Show Review: Ana Cañas – Lançamento “Tô Na Vida”

 

 

Instagram: @ana_canas

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Se tem uma coisa que Ana Cañas não faz é besteira. Ao enveredar pelo rock and roll em seu novo disco, Tô Na Vida (Slap/Guela Records), a cantora paulistana se mostrou ainda mais visceral e viva que em seus trabalhos anteriores. É neste álbum que ela também aparece mais coesa, em canções que combinam entre si e mostram uma unidade na composição.

Pois esse disco foi o mote para o show apresentado na noite de quarta-feira (27) no Theatro Net Rio. Diferente da turnê anterior, do disco Volta (2012), que tinha direção de Ney Matogrosso, Ana parece estar agora mais livre, sem um roteiro a seguir, o que permite mudanças no repertório e experimentações novas a cada apresentação. E foi com essa liberdade que a cantora subiu ao palco com o violão em punho iniciando o concerto com a faixa de abertura do disco, “Existe”, um folk com letra que fala de amor e vida em forma de poesia. Ao vivo, a canção ganha peso com a ajuda dos músicos que a acompanham e fazem a diferença nesta nova turnê: Marco da Costa (bateria), Rubinho (baixo) e Lúcio Maia (guitarrista), integrante da Nação Zumbi que produziu o disco junto com a cantora.

Em ritmo mais frenético, o show seguiu com a nova “Feita de Fim” e “Diabo”, que ganhou uma versão mais pesada, que deu vontade de sair da cadeira e curtir de pé, como um bom show de rock. Essa sensação se repetiu ao longo da noite em momentos mais roqueiros como “O Som do Osso”, “Indivisível” e “Mulher”. Esta, aliás, ganha destaque pela letra à la Rita Lee e pelo incrível riff de Maia na parte final da música.

Outro momento de tirar o fôlego foi a nova versão para “Rock and Roll” de Led Zeppelin, que em Volta, já tinha ganhado uma roupagem mais folk, mas agora aparece em um figurino mais adequado ao título, com direito a citação de “You Really Got Me”, dos Kinks. Outros clássicos do rock também foram relembrados durante algumas canções do show, como “Walk on The Wild Side”, de Lou Reed, na dobradinha acústica “Esconderijo/Amor e Dor”, e “Voodoo Child”, de Hendrix, em “Madrugada Quer Você”. Nessa música, aliás, foi possível perceber uma certa magia tomando conta do teatro, tamanho entrosamento e e entrega da banda – destaque para os solos de Lúcio Maia -, enquanto Ana parecia ter incorporado Janis Joplin em toda sua essência.

Mas a faceta romântica da cantora não ficou de lado durante o show. O repertório contou com o single “Tô na Vida” e as belas parcerias de Ana e Dadi “Hoje Nunca Mais” e “Será Que Você Me Ama?”, que ganhou uma versão mais puxada pro blues e acompanhada pelo canto tímido do público, que parecia estar mais a fim de admirar a artista do que acompanhar com coro. Mas isso não significa desinteresse pela apresentação, pelo contrário. “Volta” agora ganhou mais peso e densidade com as guitarras e de Ana e Maia, e “Urubu Rei”, foi totalmente repaginada e permitiu que ela brincasse ainda mais com sua voz em diferentes tons, voltando a lembrar Janis em alguns momentos.

Contando a história de sua avó, que veio para o Brasil com os irmãos se refugiando da Segunda Guerra, Ana emocionou com uma versão a capella de “La Vie en Rose”, que ela diz ser sua primeira memória musical. Uma homenagem à matriarca que faria aniversário no dia do show. “Coisa Deus”, melhor letra e música do novo álbum, encerrou a apresentação de maneira visceral, e fez o público deixar o espaço com olhos brilhando, e apaixonados pela cantora incrível que acabara de sair do palco.

Este novo show e disco é uma síntese do momento que Ana está vivendo. Cantando cada vez melhor e com repertório mais autoral e visceral que nunca, ela pode, sim, gritar que está na vida.

Setlist:

Existe

Feita de Fim

Diabo

Será Que Você Me Ama?

Traidor

Rock and Roll (You Really Got Me)

Volta

Esconderijo/Amor e Dor (Walk on The Wild Side)

Hoje Nunca Mais

Tô na Vida

Urubu Rei

Mulher

O Som do Osso

Indivisível

Madrugada Quer Você (Voodoo Child)

Bis

La Vie en Rose (solo)

Coisa Deus

 

 

Sobre o Autor

PH Rosa
Jornalista, autor de contos que nunca viram a luz do dia, viciado em música e comprador compulsivo de livros, discos e tênis. Se diz bom amigo, mas prefere ir ao cinema sozinho. Ama descobrir novos sons e escrever sobre canções que causam arrepio.

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