Especial Festival do Rio: Crítica de Kumiko, a Caçadora de Tesouros

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Kumiko, a Caçadora de Tesouros

 

O velho capitão Ahab sentiria orgulho e admiração pela determinação e pelo foco da jovem Kumiko (Rinko Kikuchi), protagonista de Kumiko, a Caçadora de Tesouros. Pois tal qual o monomaníaco lobo-do-mar que, a cada nova embarcação encontrada em sua viagem pelo mundo, repete a mesma pergunta – viste a baleia branca? –, a japonesa é categórica: como chego a Fargo? Em Fargo ela cumprirá seu grande destino; em Fargo ela matará sua Moby Dick.

O filme, escrito pelos irmãos Nathan e David Zellner e dirigido por este último, é de extrema beleza e rara sensibilidade. Kumiko, moradora de Tóquio e, aparentemente, a única pessoa que não penteia o cabelo no Japão inteiro, encontra-se presa em uma vida sem sentido: ela possui um emprego medíocre, nenhuma perspectiva amorosa e uma mãe controladora. Ela passa a maior parte de seu tempo livre trancada em casa na companhia de seu coelho de estimação e cultivando o seu único passatempo: caçar tesouros. Durante uma das suas caçadas, ela encontra uma fita de VHS do filme Fargo, uma obra-prima dos irmãos Coen. Imediatamente, Kumiko fica obcecada com o filme, especialmente com a mala de dinheiro que é escondida no meio dele – o tesouro supremo para uma jovem caçadora. Acreditando ser tudo uma história real, ela passa as semanas seguintes estudando cada detalhe do filme, preparando-se para o que promete ser a concretização de seu grande destino.

Kumiko, a Caçadora de Tesouros prima, especialmente, por seu roteiro e sua construção de personagens. No melhor estilo Coen, cada um dos coadjuvantes que a protagonista encontra durante a sua caçada parece ter sua própria história para contar. Começando com a sua antiga amiga e seu chefe em Tóquio e passando para a velhinha com a casa cheia de livros, o taxista surdo e o policial em Minnesota, todos possuem o ar de vidas que se desenrolam alheias aos acontecimentos do filme. No leme, conduzindo o barco da narrativa, Kumiko passa por essas histórias pegando um pouco de cada uma, mas mantendo-se firme em seu propósito. É enorme o mérito de Kikuchi, que consegue deixar a personagem crível mesmo em seus maiores momentos de loucura.

O final do filme, belíssimo em sua execução, consegue deixar o espectador satisfeito com a resolução, mas, ainda assim, desejoso de mais; desejoso de continuar naquele universo, com aqueles personagens, de ouvir o que eles têm a dizer. No final das contas, não importa que Kumiko ache o tesouro que tanto procura. Encontrando-o, conseguiria fazer sua vida fazer sentido? Para essa jovem monomaníaca, o propósito está na caçada. E foi uma caçada espetacular.

Kumiko, a Caçadora de Tesouros está atualmente sendo exibido no Festival do Rio. Não há previsão para o seu lançamento em circuito comercial.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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