Negação – Crítica

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História em Julgamento

Negação – Divulgação

Direção: Mick Jackson

Elenco: Rachel Weisz, Tom Wilkinson, Timothy Spall, Andrew Scott

Roteiro: David Hare

Como podemos provar a história? Claro, existem documentos; mas documentos são escritos por pessoas, e pessoas estão sempre sujeitas a erros e tendências. E até mesmo quando um documento é confiável e imparcial, diferentes historiadores poderão interpretar ele de diferentes maneiras. Então, como provamos a história? Certamente, levá-la ao tribunal deve ser a pior maneira possível.

Mas é justamente dessa maneira que Negação resolve comprovar um fato histórico que, para a grande maioria, é uma verdade incontestável: que o Holocausto aconteceu—quero dizer, para a grande maioria talvez, mas não, aparentemente, para David Irving (Timothy Spall). Para Irving, não há nenhuma prova concreta de que Hitler ordenou o extermínio sistemático de milhões de judeus—até mesmo esse número, diz ele, é extremamente exagerado; inflado por grupos que têm interesses em perpetuar sua pose de vítima. Deborah Lipstadt (Rachel Weisz), como qualquer pessoa em sã consciência, acha as teorias de Irving não só largamente equivocadas, como também propositalmente maliciosas—para ela, Irving não passa de um antissemita, um racista e um historiador inescrupuloso distorcendo fatos para se enquadrarem em sua visão de mundo. Ela tem um grande ponto, obviamente, mas Irving parece não concordar com ele; e ele está disposto a processar Lipstadt por suas insinuações difamatórias. Sem querer entrar em um acordo, Lipstadt resolve ir a julgamento contra Irving e, munida de dois advogados (Tom Wilkinson e Andrew Scott) precisará provar algo que deveria ser óbvio para qualquer um.

A premissa de Negação, baseada no livro de Lipstadt que, por sua vez, é baseado no caso real enfrentado pela escritora, é interessante e poderia render um bom filme. Infelizmente, não é o que acontece. Não que Negação seja um filme incrivelmente ruim, mas, nas mãos do diretor Mick Jackson, ele se torna enfadonhamente medíocre. Jackson é um diretor sem um grande apelo criativo e original; sob seu comando, Negação se desenrola de maneira protocolar, sem grandes momentos e grandes reflexões: todos os possíveis questionamentos levantados pelo filme são tratados de maneira simplificada, com os personagens explicando para o público palavra-por-palavra os temas que o diretor e o roteirista estavam querendo passar. Isso dá a Negação um aspecto demasiadamente prosaico e destituído de grandeza: a grandiosidade do cinema é substituída pela mundanidade de um especial para a TV.

Como roteirista, David Hare se sai um pouco melhor do que Jackson. Hare é um dramaturgo de primeira e Negação possui diversas características de seus melhores textos: a naturalidade dos diálogos mal existe, mas ela é substituída por um estilo fluido—Hare não se importa em escrever como as pessoas falam, mas sim em criar uma troca de diálogos harmoniosa. Isso pode fazer o texto de Hare parecer, às vezes, forçado; mas ele é sempre belo. O problema é que o que funciona bem no teatro nem sempre funciona bem no cinema. Negação acaba tendo um aspecto teatral—aspecto que, inclusive, parece ter sido abraçado em cheio por Weisz. A atriz, que geralmente é ótima, parece estar atuando cheia de marcações de cena e tiques de performance—suas caras e bocas são exageradas, sem o mínimo de sutileza; próprios para uma grande dama dos palcos, mas não para alguém que atua com uma câmera na frente. Wilkinson está bem no filme, fazendo seu trabalho de maneira segura, apesar de não muito inspirada, mas é Spall, um ator que se especializou em ser desprezível, quem verdadeiramente rouba a cena.

Não que roubar a cena seja muito difícil: Negação não tem grandes momentos. A sensação de potencial desperdiçado é grande ao final da sessão—fico imaginando o que o filme poderia ter sido com um diretor mais capaz. Infelizmente, com Jackson, Negação está destinado a ser mais um filme esquecido; nem todos conseguem seu lugar na história.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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