Sete Homens e Um Destino – Crítica

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Divertido, porém longe de ser um clássico

Denzel Washington no filme da Columbia Pictures' THE MAGNIFICENT SEVEN.

Denzel Washington em Sete Homens e Um Destino

 

Sete Homens e um Destino é um desses filmes que tinha tudo para dar certo. Um grande elenco, um bom diretor e um competente roteirista deveriam ser a fórmula perfeita para a criação de um clássico. Infelizmente, para todos os envolvidos, o novo lançamento da Sony Pictures falha nos quesitos mais importantes e a única coisa que o torna verdadeiramente especial é a escolha de seus protagonistas.

A trama é aquela história já bem conhecida pelo público, um grupo de foras-da-lei se une para ajudar uma pequena cidade a se livrar de um grupo de bandidos. Poderia citar centenas de filmes com uma premissa parecida. Pensando em lançamentos recentes, até mesmo Esquadrão Suicida (2016), se encaixaria nesse grupo. Desde o princípio, estava claro que o roteirista e o diretor teriam um grande desafio em suas mãos. Como mostrar algo novo no meio de tanta mesmice?

A resposta para essa pergunta veio na forma de um roteiro um tanto modernizado, algo que fica bem mais óbvio nos momentos cômicos, principalmente nas falas de Josh Faraday (Chris Pratt). O personagem de Pratt mostra um certo magnetismo, ele é o “cara legal” do filme, aquele que sempre sai por cima com seus comentários sarcásticos e a malandragem típica de quem já viu e viveu de tudo.

O líder desse grupo de foras-da-lei, Sam Chilson (Denzel Washington) é o personagem mais completo de todos, aliás, tenho a impressão que o roteirista escreveu esse personagem com Denzel em mente, o que seria um grande elogio se eu não tivesse certeza que o ator conseguiria interpretar esse personagem mesmo que estivesse dormindo. O que não significa que Denzel está ruim no filme, ele está ótimo, mas ele sabe muito bem interpretar esse tipo de papel, personagens de fibra e enigmáticos são o que ele faz de melhor. O que faltou da parte dele, e nisso culpo o roteiro, foi aquele algo mais que qualquer diretor minimamente competente, só consegue extrair de grandes atores. É um pouco como ver Meryl Streep no cinema, ela pode até estrelar um filme mediano, mas, por ser uma atriz de alto calibre, ela nunca terá uma péssima atuação para mostrar.

Apesar de Washington ser o grande chamativo da película, Haley Bennett é a figura do grupo que mais impressiona, a atriz, ainda meio que desconhecida do público, já participou de filmes de Terror “B”e comédias românticas em papéis coadjuvantes. Agora, Bennett está fadada ao reconhecimento com seu ótimo trabalho em Sete Homens e Um Destino e, futuramente, em um papel de destaque em A Garota do Trem (2016), ao lado de Emily Blunt. Bennett mostra muita potência e capacidade na pele de Emma Cullen que se torna a força motriz da história.

O filme também marca o reencontro de Ethan Hawke e Denzel Washington, que atuam juntos pela primeira vez desde Dia de Treinamento. O reencontro deixa um pouco a desejar, pois não consigo parar de pensar em o quanto o roteiro foi ingrato com o personagem de Hawke.

Falando em roteiro, pode parecer um exagero criticar tanto Nic Pizzolatto por seu trabalho neste filme, no entanto, por saber do que ele é capaz (vide True Detective) sinto-me confiante em afirmar que, possivelmente, tenha faltado tempo para que Pizzolatto fermentasse mais as ideias.

Apesar de seus defeitos, Sete Homens e Um Destino é bem-sucedido em algumas partes; o que eleva o filme a uma categoria acima do típico Blockbuster americano. Sobre o que deu certo, é impossível não citar a bela trilha sonora de James Horner (Titanic), que já havia colaborado com Fuqua em Southpaw. Horner faleceu, tragicamente, em um acidente de avião ano passado, porém, antes disso, o compositor já havia terminado a base que daria origem para a trilha final do filme, que também teve a colaboração de Simon Franglen (My Heart Will Go On), Tony Hinnigan (Braveheart) e George Doering (Moana). O que temos aqui como resultado é uma obra respeitosa das composições clássicas de Western americanos, como as do compositor Elmer Bernstein.

O que tenho a comentar sobre a direção é que Antoine Fuqua sempre se mostrou um diretor capaz, às vezes um tanto previsível, porém, nunca um profissional que se contenta em entregar algo inacabado ou meia-boca. Aqui, Fuqua mostra entender a essência do filme de Velho Oeste ao utilizar técnicas conhecidas do gênero, como o close up nos olhares dos personagens nos momentos tensos e os vários planos abertos nas cenas de deslocamento do grupo.

Fuqua também tenta algo novo ao dar um tom de filmes de super-herói na desgastada trama. Porém, copiar um outro gênero que – apesar de querido – já está mais do que manjado, não ajuda no quesito originalidade.

Ainda assim, recomendo aos nossos leitores assistirem ao filme a nível de curiosidade; e também porque, apesar de suas falhas, Sete Homens e Um Destino ainda é muito melhor que grande parte dos remakes lançados nos últimos anos.

Sobre o Autor

Roberta Figueiredo
Formada em Comunicação Social, produtora independente de cinema, respira conhecimento e se alimenta de cultura. Ariana, teimosa, gosta de caminhar na praia e fazer maratonas no Netflix. ;-)

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