Shows Circuito Banco do Brasil no Rio de Janeiro – Kings of Leon

 

 

Kings of Leon Banco do Brasil

 

Começo esse post esclarecendo que farei o relato do show de uma perspectiva muito pessoal pois, como fã, tenho opiniões mais sedimentadas do que as de alguém mais imparcial. Vamos lá.

Fui ao Circuito do Banco do Brasil para ver o Kings of Leon que, apesar de ter excelentes canções que se prestam bem a apresentações ao vivo, se mostrou levemente decepcionante nos dois shows da turnê do disco “Mechanical Bull” que eu vi nos EUA no ano passado. A banda americana tem mais de 14 anos de estrada e já vem lotando festivais e shows solo em sua terra natal e na Europa há algum tempo, mas o público dessas apresentações é tradicionalmente mais sisudo, o que faz com que a energia investida pelos artistas seja inevitavelmente menor. Por isso, fui mais uma vez vê-los, apostando que a vibração do público latino-americano fosse fazer tudo ser diferente.

Entretanto, depois do fim do show do Paramore, comecou a chover bem mais e a maioria das pessoas desapareceu, deixando a pista vip e a arquibancada quase vazias. Fiquei com muito medo de que o show dos headliners, teoricamente o mais aguardado, fosse ser ruim como resposta à recepção nem um pouco calorosa.

O Kings of Leon entrou no palco precisamente às 23:15 e era visível o baque que os integrantes da banda tiveram quando viram o espaço mais próximo a eles. Porém, isso teve o efeito contrário do que o que eu temia – eles se sentiram mais à vontade porque, apesar de estarem num local gigante como a Apoteose, era um show quase intimista. As pessoas foram abrindo mão da proteção contra a chuva e voltando aos seus lugares para curtirem a apresentação, pouco a pouco preenchendo os espaços vazios.

Não gostei muito dos shows do ano passado porque achei a banda fria e com pouca presença de palco. Mas dessa vez, Caleb Followill, frontman da banda, dançou, brincou com os outros integrantes e interagiu com o público. Ele falou que um deles machucou o ouvido surfando e que nem deveria estar tocando, mas que não queria deixar de fazer a apresentação. Caleb também mencionou a última vez que eles vieram ao Rio, afirmando que não demorarão tanto tempo para retornarem novamente. Esse show de 2005 foi histórico para mim, pois foi o meu primeiro. Eles abriram para o The Strokes no TIM Festival e, do alto de seus bigodes e longos cabelos, fizeram um showzaço. Eu não os conhecia naquela época, mas lembro de pensar que não ia demorar para que eles estourassem, pois eram realmente muito bons ao vivo. Ano passado, achei que essa magia deles no palco havia se perdido em meio a desentendimentos profissionais e pessoais (o vocalista Caleb, o baterista Nathan e o baixista Jared são irmãos e Matt, guitarrista, é primo deles). Mas essa performance mais recente mudou completamente a minha percepção, que agora condiz com as declarações atuais feitas de que as brigas internas foram apaziguadas.

Mesmo com a acústica horrível da Apoteose (o som do Paramore estava ainda mais abafado que o deles) e com a chuva, o show foi excelente. Diferentemente da banda de abertura, o KoL tinha uma programação visual no telão que foi preparada especificamente para casar com cada música do setlist. Indo do lifestyle norte-americano dos anos 50 a imagens de natureza psicodélicas em câmera lenta, as influências visuais complementaram muito bem cada canção. A equipe de filmagem da banda mesclou a captura da performance ao vivo com as imagens previamente feitas de um modo muito eficiente. Nathan, sabendo que estava no telão, por vezes apontava sua baqueta para a câmera, brincando com o público. As meninas iam ao delírio quando ele era focado, desbancando a minha noção de que o público feminino achava o Caleb o maior colírio da banda.

Porém, essa empolgação era sempre momentânea. Fora os fãs mais dedicados, que estavam nas primeiras fileiras das pistas vip e normal, entre uma música e outra havia silêncio. Isso geralmente acontece quando um só evento reúne bandas com públicos muito diferentes, como foi o caso de quando o Keane abriu para o Maroon 5 no HSBC Arena, por exemplo. Eu já tenho uma séria tendência a gritar muito durante show, mas se eu consigo ouvir meu grito porque pareço estar sozinha, eu grito o triplo para compensar o resto do público, pois sempre penso que se a banda achar que não tem fãs aqui, não voltará tão cedo. É claro que uma voz no meio da multidão não faz diferença, mas sinto que fiz a minha parte, algo que a galera no geral não fez. As únicas que foram cantadas por todos foram “Sex on Fire” e “Use Somebody”, ambas do álbum “Only By The Night”, o mais vendido da discografia deles – muitos dizem que tanto no sentido literal quanto no simbólico. Outra que também foi mais reconhecida foi “Molly’s Chambers”, um dos primeiros hits da banda de Nashville.

Alguns dos momentos mais emocionantes do show foram quando tocaram as baladas. Em “Pyro”, deixaram a segunda voz do refrão para o público cantar. Mesmo a resposta tendo sido bem menos animadora do que poderia ser, Caleb elogiou as vozes que o acompanharam. Antes de tocar “Cold Desert”, ele pediu para que todos acendessem seus isqueiros e as lanternas de seus celulares para que eles pudessem ver quantos de nós estavam ali. A equipe de filmagem da banda se virou pra nós e nos mostrou no telão. De repente, os nossos pontinhos luminosos se fundiram com imagens de estrelas no espaço. Foi o clímax do show para mim, um momento realmente digno de arrepio e de um choro catártico.

Eles voltaram pra tocar o bis, apesar de o pedido ser infelizmente muito incipiente. Depois do grand finale que teve até efeitos pirotécnicos, eles se despediram, mas ficaram no palco jogando itens do show. Nathan lançou baquetas, Matt jogou palhetas, cada um deu de presente um tesouro diferente, aplaudindo e demonstrando carinho por um público que, em geral, não estava à altura de um show tão técnico e tão bom.

1. Supersoaker
2. Taper Jean Girl
3. Fans
4. Family Tree
5. Mary
6. The Bucket
7. Closer
8. The Immortals
9. Knocked Up
10. Pyro
11. Temple
12. Radioactive
13. Molly’s Chambers
14. Don’t Matter
15. Be Somebody
16. Notion
17. Cold Desert
18. Use Somebody
Bis:
19. Crawl
20. Black Thumbnail
21. Sex on Fire

Músicas que fizeram falta: Beautiful War, On Call, Back Down South, Charmer, California Waiting (raríssima, se não impossível em setlists, mas é uma das melhores deles).

Sobre o Autor

Anna Israel
Formada em Comunicação Social – Cinema pela PUC-Rio, tive a sorte de fazer intercâmbios para a UCLA, NYU e Cornell nos EUA, de conhecer alguns dos meus grandes ídolos e de ganhar prêmios com meus trabalhos. Para viver, só preciso de cinema, TV e música. Mas boas horas de sono e chocolate também vêm a calhar.

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