Show Review: As Bahias e a Cozinha Mineira – Circo Voador

Raquel Virgínia e Assucena Assucena são duas forças da natureza. São os diferentes que se completam. E na noite de sábado, 11, elas levaram todo seu poder ao palco místico do Circo Voador. Em uma noite com participação da MC Linn da Quebrada e Pabllo Vittar, a banda As Bahias e a Cozinha Mineira apresentou o show da turnê Etc & Tal, que reúne músicas do disco Mulher (2016) e versões de Belchior, Caetano Veloso, Rita Lee e outros.

Com um público pequeno, mas interessado, o show foi uma celebração da diversidade, presente na vida e na música das vocalistas. A mistura já se vê no início do show, em “Apologia às Virgens Mães”, que começa como um blues, vira um samba e termina em um rock visceral com um belo solo do guitarrista Rafael Acerbi. “Reticências” fez o local se transformar num grande baile de Carnaval, e o público, repleto de purpurina, dançava e se admirava com a performance da dupla.

“Lavadeira Água”, cujo arranjo tropicalista por vezes lembra Zé Ramalho, favoreceu os graves de Raquel. Em “Ó Lua”, foi a vez de Assucena mostrar sua voz, mas ainda não era seu momento de brilhar no show.

Raquel, que tem uma personalidade mais extrovertida e exagerada (no melhor dos sentidos), desfilou carões e prometeu contar histórias sobre a Lapa. Ainda brincou com seu copo de whisky durante todo a apresentação e brincou dizendo que tinha que voltar ao roteiro do show, que tem direção artística de Marcos Xuxa Levy. Ela voltou ao que estava previsto no repertório e cantou “Tradição”, de Caetano Veloso, enquanto encenava com o baixista Rob Ashtoffen.

Com sua elegância, Assucena voltou ao palco para a bela “Fumaça” e mais uma grande interpretação. Também foi impressionante ver Raquel esbanjando delicadeza na introdução de “Josefa Maria”, que rendeu homenagens às mulheres nordestinas.

O grande momento para o público foi quando Pabllo Vittar subiu ao palco pela primeira vez para cantar “Open Bar”, que estava na ponta da língua da maioria. Ela levou os fãs ao delírio com seus carões e coreografias. As Bahias seguiram com uma versão de “Na Hora do Almoço”, de Belchior, e então Assucena brilhou de vez, em uma incrível apresentação de “Uma Canção Pra Você (Jaqueta Amarela)”.

Antes do começar “Mãe Menininha dos Gantois”, Raquel disse que era o momento de se sentir Ivete Sangalo, e a música foi um dos momentos mais animados do show com seu axé. A segunda participação da noite foi de MC Linn da Quebrada, que soltou o verbo na sua “Bixa Preta”. O show terminou com “Comida Forte”, com direito a um show incrível da percussão de Danilo Moura, e “Etc & Tal”.

Raquel não deu nem tempo do público pedir bis e voltou ao palco pedindo um grito pras trans e travestis, e o público ovacionou com aplausos e gritos todas as cantoras da noite. Linn voltou ao palco para cantar “Mulher” e, em seguida, o Circo foi abaixo com Pabllo cantando o hit “Todo Dia”. Com todas no palco, As Bahias puxaram “Pagu”, de Rita Lee, para encerrar em clima de apoteose o espetáculo.

Se fosse só música, o show já teria sido incrível pela visceralidade e entrega da banda – que conta ainda com Carlos Eduardo Samuel, no teclado e piano, e Vitor Coimbra, na bateria. Mas também houve espaço para dar visibilidade as trans, e houve até grito pela Casa Nem, espaço de acolhimento ao público LGBTI em situação de vulnerabilidade, especialmente transsexuais, travestis e transgeneres. Sendo assim, As Bahias e a Cozinha Mineira se mostra uma banda capaz de entreter e provocar reflexões no público. Necessárias.

Setlist:

Lata D’Água Na Cabeça (intro)
Etc & Tal
Apologia às Virgens Mães
Reticências
Lavadeira Água
Ó Lua
Tradição
Fumaça
Josefa Maria
Open Bar (com Pabllo Vittar)
Na Hora do Almoço
Uma Canção Pra Você (Jaqueta Amarela)
Mãe Menininha dos Gantois
Bixa Preta (com MC Linn da Quebrada)
Comida Forte
Etc & Tal

Mulher (com MC Linn da Quebrada)
Todo dia (com Pabllo Vittar)
Pagu (com Pabllo Vittar e MC Linn da Quebrada)

Sobre o Autor

PH Rosa
Jornalista, autor de contos que nunca viram a luz do dia, viciado em música e comprador compulsivo de livros, discos e tênis. Se diz bom amigo, mas prefere ir ao cinema sozinho. Ama descobrir novos sons e escrever sobre canções que causam arrepio.

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