Rogue One: Uma História de Star Wars – Crítica

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Rebeldia Domesticada

Direção: Gareth Edwards

Elenco: Felicity Jones, Diego Luna, Forest Whitaker, Mads Mikkelsen, Ben Mendelsohn

Roteiro: Tony Gilroy, Chris Weitz

Quando Rogue One foi anunciado, eu fiquei nervoso. Não sou um purista, juro—e também não quero parecer um velho chato que fica gritando exaustivamente que no meu tempo era melhor, ou (o que é ainda pior) um hipster ainda mais chato que fica repetindo por aí que Guerra nas Estrelas, atualmente, está muito modinha (como se Guerra nas Estrelas já tivesse sido, alguma vez, algo além de modinha)—, mas, mesmo assim, admito que fiquei nervoso. Porque eu sou de uma época em que ir ao cinema para assistir a um filme de Guerra nas Estrelas não era uma simples ida ao cinema: era um verdadeiro evento; os fãs esperavam um mínimo de quatro ou cinco anos (ou, às vezes, até mesmo décadas) para formarem filas gigantescas que serpenteavam quarteirões em volta das salas de exibição; todos vestidos com sua melhor fantasia de Jedi ou Sith, empunhando seus sabres de luz em cores verde, azul e vermelha, ou então trajando seus coletes pretos e pistolas laser à la Han Solo ou seus vestidos brancos e cabelos enrolados simetricamente de cada lado da cabeça à la Leia. Era uma verdadeira festa, um dos verdadeiros momentos em que você sentia estar efetivamente fazendo parte da história da cultura pop; imerso completamente no zeitgeist; parte de algo maior.

Mas isso acabou. A estreia de O Despertar da Força ainda conseguiu capturar parte dessa magia—era, afinal, o primeiro capítulo de uma nova trilogia, após doze anos, e tinha todo o misticismo de um território não explorado—, e talvez esse apelo, junto com as enormes qualidades do filme em si, tenham ofuscado, para mim, as suas falhas—que são leves, deve-se dizer, mas que são existentes mesmo assim. Porém, isso faz apenas um ano e a poeira de O Despertar da Força mal abaixou. Rogue One teria, então, uma missão duplamente ingrata: deveria ser um filme verdadeiramente bom, em parte porque não teria o respaldo da excitação do público sedento por algo novo e em parte porque O Despertar da Força foi tão bem recebido. Infelizmente, Rogue One não é um filme verdadeiramente bom.

A protagonista de Rogue One é Jyn Erso (Felicity Jones), a filha de Galen Erso (Mads Mikkelsen), um importante cientista do Império, responsável pelo projeto da Estrela da Morte original, uma imensa arma-base capaz de destruir planetas inteiros. Galen, que sempre foi contra o projeto destrutivo da Estrela da Morte, acabou sequestrado e forçado a trabalhar na arma, mas criou uma falha em seu interior—uma falha tão pequena quanto fatal, imperceptível, mas, ao mesmo tempo, capaz de destruir a Estrela da Morte completamente. Inicialmente, os Rebeldes, a força de resistência contra o Império, não fizeram questão dos planos; seu objetivo é impedir que a Estrela da Morte seja construída em primeiro lugar: eles querem assassinar Galen antes que ele tenha tempo de acabar o projeto e, para isso, usam Jyn. Só que esse plano logo muda e, agindo contra o comando dos Rebeldes—ou seja, de certa forma rebelando-se contra os próprios rebeldes—Jyn e um grupo de mercenários resolve invadir a base Imperial no planeta Scarif e recuperar a planta da Estrela da Morte. Basicamente, Rogue One assenta a fundação para o clímax do Episódio IV, o Guerra nas Estrelas original.

