Ressaca Lollapalooza 2015 – Show Review: Foster The People

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Cheguei ao festival por volta de meio-dia e corri o Autódromo inteiro para pegar o melhor lugar possível do palco Skol. Depois de ver Scalene e Molotov, sentei por um momento e, quando uma das meninas ao meu redor encostou levemente em mim, ela pediu desculpa profusamente e sorriu. Eu fiquei chocada, pois quando precisei fazer o mesmo no show do Foo Fighters no Rio, recebi coices nas costas ao invés de desculpas. Eu expressei minha gratidão e mencionei que não sabia que fãs paulistas eram tão unidos e educados. Começamos a conversar e elas declararam estar lá para verem o Foster The People.  Quando eu disse que quem eu mais queria ver era o Interpol, a garota na minha frente fez uma insólita oferta: “Ah, então quando eles entrarem, eu troco de lugar com você”. Quase tive que me beliscar – nunca havia sido tratada com tanta cortesia em nenhum show na minha vida. No meio da apresentação dos nova-iorquinos, a menina na primeira fileira também quis trocar comigo. Assim, foi por gentileza delas que eu consegui ver no melhor lugar possível a banda pela qual ansiosamente esperava há sete anos.

Portanto, quando consegui não uma, mas duas setlists da banda que fui lá para ver, juntamente com duas águas (valiam ouro naquele momento) e um mapa da distribuição dos instrumentos no palco do Foster The People, eu não tinha dúvida de que estaria fazendo justiça ao usar esse último tesouro para presentear as fãs que haviam sido tão incríveis comigo.

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Eu gosto dos singles de Torches (2011) e Supermodel (2014), mas achei que uma banda tão solar quanto a Califórnia de onde vem não iria combinar com a atmosfera soturna que se instalara anteriormente. Apesar de não poder me considerar fã, estava curiosa para ver o que conseguiriam fazer no palco. Por isso, mesmo trocando de lugar com as meninas, escolhi permanecer na frente.

No começo, a performance do Foster, bem como a do Interpol, sofreu com problemas de som, mas ao contrário do que aconteceu com a banda anterior, estes foram rapidamente sanados. Mas as questões técnicas não impediram que os fãs demonstrassem seu carinho pulando o show inteiro e cantando absolutamente todas as músicas. Pelas expressões de surpresa e felicidade dos membros da banda, nem eles estavam esperando uma recepção tão calorosa, especialmente com a chuva que caía. Por outro lado, ficou claro que os fãs vinham esperando por eles o dia todo e a banda não os decepcionou. Na verdade, muito pelo contrário.

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O trio, especialmente o próprio vocalista, cujo sobrenome ele empresta para a banda, se alimentou da energia do público e a devolveu à décima potência. Foster, que tocou piano, guitarra e até mesmo um pouco de bateria, parece ter a experiência de um veterano ao comandar a platéia. Ao usar conscientemente toda a extensão do palco, dançou tanto que chegou a cair, fazendo os fãs segurarem a respiração. Entretanto, a julgar pela vontade de tornar cada música especial, pela habilidade ao lidar com as notas altas e longas e pelo carisma que manteve as mãos do público para o alto o tempo inteiro, essa foi o único momento em baixa do vocalista na apresentação.

 

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Com músicas que tomam outra proporção quando apresentadas ao vivo, uma programação visual interessante no telão (baseada em inspirações psicodélicas com toques de rock e pop, como as próprias canções do grupo) e muita paixão, tanto a banda quanto o público fizeram o show do Foster The People um dos mais divertidos a que já tive o prazer de ir. Tanto que eu, que entrei uma simples admiradora, saí com vontade de ir à próxima apresentação deles por aqui.

 

SETLIST:

1. Pseudologia Fantastica

2. Houdini

3. Helena Beat

4. Best Friend

5. Waste

6. Coming of Age

7. Are You What You Want To Be?

8. A Beginner’s Guide to Destroying The Moon

9. Life on The Nickel

10. Call It What You Want

11. Miss You

12. The Truth

13. Pumped Up Kicks

14. Don’t Stop (Color On The Walls)

Sobre o Autor

Anna Israel
Formada em Comunicação Social – Cinema pela PUC-Rio, tive a sorte de fazer intercâmbios para a UCLA, NYU e Cornell nos EUA, de conhecer alguns dos meus grandes ídolos e de ganhar prêmios com meus trabalhos. Para viver, só preciso de cinema, TV e música. Mas boas horas de sono e chocolate também vêm a calhar.

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