Quinta da Nostalgia : O Mundo Sem Lauren Bacall

 

O ano de 2014 foi bastante conturbado no cenário artístico. Além da perda precoce do ator Robin Williams, no dia 12 de Agosto de 2014, o mundo também se despediu da deslumbrante Lauren Bacall.

Hoje o “Quinta da Nostalgia” é dedicado a ela e relembra a carreira meteórica desta estrela do cinema mundial, os filmes de sucesso, o casamento com o astro Humphrey Bogart e o legado artístico deixado pela atriz americana.

 

 

Ícone de beleza da era de ouro Hollywood, Lauren faleceu aos 89 anos vítima de um derrame cerebral em sua residência em Nova Iorque. A morte, infelizmente, foi confirmada em uma publicação no Twitter dedicada ao astro Humphrey Bogart.

 

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Com o nome de batismo Betty Joan Perske, a nossa Lauren Bacall nasceu em 1924 no Brooklyn, em Nova Iorque, filha única de uma mãe romena e de um pai americano, descendente de russos, mas todos judeus. Quando Lauren iniciou a carreira artística, devido ao forte anti-semitismo que aterrorizava as terras Hollywoodianas, ela precisou esconder as verdadeiras origens. Depois de alguns anos, ela finalmente revelou a identidade judia e ficou horrorizada ao ouvir que ela “não tinha cara de judia”, como se “ser judeu deixasse uma marca, uma cicatriz”, nas palavras de Lauren indignada. 

Ela estudou na American Academy of Dramatic Arts em Nova York, após terminar os estudos no ensino médio, e em paralelo trabalhava como lanterninha no cinema para pagar os estudos. Na American Academy conheceu e foi namorada do galã Kirk Douglas, com quem também teve a oportunidade de contracenar anos depois no filme “Êxito Fugaz” (1950).

 

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Durante esse período de estudos, ela usava o verdadeiro nome Betty Bacall. Ela fez uma estreia como atriz na Broadway em 1942, na peça Johnny Two By Four. Um ano depois, abandonou os estudos artísticos por falta de dinheiro e começou a carreira como modelo. Ela foi capa da revista Harper’s Bazaar, em 1943 e chamou a atenção de Nancy ‘Slim’ Hawks, esposa do diretor Howard Hawks. 

 

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Lauren Bacall com o diretor Howard Hawks

 

Nancy mostrou a foto ao marido e então, ela foi convidada por ele para um teste em Hollywood. Nascia uma grande artista com a uma grande estreia no cinema no filme Uma Aventura na Martinica (1944).

Hawks não gostava no nome Betty e por isso trocou para “Lauren” e “Bacall”, pois era o nome de solteira da mãe de Betty. Toda a personalidade de Lauren, assim como a personagem do primeiro filme de sua carreira, foi moldada na esposa do diretor, a Nancy ‘Slim’ Hawks. Ela a ensinou a se vestir, a se comportar e também a treinar a dicção vocal, algo que se tornou um símbolo à parte. A voz foi aperfeiçoada, transformada em uma voz rouca e grave e foi considerada uma das mais sexy da história do cinema.

 

 

Como ela ficava bastante nervosa diante das câmeras, o diretor sugeriu que ela inclinasse a cabeça e puxasse o cabelo para um dos lados do rosto. Ela pressionou o queixo contra o peito, e então dirigiu os olhos para cima de modo a poder olhar para a câmera. Esse movimento ao encenar ficou conhecido como The Look e tornou-se marca registrada de Bacall.

 

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Ela conheceu Humphrey Bogart durante as filmagens do filme Uma Aventura na Martinica. O filme levou a jovem de 19 anos a um estrelato instantâneo e a estreia da participação de Bacall foi considerada uma das mais impactantes na história do cinema mundial.

Mas não apenas no campo profissional que Bacall se destacou neste recorte da história de bastidores de Hollywood. Na época da realização do filme, Bogart era casado com Mayo Methot, mas a paixão por Bacall foi fulminante. Os dois astros passaram a se relacionar dentro do set das filmagens e passadas algumas semanas, o caso ficou bem sério e eles passaram a ser vistos fora dos estúdios. O casal teve dois filhos e ficaram casados até 1957, ano de morte de Bogart.

 

 

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A parceria com Bogart continuou em outros filmes, como, “Quando os Destinos se Cruzam” (1945), “À Beira do Abismo”  (1946), “Prisioneiro do Passado”(1947) e “Paixões em Fúria”(1948).

Nos anos 50, a atriz começou a recusar papeis que não achava interessante para se concentrar e se dedicar a criação dos filhos, e por isso ganhou a fama de “artista difícil”. Com algumas exceções, ela aceitou atuar no filme “Como Agarrar um Milionário” (1953). Este foi o primeiro filme gravado no formato CinemaScope (Widescreen) para que o público conseguisse assistir as três deslumbrantes loiras no mesmo quadro e foi um enorme sucesso. Até hoje é considerado um grande clássico cinematográfico.

 

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Bacall, Marylin Monroe e Bogart na noite de estreia de “Como agarrar um Milionário”

 

Aos 20 anos de idade, a jovem Bacall ganhou novamente um grande destaque em manchetes nos jornais de todo o mundo. Ao realizar uma visita ao National Press Club em Washington, no dia 10 de fevereiro de 1945, o assessor de imprensa Charlie Enfield, chefe da publicidade da Warner Brothers, pediu para a atriz se sentar ao piano que no momento era tocado pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Harry Truman. Foi um verdadeiro escândalo esta sessão de fotos para a época conservadora.

 

 

Em 1961, ela se casou novamente, com o ator Jason Robards, com quem ficou casada até 1969 e teve um filho, Sam Robards. Mas, nesse segundo casamento, ela pediu o divórcio. Lauren não suportava mais as bebedeiras do marido astro.

O período que ficou afastada das telas para se dedicar ao teatro, principalmente na Broadway, foi bastante enriquecedor. Ela foi muito produtiva e fez diversas peças de sucesso. Bacall ganhou o Tony de melhor atriz pelo trabalho no musical “Applause”, peça baseada no filme A Malvada (1950), e por “Woman of the Year”, peça musical baseada no filme, A Mulher do Dia (1942).

Lauren em conjunto com outras musas inspiradoras, tais como, Veronica Lake, Julie London e Rita Hayworth, foi uma fonte de inspiração para a criação da personagem Jessica Rabbit, do filme “Uma Cilada para Roger Rabbit” de 1988, por causa da sexy voz.

Em 2009, ela levou um Oscar honorário pelo legado na Era de Ouro de Hollywood. Ela foi nomeada junto com o cineasta Roger Corman e do diretor de fotografia Gordon Willis. Com uma carreira de sucesso de mais de 30 filmes, Lauren Bacall foi indicada ao Oscar somente uma vez por trabalhar no filme “O espelho tem duas faces” (1996), de Barbra Streisand, na categoria de atriz coadjuvante.

Ela recebeu o Oscar da mão de Angelica Huston, filha do cineasta John Huston, com que Bacall trabalhou no filme “Key Largo” de 1948.

 

 

 

Sobre o Autor

Ellen Ferreira
Cineasta e Jornalista. Ama se refugiar no cinema, maratonar séries e ouvir trilhas sonoras de filmes enquanto trabalha. Gostaria de ter trocado correspondências de amizade com o genial J.R.R Tolkien e de ter dirigido os filmes da era de ouro de Hollywood. Dedicada a criar, fazer filmes, pesquisar, escrever histórias e desbravar o máximo da cultura mundial.

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