóculo e esfregar suas mãos maleficamente  enquanto solta uma gargalhada para ficar completo.

Apesar disso, o saldo geral do filme é positivo: Stone é um mestre em conduzir uma história—apesar dele desembocar em alguns momentos para uma espécie de didatismo em detrimento da narrativa—e consegue imprimir bem durante o filme inteiro uma vaga sensação de desconforto; uma sensação que faz o espectador ter vontade constantemente de girar a cabeça e olhar por cima do ombro para certificar-se de que George W. Bush não o está observando naquele exato momento. Isso funciona bem em Snowden, mas tem uma limitação—uma limitação que, na verdade, acontece em quase todos esses pretensos filmes thrillers baseados em fatos reais. Como sabemos desde o começo que o protagonista será bem-sucedido em sua missão de conseguir entregar os documentos da NSA ao jornalista Glenn Greenwald (Zachary Quinto) e à cinegrafista Laura Poitras (Melissa Leo), a tensão que Stone tenta dar ao filme no final não funciona.

Aliás, o final inteiro de Snowden não funciona. O filme se desenvolve bem durante suas primeiras duas horas, mas seus últimos vinte minutos descambam para um sentimentalismo e uma pieguice que seriam demais até mesmo para Nicholas Sparks. Na verdade, a única coisa que salva os vinte minutos finais de Snowden é a presença de Nicolas Cage em uma cena—e mesmo assim, a cena só é boa porque é o Nicolas Cage, o que dá à sequência inteira o aspecto de uma paródia de si mesma.

Mas nada disso importa verdadeiramente: é minha opinião que Snowden e Stone não serão julgados tanto pela sua qualidade artística quanto pelo seu posicionamento político. Assim, as críticas ao filme serão das mais variadas possíveis: positivas se você for um liberal e negativas se você for um conservador, e o aproveitamento do espectador deverá seguir por essas mesmas linhas. Mas acho que o próprio diretor não está muito preocupado com isso: Stone se preocupa menos com o valor artístico de Snowden do que em martelar continuamente seu ponto de vista, à exaustão, até que entre na cabeça das pessoas. O filme, em si, tem seus bons momentos e serve como um bom começo se você não sabe quase nada sobre o escândalo dos documentos da NSA e suas repercussões. No final da sessão, é bem provável que você saia assustado com toda a sujeira política de Washington. Ou talvez não. Afinal, Donald Trump é o presidente. Perto disso, talvez o passado não tão distante de Snowden não pareça tão ruim assim.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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