Quinta da Nostalgia: Sheridan, o Irlandês de Ouro do Cinema Mundial

Jim Sheridan nasceu em Dublin, na Irlanda, em 1949. Filho de Anne e Pete Sheridan, o irlandês iniciou os estudos com Irish Christian Brothers e mais tarde se formou na University College Dublin. Ele emigrou para o Canadá e, em seguida para, New York City, em 1982, para atender o convite de ser o diretor artístico do Irish Arts Center. Durante esse período até 1988, ele também escreveu novelas para a TV e trabalhou como motorista de táxi.

Jim-Sheridan_pb

O primeiro filme deste mestre contador de histórias irlandês foi My Left Foot (1989), estrelado por Daniel Day-Lewis, sobre o artista irlandês Christy Brown, que só tinha o controle de seu pé esquerdo. O  filme foi um grande sucesso, tanto com Day-Lewis quanto para a estrela Brenda Fricker que ganharam Oscars por suas performances artísticas. Sheridan recebeu duas indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Diretor e de Melhor Roteiro.

Ele é um diretor aclamado por ter feito poucos filmes, mas que marcaram a história do cinema mundial. My Left Foot foi o filme de estreia que o lançou na indústria cinematográfica, apesar de ser um início tardio, pois Sheridan já tinha 40 anos de idade.

My_Left_Foot_Daniel_Day_Lewis

Daniel-Day-Lewis-My-Left-Foot

Em 1990 ele lançou o filme The Field estrelado por Richard Harris, Sean Bean e John Hurt. O longa-metragem foi baseado em uma peça de teatro de John B. Keane e com a obra cinematográfica, Harris ganhou uma indicação ao Oscar.

Três anos mais tarde, o cineasta reafirma a parceria com Daniel Day-Lewis com o filme In the Name of the Father em 1993. O filme relata a história de quatro adolescentes que são acusados de um atentado do IRA. O personagem Gerry (Day-Lewis) descobre que seu pai (Pete Postlethwaite), tia e primos também são acusados. Gerry e o pai passam 15 anos na prisão juntos até que a advogada (Emma Thompson) leva o caso a tribunal mais uma vez. O filme foi muito aclamado pela crítica e bem sucedido comercialmente e ganhou sete indicações ao Oscar, inclusive três indicações para o diretor irlandês.

Ao longo da década de 90, Sheridan desenvolveu e realizou alguns outros trabalhos como ator e escritor, e seus créditos como roteirista incluem o filme Some Mother’s Son (1996). Em 1997, ele assinou a direção do corajoso The Boxer, longa-metragem que reforça uma nova e bem sucedida colaboração entre Sheridan e o ator Daniel Day-Lewis. O filme foi nomeado para três Globos de Ouro, incluindo Melhor Ator (Day-Lewis) e Melhor Diretor (Sheridan).

Em 2002, ele assinou a produção e direção de um emocionante drama que conquistou a atenção mundial. Um filme pessoal que contou com as experiências e memórias do diretor. O longa-metragem In America, estrelado por Paddy Considine e Samantha Morton.

A intenção do cineasta foi retratar com bom humor o cotidiano dos imigrantes irlandeses na América. Em destaque, o filme apresenta os problemas financeiros, legais e conjugais do casal Sheridan.  A história é sobre uma família irlandesa que emigra ilegalmente para os Estados Unidos. O pai é um ator, na tentativa de encontrar o sucesso, para que ele possa cuidar de seus filhos. A narração é da filha mais velha, Christy (Sarah Bolger), que tudo registra com sua câmera, mas o ponto de vista é da pequena Ariel (Emma Bolger).

