Inferno – Crítica

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Dantesco

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Direção: Ron Howard

Elenco: Tom Hanks, Felicity Jones, Ben Foster, Sidse Babett Knudsen, Omar Sy

Roteiro: David Koepp

Atenção! A crítica a seguir contem SPOILERS, então siga por sua própria conta e risco. 

“O Inferno de Dante não é ficção; é uma profecia,” sentencia o grande vilão no meio de Inferno, o mais novo filme baseado nas obras do escritor americano Dan Brown. Bem, eu posso estar meio enferrujado nos clássicos, mas realmente não me lembro da obra de Dante mencionar um vírus que acabaria com metade da população humana. Mas talvez Zobrist (Ben Foster) estivesse falando de uma profecia no sentido mais metafórico e não tão literal. Mesmo assim, não fica muito claro o que ele quer dizer: os pecadores serão punidos?; os ciclos irão se repetir?; a associação entre o Inferno de Dante e o mundo imaginado por Zobrist parece ser leve, para dizer o mínimo. A frase de efeito é legal e promete algo interessante—ela é tão legal e tão interessante que foi até colocada no trailer—, mas, no fundo, ela não tem nenhum significado real. Inferno é um pouco assim: um filme vazio e sem sentido.

Confesso que tive dificuldade de compreender Inferno. Não que o filme seja deveras complicado e a trama seja complexa demais para entender. Inclusive, o contrário é verdade: Brown coloca seu protagonista, Robert Langdon (Tom Hanks) como um grande estudioso de história oculta e simbologia, cheio de informações secretas e misteriosas, e que impressiona a todos com sua sabedoria dos rodapés da história; mas quase todo o escopo do conhecimento de Langdon se resume a algo que qualquer desocupado conseguiria descobrir após cinco minutos navegando na Wikipédia. É sério que eu deveria ficar impressionado quando Langdon diz que a palavra quarentena vem de quaranta, do italiano? E mesmo essa parte de mistérios parece atenuada em Inferno; o filme tem menos enigmas pseudo-obscuros que seus predecessores, O Código Da Vinci e Anjos e Demônios. Mas, tal como esses outros dois filmes, o que não falta em Inferno é o tradicional plot twist browniano: uma pessoa em que Langdon confiava e estava o ajudando em sua missão acaba o traindo e revela-se trabalhando para o inimigo.

Em Inferno, a amiga-traidora de Langdon é Sienna (Felicity Jones), uma médica superinteligente que era apaixonada pelo vilãozão do filme e faria de tudo para garantir que seu sonho de matar metade da população se tornasse realidade. Sienna aparentemente usa Langdon para seguir as pistas deixadas pelo seu amante e descobrir onde está o vírus—e foi justamente essa parte do plano de Sienna que me deixou meio confuso e causou minha inabilidade de compreender Inferno: pelo que entendi, o vírus seria espalhado naturalmente à meia-noite e Sienna só estava querendo antecipar a explosão para impedir, assim, que alguém (o próprio Langdon, por exemplo) a impedisse. Mas se esse fosse o caso, não seria mais simples para Sienna matar Langdon? Assim ninguém saberia como encontrar o vírus. Ela poderia simplesmente dar um tiro em Langdon, ir para casa assistir a televisão e esperar pacientemente a praga e o caos se espalharem pelo mundo, certo? Mas, vamos assumir que Sienna precisasse encontrar o vírus: então, por que ela resolve abandonar o professor e revelar sua verdadeira afiliação em Veneza? Por que abandonar Langdon quando ele ainda tinha tempo de impedí-la? Por que não levá-lo até Istambul e se livrar dele lá, onde ele não teria o amparo de seus aliados? Os enormes furos no plano de Sienna me fazem questionar sua suposta superinteligência—coisa que o roteiro (e Brown, provavelmente) faz questão de reiterar, mas fica aquém de mostrar.

Isso não é surpreendente: Brown se tornou um mestre em parecer inteligente explicando os mistérios que ele sabe como explicar e ignorando aqueles que ele não sabe. Outra marca clássica de Brown: Langdon precisa estar acompanhado de uma mulher bonita, (e pretensamente inteligente, apesar de não fazer nada para provar isso) que fica constantemente admirada com seus grandes conhecimentos. Brown segue isso à risca: em Inferno, quando a primeira Langdon Girl o trai, logo vem uma outra (a excelente Sidse Babett Knudsen) para a substituir. A necessidade de ter uma mulher como parceira é tão específica que o espectador mal vê quando Langdon resolve quase todo o caso acompanhado de um homem—no caso, Ignazio, (Cesare Cremonini) que simplesmente desaparece do filme sem deixar rastros. (e eu admito que fiquei curioso para saber por que Ignazio, no meio de uma investigação que irá determinar a sobrevivência de metade da população mundial, resolve deixar tudo para lá e ir cuidar de outras coisas)

Inferno é tão formulaico e cansativo que você passa uma metade do filme adivinhando todas as reviravoltas e a outra metade se perguntando como Hanks e Ron Howard concordaram em fazer um terceiro filme—pelo menos o cabelo de Hanks está melhor em Inferno, o que é, em si, um grande ponto positivo. Se você é fã do estilo de Brown, talvez acabe gostando do filme, já que ele possui todos—todos!—os elementos do autor. Mas se você não for, eu recomendo ficar longe.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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