Star Wars: O Despertar da Força – Crítica

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Direção: J.J. Abrams

Elenco: Daisy Ridley, John Boyega, Adam Driver, Harrison Ford, Mark Hamill, Carrie Fisher

Roteiro: Lawrence Kasdan, J.J. Abrams, Michael Arndt


Nota: 4,5 de 5 estrelas


Mitos são imortais: histórias são esquecidas, heróis são perdidos, homens e mulheres desaparecem com o tempo, mas os mitos permanecem. Os mitos nos engradecem; eles nos permitem aspirarmos a mais do que nossas simples questões mundanas. Os mitos sintetizam os desejos de uma sociedade, as paixões de uma civilização, os anseios de um povo, os sonhos de um homem; são as histórias que sempre repetimos, justamente por serem, ao mesmo tempo, histórias simples e mais do que apenas isso: são apelos e são marcas, são sulcos deixados no inconsciente coletivo, são faróis de intensa grandiosidade e constelações de eterno brilho.

E existem poucas maneiras melhores de se começar um bom mito do que com ‘Há muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante’. Essas palavras—o nosso ‘Era uma vez’ moderno—aparecem pela sétima vez em Star Wars: O Despertar da Força. Aos fãs, aviso que podem ler adiante com tranquilidade: o texto a seguir não contém spoilers significativos. Obviamente, em um filme tão envolto em sigilo quanto foi O Despertar da Força, qualquer detalhe mínimo da trama já poderia ser considerado um spoiler em potencial. Então fiquem avisados que certos detalhes da trama serão mencionados, mas nada que, a meu ver, estrague o aproveitamento final do filme.

Pois Star Wars precisa ser, antes de tudo, aproveitado pela sua capacidade de divertir, pois é isso que ele proporciona de melhor. Os episódios de ambas as trilogias não são filmes intelectuais, não são filmes inovadores, não são nem filmes particularmente revolucionários. O grande segredo da franquia—o motivo do sucesso do filme original dirigido por George Lucas e a razão por ele ter se tornado um divisor de águas no cinema—é a sua incrível capacidade de contar bem uma história comum. Em termos estruturais, tudo em Guerra nas Estrelas—o título em português se refere ao filme original, enquanto o título em inglês, preferido atualmente na promoção do filme, será referente à franquia—é genérico: é a história batida da jornada do herói, órfão, encontrando um mentor mais velho e misterioso, resgatando uma princesa em apuros e derrotando um grande e temível mal. O que Lucas conseguiu fazer de bom foi criar em torno de Star Wars toda uma mitologia. E nesse ponto, o fato de Guerra nas Estrelas ser tão lugar-comum ajudou a fazê-lo se destacar; Lucas, munido com toda a força criativa que só alguém que sabe o que está fazendo tem—força essa que, infelizmente, estaria ausente nos filmes da trilogia mais recente—, conseguiu usar todos os truques de seu pequeno livrinho de clichês para construir algo único.

Com as mesmas armas, J.J. Abrams chega tentando injetar um novo espírito em Star Wars, após o fiasco criativo que foram os episódios I, II e III. Para a tarefa de revitalizar a franquia, não há pessoa melhor do que Abrams, que já havia feito um trabalho semelhante—e com muito sucesso—em outro gigante do gênero: Star Trek. Abrams conseguiu entender exatamente o que Star Wars precisava, coisa que Lucas não percebeu quando fazia A Ameaça Fantasma: para ser um bom filme, O Despertar da Força deveria ser igual a Guerra nas Estrelas. Exatamente igual.

E foi o que ele fez. O Despertar da Força é praticamente um espelho perfeito do filme original—e, de certo modo, da trilogia original inteira. Assim como um jovem Luke Skywalker (Mark Hamill), Rey (Daisy Ridley) é uma órfã em um planeta desértico buscando respostas sobre o seu passado. Ela acaba esbarrando em um robô fofinho e obstinado, carregando uma informação preciosa, desejada por dois lados de um conflito violento. Rey ajuda o droid a fugir e, juntamente com Finn (John Boyega), um Stormtrooper programado para obedecer, mas que acabou desenvolvendo uma consciência e revoltando-se contra seus comandantes, eles partem em uma missão para entregar a informação em mãos corretas antes que seja tarde demais.

O grande mérito de Abrams na direção de O Despertar da Força está em como ele consegue anular tão fortemente qualquer tipo de marca autoral no filme. Aprendendo com Lucas em seu auge, Abrams percebe que a beleza de Star Wars não está em sua complexidade e grandiosidade; ela está em sua simplicidade, em sua característica quase prosaica.

Muitas pessoas poderão criticar O Despertar da Força por ser parecido demais com Guerra nas Estrelas, sem originalidade. Eu geralmente critico quando alguns filmes—especialmente alguns recentes—se sustentam unicamente em despertar no espectador uma sensação de nostalgia. O trunfo de O Despertar da Força é que ele usa esse sentimento nostálgico, mas vai além: ele acrescenta coisas à mitologia. O filme se preocupa em prestar suas devidas homenagens à trilogia original, reconhecendo-a e respeitando-a, mas não se prende somente a isso: ele apresenta características tão únicas, tão próprias dele mesmo, que ele consegue se sustentar inteiramente sozinho, sem precisar se escorar no sucesso do passado. O Despertar da Força é um filme inteiramente da sua geração. Ele não poderia ter sido feito há trinta e oito anos, quando o primeiro foi lançado. Ele não poderia ter sido feito nem há dezesseis anos, quando saía A Ameaça Fantasma.

E é esse traço essencialmente temporal dele que o faz ser um filme imortal. A escolha acertadíssima do elenco representa, talvez mais do que qualquer outra coisa, a importância de O Despertar da Força. Pois em mitos, é sabido que o herói não deveria ter uma face; o protagonista deve ter uma aparência relativamente comum, para facilitar a identificação do espectador/leitor/ouvinte com a história. E é extremamente relevante que os heróis de mil faces em O Despertar da Força sejam, justamente, um homem negro e uma mulher. Ecos de uma galáxia não-tão-distante.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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