Show Review: Muse – HSBC Arena e Allianz Parque

 

Divulgação/T4F

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Quem esteve nos shows do Muse no Brasil na semana passada pôde constatar que a banda continua fazendo ótimas apresentações, mas, ao mesmo tempo, parece que o que vemos ali no palco é uma outra banda. Pela terceira vez no país em três anos, os britânicos se redimiram da apresentação catastrófica do Lollapalooza de 2014, mas não conseguiram superar o fôlego e a empolgação do show apresentado no Rock in Rio em 2013.

Lançando o álbum Drones, um dos seus registros mais fracos, o trio enfrentou plateias enxutas, mas animadas, no Rio e em São Paulo em show com poucas novidades e algumas repetições que incomodaram, e não fizeram valer o preço dos ingressos – que chegou a R$ 700 reais no setor mais próximo do palco.

Mantendo o repertório base da turnê apresentada nos festivais deste ano, a banda ousou pouco em um show para fãs, exceto pela adição de “Muscle Museum”, single do primeiro disco, cumprindo a promessa feita por Matthew Bellamy (vocal e guitarra), após o Lollapalooza. Mas isso não foi o suficiente para fazer com que o show fosse o melhor. No Rio de Janeiro, primeira cidade da tour brasileira, as novidades foram apenas “Muscle Museum” e “Apocalypse Please”, que renderam grandes momentos de euforia coletiva.

Já as novas, não empolgaram tanto, mas tiveram execuções justas, já que fazem parte do disco que está sendo divulgado. Felizmente, eles tocaram apenas as quatro melhores faixas de Drones e “Mercy”, que teve uma chuva de papel picado tão desnecessária quanto sua presença no setlist. Ainda assim, a apresentação foi boa.

Divulgação/T4F

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Em São Paulo, eles tocaram no Allianz Parque. O estádio não lotou, mas os fãs conseguiram assistir o show de forma confortável. Dessa vez, “Apocalypse” foi substituída por “Citizen Erased”, outra queridinha dos fãs mais antigos, enquanto “Resistance” ocupou o lugar de “Hysteria”. De resto, houve os mesmos improvisos, Matt fez as mesmas gestos, Chris Wolstenholme (baixo) e Dom Howard (bateria) fizeram uma ótima jam e o público ovacionou faixas previsíveis como “Starlight”, “Supermassive Black Hole” e “Time is Running Out”.

Se for analisar essas apresentações de forma isolada, elas foram sim bons espetáculos do Muse, principalmente para os fãs de primeira viagem, mas foram protocolares e sem empolgação por parte da banda, o que não fez valer o ingresso pago. Por vezes, parece que aquele Muse visto em 2013, na Cidade do Rock, que colocou faixas esquecidas no repertório do festival – “Unnatural Selection”, “Agitated” e “Liquid State” – se mostraram pouco criativos (e um pouco preguiçosos, talvez) na hora de criar uma apresentação para o público. O que resta é esperar que eles voltem com um disco incrível e numa melhor forma, mas que deixem também os fãs sentirem saudade e compensem com um show mais surpreendente.


 

Setlist

Psycho
Reapers
Plug In Baby
The Handler
The 2nd Law: Unsustainable
Dead Inside
Hysteria (Rio)/Resistance (SP)
Muscle Museum
Apocalypse Please (Rio)/Citizen Erased (SP)
Munich Jam
Madness
Supermassive Black Hole
Time Is Running Out
Starlight
Uprising

Bis
Mercy
Knights of Cydonia

 

Sobre o Autor

PH Rosa
Jornalista, autor de contos que nunca viram a luz do dia, viciado em música e comprador compulsivo de livros, discos e tênis. Se diz bom amigo, mas prefere ir ao cinema sozinho. Ama descobrir novos sons e escrever sobre canções que causam arrepio.

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