Quarteto Fantástico – Crítica

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Quarteto Fantástico

Direção: Josh Trank

Elenco: Miles Teler, Kate Mara, Michael B. Jordan e Jamie Bell

Nota: 1 de 5 estrelas


Se tivesse que descrever Quarteto Fantástico em uma só palavra, insosso seria a minha escolha.

Na última semana a produção dirigida por Josh Trank vem recebendo críticas, no mínimo, desencorajadoras para uma estreia que tinha esperanças em se tornar uma franquia de super-heróis à la Vingadores e X-Men.

Indo direto ao ponto, os dois maiores problemas desse filme foram com dois fatores que costumam ser o calcanhar de Aquiles em películas desse gênero: o roteiro e a edição. Não que as outras funções não sejam igualmente importantes, mas em geral os produtores sempre acabam investindo, e se preocupando mais, com os atores e a direção, deixando essas outras áreas bem vulneráveis, principalmente o roteiro, que acaba passando de mãos em mãos, consequentemente deixando a história muito truncada.

Em se tratando do roteiro, à princípio achei interessante a escolha de começarem a história na infância de Reed Richards, mas no final conclui que as duas cenas do passado poderiam ter sido encurtadas em favor de um maior desenvolvimento do segundo ato. Apesar de um começo promissor Quarteto Fantástico perdeu o fôlego muito rápido em meio a cenas desnecessárias, que ajudaram muito pouco a entender a motivação dos personagens.

Todos os elementos que tornam o Quarteto Fantástico reconhecível ao público ficaram faltando nesse reboot, ou foram exploradas superficialmente, como a relação entre Reed Richards e Sue Storm e a rivalidade entre Johnny Storm e Ben Grimm. O único relacionamento que os roteiristas se preocuparam em desenvolver, de alguma forma, foi a amizade entre Reed e Ben, mas até nesse ponto sinto dizer que eles erraram feio com diálogos curtos e previsíveis que não fizeram jus ao histórico desses personagens nos quadrinhos.

Quanto a montagem, algo que me incomodou bastante e que, definitivamente,  prejudicou o andar da carruagem, foi o uso constante de time jumps (saltos temporais) que deixaram um vácuo enorme nas jornadas desses personagens, tornando a narrativa ainda mais fragmentada. O exemplo mais gritante foi visto logo após os quatro terem adquirido seus poderes, grande parte da graça da história do Quarteto é ver como eles se adaptam ao mundo ao seu redor com essas novas habilidades, mas para os realizadores desse reboot essa evolução foi considerada descartável e isso acabou se mostrando uma péssima decisão considerando o resultado final.

 

Imagem: Vulture.com

Imagem: Vulture.com

 

Gastaram todo os milhões nos efeitos visuais e compraram uma peruca de 10 dólares para a Kate Mara usar nos reshoots.

 

A história é tão frustrante que nem os atores conseguiram redimir o filme, aliás, acredito piamente que no meio das gravações todas ali já deveriam saber que esse filme seria um desastre. É  única explicação para as atuações sem vida de Miles Teller e Kate Mara, dois atores que já mostraram serem muito capazes, mas que aqui preferiram tirar uma soneca de olhos abertos.

Tendo em vista as últimas notícias sobre o comportamento de Josh Trank no set de filmagens, e de como a relação entre o diretor e a Fox foi problemática, fica difícil apontar o dedo para um só culpado, como diz minha mãe, filho feio não tem pai, então acho difícil alguém admitir uma parcela de culpa. Portanto, sendo completamente diplomática peço com todas as minhas forças que tanto Josh Trank quanto a Fox nunca mais tentem adaptar o Quarteto Fantástico.

Para quem não sabe, ou não se lembra, essa é a terceira tentativa do estúdio em transformar o Quarteto Fantástico em uma franquia de sucesso. E depois de assistir a essa última investida o meu único conselho a Fox é: devolva os direitos à Marvel – ou, pelo menos, faça como a Sony, que entrou em um acordo com a “rival” para a produção em conjunto de mais filmes sobre o Homem-Aranha, seu mais rentável e popular personagem. É aquela velha história, se não pode derrotá-los, junte-se a eles. 😉

 

Sobre o Autor

Roberta Figueiredo
Formada em Comunicação Social, produtora independente de cinema, respira conhecimento e se alimenta de cultura. Ariana, teimosa, gosta de caminhar na praia e fazer maratonas no Netflix. ;-)

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