Relembrando Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros

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Histórias, para serem boas, não precisam ser complexas. Começa-se com uma premissa simples: um homem em busca de vingança; uma heroína em busca de redenção; um grupo de crianças em busca de um tesouro. Depois vem o desenvolvimento da premissa; essa é a parte complicada. Como executar esta história?, como construir esse personagem?, que artifícios usar para prender a atenção do espectador, do ouvinte, do leitor? A grandeza de uma história está em como você a conta. Qualquer um pode pensar em uma boa sinopse; poucos conseguem desenvolver uma boa obra.

Felizmente, Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros consegue fazer as duas coisas. A premissa é excelente: um milionário, John Hammond (o saudoso Richard Attenborough), encontra uma forma de clonar dinossauros a partir de material genético conservado durante milhares de anos em âmbar e decide construir um parque para compartilhar suas criações com o mundo. O desenvolvimento da história também é primoroso: um grupo de cientistas, formado pelo paleontólogo Alex Grant (Sam Neill), pela paleobióloga Ellie Sattler (Laura Dern) e pelo matemático Ian Malcolm (Jeff Goldblum), é convocado para visitar o parque e dar o seu aval, após um acidente envolvendo a equipe ameaçar assustar investidores.

As consequências dessa visita são as esperadas: algo dá errado durante a demonstração do parque aos cientistas e eles acabam presos na ilha com um bando de dinossauros – entre eles, um Tiranossauro e um grupo nada amigável de Velociraptors.

Jurassic Park possui todos os ingredientes de um clássico de cinema. Não por acaso, o filme de 1993 ganhou três Oscars – todos técnicos – e gerou duas sequências, uma em 1997 e outra em 2001. E mais: um novo filme, Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros, chegará aos cinemas no dia 11 de junho, revitalizando a franquia adormecida.

O sucesso do filme original não é difícil de explicar: ele foi, afinal, baseado em um adorado livro (O Parque dos Dinossauros, escrito por Michael Crichton, que também escreveu o roteiro do filme) e foi dirigido por um dos maiores diretores de todos os tempos, Steven Spielberg, que, naquela época, já acumulava sucessos como Tubarão, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, E.T. – O Extraterrestre, e a trilogia de Indiana Jones.

Aliás, não seria exagero dizer que Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros se baseia quase que inteiramente na habilidade de Spielberg. O diretor mantém uma mão precisa sobre o filme e sabe exatamente quando é necessário mostrar os dinossauros e quando é necessário escondê-los, infundindo, assim, o filme com a dose exata de tensão. E para ajudá-lo a deixar os níveis de tensão elevados, o diretor conta com o seu fiel escudeiro, John Williams. A trilha clássica de Williams é um dos grandes méritos do filme. Ou será que alguém não consegue ficar emocionado com a trilha quando o grupo entra pela primeira vez no parque e maravilha-se com as enormes criaturas?

Tente não se emocionar. Eu te desafio. 

Obviamente, os efeitos especiais, se comparados aos grandes efeitos vistos em qualquer blockbuster hoje em dia, deixam a desejar. Mesmo assim, tente fazer um exercício de imaginação e pense em como deve ter sido entrar no cinema em 1993 e ver aqueles imensos animais ganharem vida na tela. Deve ter sido uma sensação sem igual, ouvir a respiração do Tiranossauro enquanto ele se aproximava, encantar-se com o canto do Braquiossauro, ou assustar-se quando o Dilofossauro expande-se para atacar, tudo isso dentro da sala escura do cinema.

Tudo em Jurassic Park peca pela grandiosidade. É demasiadamente fantástico, especialmente quando tenta explicar a pseudociência presente no filme. O roteiro de Crichton e de David Koepp não procura fazer muita coisa, deixando o caminho livre para o diretor assumir e construir as sequências como bem entender – fato que Spielberg usa e abusa. Ignorando a falta de acurácia biológica e histórica – perdoável em qualquer filme de ficção –, o roteiro é bem amarrado. O seu grande defeito é a falta de grandes momentos individuais ao longo do filme e a abundancia de diálogos embaraçosos, que acabam soando incrivelmente falsos. O que também não ajuda são as atuações de Neill e Goldblum que, seguindo a linha do roteiro, são extremamente cafajestes.

Nada disso, porém, prejudica o filme. Inclusive, ele ganha mais com esse clima irreal, que quase chega a entrar no território do absurdo. Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros foi feito para crianças, e, como as melhores histórias para crianças, consegue trazer para fora a parte infantil que existe em cada adulto

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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