O Olhar de Um Psicopata – Crítica de O Abutre

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Crítica de O Abutre

 

O sonho de qualquer ator é encontrar um personagem que inspire no público uma mistura de repúdio e fascinação. Esses dois substantivos descrevem perfeitamente meus sentimentos sobre o protagonista de O Abutre, Lou Bloom, interpretado magnificamente por Jake Gyllenhaal. A história de Lou Bloom pode ser considerada uma versão macabra do Sonho Americano. Apesar de possuir as qualidades ideais para prosperar e alcançar seus objetivos – uma boa retórica, não ter medo de enfrentar as adversidades – ele também é um homem que parece não ser capaz de empatia ou se importar com conceitos morais.

 

Jake Gyllenhaal foi a escolha perfeita para o papel, quando soube que ele perdeu peso para o filme fiquei muito interessada em saber a razão, pois superficialmente não haveria motivo para isso, mas ao ler a justificativa do ator concordei completamente com sua afirmação. Para Jake, a magreza daria a ideia de que Lou estaria sempre com fome, e essa razão se encaixa perfeitamente no que é apresentado em O Abutre. Aliás, que nome perfeito para o filme, pois isso é exatamente o que ele é, um abutre pairando sob todos que o cercam, esperando o momento certo para atacar e conseguir o que ele quer, seja dinheiro, um objeto de desejo, ou sexo. Para Bloom tudo pode ser visto na perspectiva de um negócio.

 

Por essa razão, ele não exita em aproveitar a oportunidade de dinheiro e sucesso que a venda de filmagens de acidentes e confrontos fatais oferece. Ao entrar nesse meio, Lou conhece uma produtora de TV (Rene Russo) e um outro cameraman (Bill Paxton), dois veteranos em suas carreiras que eventualmente se tornam vítimas da ambição de Lou Bloom. Nem seu assistente, com quem Lou tenta forçar uma relação de mentor e aluno, escapa dos planos sinistros do chefe. É discutível, mas acredito que seu destino é o pior de todos os personagens.

 

Aliás, a impressão que temos no filme é a que o mundo é um banquete para alimentar as ambiçōes do protagonista; seus olhos esbugalhados, que quase nunca piscam, não parecem perder nada que acontece a sua volta, e tudo se torna uma oportunidade para ganhar dinheiro e alcançar seu ideal de sucesso.

 

Mas, apesar de todas essas nuances do personagem, o elemento mais interessante do filme é a auto-análise que a história desperta no espectador. Será que nós, como “platéia”, não estimulamos o sensacionalismo dos canais televisivos, que fazem de tudo em nome da audiência? Se não prestássemos tanta atenção em tragédias – procurando sempre a imagem mais grotesca, talvez, pessoas como Lou Bloom não se aproveitassem da dor alheia em busca de dinheiro e poder. Essa reflexão faz com o que filme, mesmo após o seu fim, continue na mente das pessoas.

Trailer

 

Sobre o Autor

Roberta Figueiredo
Formada em Comunicação Social, produtora independente de cinema, respira conhecimento e se alimenta de cultura. Ariana, teimosa, gosta de caminhar na praia e fazer maratonas no Netflix. ;-)

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