Quinta da Nostalgia: “Don Juan” e Vitaphone, o Primeiro Sistema Sonoro do Cinema

 

Em Hollywood, no final dos anos de 1920, o cinema mudo tornou-se uma arte bem mais forte e madura. Embora, ainda chamado de silent movie, podemos afirmar que os filmes nunca foram completamente silenciosos, mas sim, todos eram acompanhados por instrumentos como: órgãos; discos de gramofone; músicos; especialistas em efeitos sonoros e até orquestras sinfônicas.

Durante os anos de 1925 e 1926, a indústria cinematográfica americana revolucionou a tecnologia. A Warner Bros. em parceria com pesquisadores do laboratório Bell Telephone criaram o Vitaphone, um processo de curta duração e um sistema revolucionário sincronizado de som e que também era o mesmo nome da companhia subsidiária criada pela Warner Bros e Western Electric.

 

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Vitaphone Projection Booth, ca. 1926. Prints and Photographs Division, Library of Congress.

 

O Vitaphone foi o primeiro método para filmes sonoros bem sucedido comercialmente, pois este processo permitia que o som fosse gravado em um disco fonográfico que era eletronicamente vinculado e sincronizado com o projetor de filme.

Originalmente, a Warner Bros tinha a intenção de usar este sistema para registrar apenas a trilha musical e efeitos sonoros e não com a finalidade de gravar diálogos. Falhas importantes ocorreram com a trilha sonora e a sincronização com o equipamento de projeção, pois era um sistema.

 

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Tom Wilson’s Flickr

 

Don Juan foi o primeiro filme que utilizou o recurso do Vitaphone e foi lançado no dia 06 de Agosto de 1926. O experimento técnico Vitaphone anunciou o fim do cinema mudo e teve um sucesso tão grande que a Warner Bros fez um segundo filme intitulado The Jazz Singer (1927), também dirigido por Crosland, que é considerado o primeiro filme falado.

A estreia de Don Juan em Nova York foi acompanhada por um discurso de boas-vindas de Will H. Hays, presidente da Motion Picture Producers and Distributors of America (MPPDA) e  um notório censor, uma série de outras demonstrações da qualidade técnica avançada da época do uso do Vitaphone e também apresentações da Filarmônica de Nova York e do violinista Jascha Heifitz.

 

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http://libpress.colorado.edu/

 

John Barrymore era o herdeiro de um majestosa dinastia teatral no país. O ator viveu Richard III em 1920, e Hamlet em 1922, nos palcos teatrais e suas interpretações de fogo de Shakespeare foram pareados por sucesso em comédias e dramas como,”The Affairs of Anatole,” “Peter Ibbetson,” e “Redemption”. Barrymore fez muitos e muitos trabalhos, mas somente chegou na tela em Don Juan com todo o prestígio de uma primeira execução teatral ao vivo.

O filme foi sucesso devido a grande parte da criação do roteirista Bess Meredyth, que conseguiu reformular a história e levar para a tela de acordo com a personalidade viril do astro Barrymore. Em todos os aspectos, Don Juan foi uma grande produção com muito prestígio.

O som que acompanhou o filme foi gravado em disco pela Filarmônica de Nova York, e as cenas de ação do filme eram tão fluidos e com o suspense de primeira linha de uma forma que outros filmes não tinham sido feitos antes.

O carismático John Barrymore fez todas as cenas de ação neste pródigo, incluindo o duelo clímax entre Don Juan e Donati sobre a mão da donzela Adriana. Um agente de imprensa da Warner Brothers observou que 191 beijos foram trocados entre Barrymore e suas várias parceiras de cena durante todo o filme.

 

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https://crystalkalyana.files.wordpress.com

 

Romance, ação, música. Todos os elementos chaves que o público queria ver nas telas e tudo mais que os irmãos Warner esperavam. A versão restaurada foi lançada e agora conseguimos também ver todas as seqüências de sons impressos diretamente sobre o filme.

Don Juan é um clássico brilhante e que carrega toda a graça da era de ouro da década de 20 do cinema de Hollywood. Um filme forte que veio para mostrar o poder do uso de um som amplificado e que deixou uma grande marca na história do cinema mundial.

 

 

Sobre o Autor

Ellen Ferreira
Cineasta e Jornalista. Ama se refugiar no cinema, maratonar séries e ouvir trilhas sonoras de filmes enquanto trabalha. Gostaria de ter trocado correspondências de amizade com o genial J.R.R Tolkien e de ter dirigido os filmes da era de ouro de Hollywood. Dedicada a criar, fazer filmes, pesquisar, escrever histórias e desbravar o máximo da cultura mundial.

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