Mad Max: Estrada da Fúria – Crítica

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furyroad

Imaginem a cena: um deserto árido; ao redor, nada além de areia e pó; vegetação inexistente, o verde não aparece neste lugar; azul, somente o céu, e mesmo este é quase branco na presença de um sol forte que parece estar a todas as horas no zênite. Ao longe é possível ver uma longa parede de poeira no horizonte. O que é aquilo? Que fenômeno estranho é aquele? Explicamos: é um veículo, um carro ou uma moto, que passa por aquela paisagem levantando a poeira assentada, colorindo aquela terra indistinta com ainda mais marrom.

Agora, imaginem: no meio daquele cenário acrômato surge uma cor ao longe. Ela parece se aproximar, já é possível diferenciar sua forma. Uma figura vermelha destacando-se no meio da inexpressão. E essa figura carrega algo: ela carrega uma guitarra irada. E a guitarra está soltando labaredas de fogo.

Assim é Mad Max: Estrada da Fúria, um filme fantástico que se destaca no meio de um deserto de blockbusters indistintos.

Quem já é fã da série – este que vos escreve, por exemplo – não ficará decepcionado. Aqueles que não a conheciam anteriormente estarão, com Estrada da Fúria, muito bem-apresentados.

O filme começa com o personagem-título (Tom Hardy) sendo capturado – juntamente com sua querida máquina, o V8 Interceptor – pelos capangas de Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne, o Toecutter do filme original!), o vilão da vez, um imperador que controla seu povo através da disponibilidade de água. Neste futuro apocalíptico, o precioso líquido está escasso e Joe detém o controle de uma das grandes fontes de água do planeta. Seguido por um exército de alucinados que obedecem a cada comando seu – e morreriam felizmente pela oportunidade de servirem a seu mestre e entrarem em Valhala –, Joe ainda mantém um harém de mulheres para serví-lo e gerar uma penca de filhos – todos homens, de preferência.

Pois essas mulheres-servas não estão muito felizes com como as coisas andam: elas cansaram de servirem apenas como objetos para Immortan Joe e planejam uma fuga. Guiadas pela Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), elas sonham com uma terra onde finalmente poderão ser livres da opressão e donas de seu próprio caminho. Na jornada que elas fazem, Max ajudará elas a despistarem o exército de Immortan Joe que, obviamente, não está muito feliz com a fuga de suas concubinas.

A melhor coisa sobre Mad Max: Estrada da Fúria está em como o filme constrói o universo em que ele é ambientado: ele não busca explicar minúcias; ele não perde tempo desenvolvendo cada pequeno detalhe sobre a política desse mundo apocalíptico. Ele se foca nos personagens e na aventura deles e isso prova-se como suficiente para prender completamente a atenção do espectador e mantê-lo interessado em todos os momentos do filme.

Max é um personagem taciturno; ele fala pouco e, quando fala, não é dado a grandes discursos. Na verdade, apesar do título do filme, é possível argumentar que o protagonista não é Max: esse cargo pertence à Imperatriz Furiosa, uma mulher determinada e corajosa. É a sua força de vontade que guia o filme; é o seu crescimento e a sua missão que acompanhamos. Max serve de escada para a história; ele está lá para ajudá-la a se desenvolver, não para assumir o centro dela.

Essa inversão é um dos grande pontos positivos do roteiro de George Miller, o diretor de todos os outros filmes da série. Miller percebe todas as sutilezas que fazem um grande filme de ação e utiliza elas ao máximo de sua capacidade. Ele não pega leve na ação, recheando seu filme com bastante perseguições e explosões. Mas isso não o impede de criar personagens genuinamente interessantes, capazes de gerar empatia no espectador, mesmo com poucas palavras.

A verdade é que Miller – e os atores, que estão todos, sem exceção, ótimos – parece ter feito o filme com o coração. Ele não se preocupa com o ridículo; isso faz parte do seu universo. O ridículo está tão bem inserido em contexto que não chega a destoar, não chega a parecer forçado. Diferentemente de outros filmes (não citarei títulos) que estão desesperados em parecerem legais ou descolados, Mad Max: Estrada da Fúria não deseja ser nada além do que é. O meu grande problema com blockbusters modernos é que eles tentam demais; eles estão tão desesperados em atrair o público ou agradar os fãs que eles assumem uma aparência falsa. Ficam parecendo um garoto popular que descobriu que a cultura nerd está na moda e se força a gostar de quadrinhos.

Mad Max não é assim; ele é o próprio epítome de tudo que o nerd verdadeiro representa: um jovem com gostos estranhos, obcecado com informação e totalmente alheio à opinião dos outros. E, justamente por não se preocupar em agradar, Estrada da Fúria agrada. É com enorme alegria que vejo a volta dessa franquia – diferentemente de tantas outras franquias que estão voltando por aí. Que ela continue por bastante tempo!

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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