Rio de Janeiro e Nova Orleans Dividem o Palco do Cinema: Crítica de Samba & Jazz

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O primeiro pensamento que surge depois de sair da sessão do filme Samba & Jazz é: “Como isso nunca foi pensado ou documentado antes?”.

Que maravilha ver uma ideia simples e sofisticada, mas ao mesmo bem complexa no quesito realização cinematográfica, sair do papel e ganhar vida em fotogramas no cinema.

Conheci o filme em setembro no Festival do Rio 2014 e tive a oportunidade de reve-lo, em outubro, em uma sessão de convidados no Cinépolis Lagoon, mas sempre ao deixar a sala de cinema, tenho a mesma vontade de voltar e repetir essa dose de cinema documental. O filme te conduz emocionalmente de uma forma tão particular que é difícil não se envolver com a história de luta, de vida dos músicos e dos lugares onde eles vivem.

Samba & Jazz, vencedor do Capital City Black Film Festival de 2014, em Austin Texas, é o primeiro longa-metragem de Jefferson Mello. O estreante diretor de cinema é um experiente fotógrafo de moda e de publicidade, autor do livro Os caminhos do Jazz, obra base para a realização do filme, e também foi diretor de filmes publicitários para os clubes Botafogo e Vasco da Gama.

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Em 1996, Jefferson foi para Nova Orleans para um trabalho fotográfico sobre o mundo do jazz, e então conheceu Gregg Stafford que o levou para ver um desfile. Em terras americanas, ele se impressionou com a quantidade de informações visuais e musicais. Ele percebeu a semelhança com o nosso samba e partir daquele momento, nascia a ideia do roteiro.

Em todo filme dirigido autoralmente por um experiente fotógrafo, sempre vemos a marca impressa do estilo e do olhar do profissional. Em Samba & Jazz, o diretor trabalha com uma iluminação padrão nas entrevistas, mas com um sofisticado tom preto e branco que transmite a ideia de fotos antigas. A cor surge apenas em imagens externas e de festas da rua.

As perfeitas semelhanças e proximidades entre as raízes musicais do samba e do jazz, transformam o pulsante Rio de Janeiro na vizinha perfeita de Nova Orleans, cidade tão distante geograficamente.

Mais do que mergulhar no conjunto do filme com os olhos, você precisa aflorar os sentidos da audição e se jogar em um oceano de suingue, de rimas sonoras e de sons apaixonados e apaixonantes emitidos pelos instrumentistas. Um ritmo alucinante que te faz bater os pés no chão do início ao fim enquanto assistimos ao documentário.

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Gregg Stafford, jazzista, e Pretinho da Serrinha, sambista, conduzem o filme ao lado de outros depoentes distintos e distantes, fisicamente, mas ao mesmo tempo, todos tão iguais com a identificação ao amor pela música de raiz. Os “irmãos da negritude” do jazz americano e do samba brasileiro, apesar das diferenças de instrumentos, de cultura e de geografia, são grandes representantes musicais enraizados na África.

Os depoimentos evoluem o campo da musicalidade e nos abrem os olhos de entedimento sobre as razões de suas batalhas diárias pela preservação das tradições do jazz tradicional americano e do samba de raiz do carnaval carioca. Rompendo a barreira de ve-los apenas como artistas, enxergamos seres humanos fortes que lutam pela perpetuação das tradições culturais de seus lugares de origem em meio a tantas dificuldades, desigualdades sociais e por incrível que pareça, o detestável racismo.

O filme conduz o espectador a denominadores comuns que existem entre as duas localidades musicais, tais como: Rio de Janeiro com a tradicional Escola de Samba Império Serrano; o som estridente dos trompetes e trombones da banda Young Men Olympian, Madureira e French Quarter; o exuberante carnaval no Sambódromo do Rio e os índios do Mardi Gras – uma espécie de carnaval regional; gurufim e jazz funeral. É a música no seu estado mais puro de harmonia e encantamento.

Samba & Jazz é uma das maiores revelações cinematográficas do ano! Vale a pena esperar o filme ganhar espaço no circuito comercial, separar a sua pipoca e aproveitar esta joia de documentário.

Vida longa aos sambistas jazzistas! Vida longa a mais uma obra do nosso cinema documental brasileiro!

Sobre o Autor

Ellen Ferreira
Cineasta e Jornalista. Ama se refugiar no cinema, maratonar séries e ouvir trilhas sonoras de filmes enquanto trabalha. Gostaria de ter trocado correspondências de amizade com o genial J.R.R Tolkien e de ter dirigido os filmes da era de ouro de Hollywood. Dedicada a criar, fazer filmes, pesquisar, escrever histórias e desbravar o máximo da cultura mundial.

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