Rogue One é uma história de Guerra nas Estrelas clássica. Possui uma boa dose de ação, emoção, robôs carismáticos, humanos destemidos, alienígenas com aparência levemente anfíbia, mas, independente disso, ainda adoráveis: tudo está lá. A sequência de luta final em Scarif é extremamente empolgante (apesar de ser dez minutos longa demais) e representa Guerra nas Estrelas no que a saga tem de melhor. Rogue One chega prometendo que será uma história sobre a recuperação dos planos da Estrela da Morte original e cumpre exatamente isto. Então qual é o problema? O problema é que Rogue One não se preocupa em ser nada além disso. O problema é que Rogue One está tão entranhado na própria mitologia de Guerra nas Estrelas que ele não se preocupa em ser seu próprio filme. Ele não surpreende, ele não emociona; o espectador não sai do cinema empolgado discutindo cada detalhe do filme—o máximo que Rogue One consegue é remeter o espectador a outros tempos; a momentos melhores da franquia. É um filme puramente nostálgico, uma superfície oca que, ao abrir, contém apenas um bilhete direcionando o espectador para outros filmes. Não é por acaso que Rogue One martela o tempo todo a ideia de que rebeldes vivem de esperança, como se estivesse piscando com o canto do olho para a audiência e falando ‘hey, hey, isso aqui é uma referência ao Episódio IV, sabe?, aquele que se chama Uma Nova ESPERANÇA’.

Eu não me incomodo com uma boa e velha repetição de história; com um abraço completo à mitologia de Guerra nas Estrelas. Foi justamente isso que eu elogiei na minha crítica a O Despertar da Força: Guerra nas Estrelas vive de sua própria mitologia; não há nada de errado em referenciar ela. Mas O Despertar da Força não fazia apenas isso e é justamente aí que reside sua maior (e fundamental) diferença em relação a Rogue One. O Despertar da Força pegou uma ideia batida de Guerra nas Estrelas, mas infundiu ela com coisas novas, mudou ela o suficiente para mostrar algo diferente sem fazê-lo perder a essência do que é a franquia, usou os personagens antigos para um propósito, como um guia para os personagens novos, e surpreendeu com reviravoltas interessantes e promessas de desenvolvimento futuro. Já Rogue One pegou uma ideia batida, repetiu essa ideia ad nauseam, usou os personagens antigos como uma forma de ganhar aplauso de fãs nostálgicos, e, apesar de ter cumprido o que prometera, não foi além, não surpreendeu o espectador com algo inesperado.

A ideia de que Rogue One não é uma obra independente, mas apenas uma forma de propagar a marca de Guerra nas Estrelas—que é, aliás, uma tendência crescente da Disney e de outros estúdios—e ganhar uma tonelada de dinheiro parece permear tanto o filme que todo mundo envolvido parece estar em piloto-automático. Todo mundo, isto é, menos no diretor Gareth Edwards, que parece estar verdadeiramente empenhado em fazer de Rogue One uma experiência marcante e única. Eu não sei, ainda, se o fato de que ele tenta com tanto afinco e falha tão miseravelmente é algo para se admirar ou ter pena. Mas é inegável que toda a força de Rogue One reside nos méritos de seu diretor: Edwards consegue capturar cenas de impressionante beleza. Mas tirando ele, todo o resto da equipe e do elenco parece não se esforçar: Jones está sofrível e Forest Whitaker, que faz o mentor de Jyn, o guerrilheiro aptamente chamado Saw Gerrera, oferece uma atuação tão vergonhosa que é incrível imaginar que ele já possui um Oscar. Isso sem falar do roteiro que lembra, em algumas cenas, os piores momentos de George Lucas na nova trilogia.

Talvez a melhor coisa de Rogue One está no fato de que ele pode ser esquecido rapidamente. Posso até reclamar à vontade sobre como um cronograma anual de estreias tira o poder de Guerra nas Estrelas; que agora não é mais um evento único e aguardado, mas apenas uma experiência como qualquer outra; mas uma coisa boa disso é que o Episódio VIII já está quase chegando e não precisarei ficar com esse gosto amargo de um filme ruim pelos próximos quatro ou cinco anos. Quem viveu em tempos de Episódios I, II e III sabe exatamente como isso é frustrante.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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