Elton John Faz Show Protocolar, Mas Emociona no Rock in Rio

 

Fernando Maia/UOL

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É desnecessário discorrer sobre Elton John. O sucesso de sua carreira, que compreende mais de cinquenta anos e dezenas de hits, fala por si só. Durante os anos, John já ganhou um Oscar, um Tony, diversos Grammys—o que o coloca a uma vitória de Emmy da cobiçada posição de ganhador EGOT—, além de vender mais de 300 milhões de discos no mundo e ser nomeado Sir pela coroa britânica. Com todas essas credenciais, espera-se nada menos que um show fantástico e John, felizmente, não decepcionou.

O músico estava claramente mais confortável desta vez do que em 2011, quando dividiu o palco com Rihanna e Katy Perry. Flanqueado entre o cantor soul Seal e seu amigo e conterrâneo Rod Stewart, John estava em sua zona de conforto, tocando para um público mais velho e menos histérico. O resultado foi melhor do que na última visita do músico ao Rock in Rio: apoiado pelo público, John soltou-se em clássicos como Goodbye Yellow Brick Road, Rocket Man e Skyline Pigeon.

Abrindo o show com a tradicional The Bitch Is Back e emendando logo com a divertida Bennie And The Jets, John divertiu-se subindo no piano e acenando enlouquecidamente para a plateia. O compositor sempre se destacou por seu gosto pelo kitsch—que é apenas uma forma bonitinha de dizer brega—e ele não se preocupou em mostrar isso durante o show: para começar, ele entrou vestindo um terno azul com brilhantes e a palavra Fantastic escrita em vermelho nas costas; além disso, as imagens projetadas no telão às vezes lembravam um plano de fundo do Windows 95 e às vezes lembravam uma apresentação escolar feita em PowerPoint. Nada que prejudicasse o show; muito pelo contrário, inclusive.

Os melhores momentos do show foram quando John mostrava toda a sua força como pianista. Sem sair do piano, o cantor mostrou sua habilidade plenamente em uma versão estendida da música Levon e na abertura estendida de Rocket Man. O maior triunfo de John foi não perder o público em nenhum momento, mantendo a atenção de todos mesmo nos momentos mais introspectivos do show, como nas baladas Sorry Seems To Be The Hardest Word e Don’t Let The Sun Go Down On Me. Para encerrar, John escolheu a ótima e divertida Saturday Night’s Alright For Fighting, antes de sair do palco. Nesse momento, a tensão foi imensa: será que John repetiria o que fez em 2011, quando saiu sem apresentar seu primeiro e maior sucesso? Mas não, não precisam se preocupar, Elton John pareceu dizer imediatamente. Ele logo voltou ao piano e entoou uma belíssima versão de Your Song acompanhado de todo o público.

O maior problema do show foi a impressão protocolar dele. John cantou seus sucessos e animou o público, mas faltaram algumas surpresas. O setlist parecia já pré-determinado e padrão e o cantor não acrescentou nenhum tempero especial a ele. Eu defendo veemente a ideia de que shows de festivais precisam ser recheados de sucessos e de músicas facilmente reconhecíveis do repertório dos artistas. Afinal, nem todos que estão lá são fãs assíduos de John e conhecem sua discografia completa e, portanto, um show com músicas pouco conhecidas—como canções mais recentes, por exemplo—pode se tornar enfadonho. Tocar em um festival é completamente diferentes de fazer um show de divulgação de álbum ou exclusivamente para fãs e o artista precisa manter isso sempre em mente. Mesmo assim, colocar uma surpresa eventualmente—algo especialmente para os fãs de carteirinha—é algo bom e recomendável e sinto que isso faltou no show.

É claro que, para um artista como Elton John, seria impossível encaixar todos os sucessos em apenas uma hora e meia de show, portanto canções como Daniel, Can You Feel The Love Tonight, Crocodile Rock, Sacrifice e Don’t Go Breaking My Heart, além das já referidas canções mais recentes, ficaram de fora. No final, quando John virou as costas para sair do palco, a palavra Fantastic ficou em evidência. Nada mais justo.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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