Show Review: The Hives no Rio de Janeiro

 

Começo esse post dizendo que, em todas as minhas críticas de shows, vou sempre falar do ponto de vista de uma fã, relatando minhas próprias experiências, impressões e opiniões. E também me desculpo pela demora nesse texto, mas fim de ano é complicado, rs! Vamos lá.

O show do Arctic Monkeys e do The Hives no Rio de Janeiro começou ao melhor estilo guerrilha. Os únicos lados bons de ter ficado seis horas na fila para garantir um bom lugar foram conhecer uma galera legal e tão dedicada quanto eu e observar as camisas engraçadas que os fãs do Arctic Monkeys vestiam com orgulho.

Na fila de mais de uma hora que enfrentei para ir a um dos míseros dois banheiros químicos que o HSBC Arena tinha disponibilizado do lado de fora (pessoal sem noção de planejamento), conheci uma menina legal que vestia uma camisa do The Hives. Ela confessou: “Vim mais para ver eles, mas tô me escondendo das pessoas. Daqui a pouco me lincham porque sou ‘do contra’”. Constatei pessoalmente que o clima era esse mesmo ao tentar voltar para o meu lugar depois de ter completado a saga do banheiro. Achando que eu estava furando fila, vários homens e até mesmo algumas mulheres – todos recém-chegados – ameaçaram me bater caso eu tentasse passar. Pessoal sem noção ponto final. O negócio foi tão feio que teve gente filmando. Pensei comigo mesma: “vou tomar na cara, vou pro hospital, não ver o show e ainda vou parar no Youtube”. Ou seja, depois de tudo isso, nem preciso dizer que estava exausta antes mesmo do primeiro acorde da noite. As músicas de ambiência que foram postas antes do show também não ajudaram – estavam mais para canções de ninar do que para um aquecimento para um show de rock.

Mas tudo valeu a pena (até a pequena Batata Ruffles pela qual eu havia pago insólitos R$10) quando, no pano de fundo do show, os olhos no rosto de Pelle Almqvist (vocal do Hives de carisma inegável e nome impronunciável) ficaram vermelhos. O público foi ao delírio. Pelle fez jus à foto enorme no fundo do palco e foi de fato um mestre de marionetes, botando o público em sua mão com poucos minutos de show. Ele é a Madonna do indie rock – pulava, rebolava, corria… Exibiu uma energia e um preparo físico invejáveis e quase inimagináveis para um indie rocker (é só olhar pra eles, gente! #truestory #hatersgonnahate). Todos os membros da banda, talvez com exceção do baixista, mas eles tendem a ser mais quietos mesmo, exibiam a mesma empolgação em subir ao palco. Quando Pelle sem querer chamou o Rio de São Paulo, o público ficou ressabiado. Mas ele logo se retificou e continuou o show, se dedicando ainda mais a recuperar a plateia.

Porém, era flagrante o fato de que a banda sueca é quase desconhecida aqui. Somente as mais conhecidas deles, “Main Offender”, “Hate to Say I Told You So” e “Tick Tick Boom”, foram cantadas por todos e empolgaram mais a galera. Pelle tentou levar a plateia consigo a todo custo, perguntando várias vezes: “Do you love The Hives? Do you love me?”. Acho que pecou de certo modo até por interação demais. Ouvi alguém do meu lado dizer: “Meio carente ele, né?”. Mais para o fim do show, ele pediu que o público sentasse, mas todos estavam tão espremidos que foi difícil seguir o mestre mandou. Antes disso, rolou também uma falha na comunicação cultural. Pelle foi zoado pela marca da cerveja que bebeu no palco – “Skol” significa “tim tim” em Sueco (seção “Você Sabia?” dessa review) – mas o coitado achou que as vaias eram para ele. Ele não se deixou abater: “Vamos botar pra fora tudo o que vocês têm de ruim a dizer sobre o vocalista do The Hives!”, ele disse, apontando o microfone para o público. “Agora, vamos gritar todas as coisas boas que vocês têm a dizer sobre mim!” Com isso, mostrou profissionalismo e um jogo de cintura – tanto simbólico quanto literal – digno de poucos.

No meio de uma música, Pelle viu uma menina na primeira fileira falando ao celular. Ele parou de cantar, desceu do palco e seus companheiros de banda continuaram com a batida de base. O cantor foi falar com a menina, perguntou o nome dela e o da pessoa com quem ela estava no celular. Para surpresa geral, ele tomou o telefone e começou a falar: “oi, tudo bem? Aqui é o Pelle, vocalista do The Hives. Tá rolando uma parada sinistra agora, então ela não pode falar com você no momento”. Muito louco. E genial. Aposto que, depois dessa, a menina nunca mais vai levar o celular para um show.

Igualmente sensacional foi o fato de os roadies estarem vestidos de ninjas, o que é ao mesmo tempo estiloso e funcional, pois permite que eles se camuflem ao fundo, podendo entrar no palco a qualquer momento sem chamarem atenção. Além disso, o uniforme ninja se constrasta com os ternos brancos da banda, que já foi premiada como “mais bem vestida” pela revista especializada NME. Um dos momentos mais criativos do show foi quando, de repente, o grupo inteiro congelou seus movimentos, fazendo “estátua”. Um roadie entrou sorrateiramente e trocou o instrumento do guitarrista enquanto ele ficava parado na mesma posição. Transição feita da forma mais inusitada e original que já vi. É notável o carinho com que pensam em como deixar cada um dos momentos de suas apresentações ainda melhor. Pelle se despediu fazendo coração com as mãos e foi retribuído, pois o excelente repertório da banda e as provas de que ele é uma excelente showman conquistaram os nossos.

 

 

Fonte: Wikipédia/OGlobo

Fonte: Wikipédia/OGlobo

 

SETLIST

 

  1. Come On!
  2. Take Back The Toys
  3. Walk Idiot Walk
  4. Two Kinds of Trouble
  5. Supply and Demand
  6. Main Offender
  7. Won’t Be Long
  8. I’m Alive
  9. Go Right Ahead
  10. Tick Tick Boom
  11. My Time Is Coming
  12. Hate to Say I Told You So
Sobre o Autor

Anna Israel
Formada em Comunicação Social – Cinema pela PUC-Rio, tive a sorte de fazer intercâmbios para a UCLA, NYU e Cornell nos EUA, de conhecer alguns dos meus grandes ídolos e de ganhar prêmios com meus trabalhos. Para viver, só preciso de cinema, TV e música. Mas boas horas de sono e chocolate também vêm a calhar.

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