Sheridan é muito elegante ao estabelecer a época através da trilha sonora, o momento que a família vai ao cinema assistir o filme E.T. – O Extraterrestre, uma das cenas mais tensas e bonitas do filme, e a atenção em relação ao personagem, Mateo (Hounsou), um vizinho soro-positivo que é personagem-chave. Um dos efeitos dramáticos mais eficientes é a montagem paralela, quando momentos cruciais na vida da família de irlandeses e momentos importantes de Mateo são mesclados. Muito triste, mas muito sincero e humano.

in_america_03 in-america

O filme se tornou favorito do público em festivais internacionais como Sundance e Toronto e foi indicado a dois Globos de Ouro e ao Oscar 2004 em três categorias: atriz (Samantha Morton, de Minority Report – A Nova Lei), ator coadjuvante (Djimon Hounsou, de Gladiador) e uma indicação para Sheridan junto com as filhas Kirsten e Naomi na categoria de Melhor Roteiro Original.

Em 2005, o diretor irlandês surpreendentemente se uniu ao rapper 50 Cent para rodar o filme Locked and Loaded, um projeto da Paramount Pictures e da MTV Films para contar a história de um órfão, interpretado por 50 Cent, que sai da vida do crime para se tornar um músico de sucesso. O roteiro foi escrito por Terence Winter, autor da série A Família Soprano, e entre os produtores estão Eminem e Dr. Dre. O filme recebeu muitas críticas, mas alguns, como o renomado crítico Roger Ebert, destacou muita emoção pelo filme mostrar as conseqüências da vida de um gangster.

Sheridan dirigiu Brothers (2009), uma adaptação para um cenário tipicamente americano de um filme dinamarquês escrito e dirigido por Suzanne Bier.

brothers_2009

Uma história tão antiga quanto o modelo bíblico dos irmãos Caim e Abel – o “bom” irmão, orgulho e alegria do pai, e o “mau” irmão, rebelde e descuidado. No filme temos um fator extra de drama, no caso, a guerra no Afeganistão.  O filme é estrelado por Jake Gyllenhaal, Natalie Portman e Tobey Maguire e foi um sucesso modesto. Tobey Maguire recebeu uma indicação ao Globo de Ouro.

O trabalho mais recente do diretor é o filme Dream House (2011), um thriller envolvendo atividades paranormais em torno de uma família. Mas, para o nativo de Dublin, esse não foi um dos melhores e promissores trabalhos na indústria de cinema, apesar de ser um filme estrelado por atores de peso, tais como, Daniel Craig, Rachel Weisz e Naomi Watts. O filme era uma promessa de história de terror à la Stanley Kubrick de “O Iluminado”, mas no fim, o resultado desastroso levou Jim Sheridan a pedir que a Directors Guild of America retirasse o nome do projeto.

dreamhouse

Sobre o Autor

Ellen Ferreira
Cineasta e Jornalista. Ama se refugiar no cinema, maratonar séries e ouvir trilhas sonoras de filmes enquanto trabalha. Gostaria de ter trocado correspondências de amizade com o genial J.R.R Tolkien e de ter dirigido os filmes da era de ouro de Hollywood. Dedicada a criar, fazer filmes, pesquisar, escrever histórias e desbravar o máximo da cultura mundial.

Comentários
Cobain: Montage of Heck – Crítica
sábado, 13h20
Cobain: Montage of Heck – Crítica

  Kurt Cobain tinha seus fantasmas. As dores de estômago, os conflitos familiares, o vício em heroína e outras drogas. Mas, ao mesmo tempo, era uma pessoa extremamente sensível e…

Ver Post
Resident Evil 6: O Capítulo Final
quinta-feira, 1h18
Resident Evil 6: O Capítulo Final

Resident Evil 6: Nem o 3D se salva   Antes de partir para a análise do filme, gostaria de apresentar a vocês, queridos leitores, um novo parceiro do site: o…

Ver Post
Rumo ao Oscar 2017: Veja as Indicações ao Critics’ Choice Film Awards 2017
sexta-feira, 1h57
Rumo ao Oscar 2017: Veja as Indicações ao Critics’ Choice Film Awards 2017

  Foram anunciados na última quinta-feira (2) os indicados ao Critics’ Choice Film Awards 2017. Como já era esperado, o musical La la land – protagonizado por Ryan Gosling e Emma…

Ver Post
Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com