Doutor Estranho – Crítica

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O Doutor Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um bem-sucedido e arrogante neurocirurgião americano. Ele escolhe casos que possam trazer prestígio a sua carreira, sem se importar muito com o fundamento primordial da medicina de salvar vidas. Quando sofre um acidente de carro, que deixa sequelas graves em suas mãos, Strange parte ao Oriente em busca de um milagre. Lá encontra uma mentora de práticas místicas que podem trazer-lhe a cura, mas acompanhada de poderes inimagináveis, e da responsabilidade de salvar o mundo. Strange é então forçado a escolher entre voltar para sua vida antiga ou defender a humanidade contra forças malignas.

O enredo de Doutor Estranho é uma versão bem básica da Jornada do Herói. A estrutura apontada por Joseph Campbell em seus estudos sobre as narrativas heroicas, assim como qualquer outro filme que retrate a origem de um personagem dos quadrinhos, traz as exatas mesmas características: A introdução do mundo comum, a chamada a aventura, a recusa, o encontro com o mentor etc. Não há nada de novo ou surpreendente nesse quesito, mas a conhecida história é contada de forma eficiente e dinâmica, trunfo próprio do Cinema Americano. A criatividade que falta em termos de estrutura narrativa é compensada pelos riquíssimos e inovadores efeitos visuais. Sem deixar o lugar comum de explosões e demolições para trás, o departamento de arte se dispõe a arriscar, ao menos, nas sequências de projeção astral. Estas são viagens surrealistas de visual psicodélico, carregadas de cores e simbolismo. Salvador Dalí certamente teria apreciado a qualidade onírica e a paleta exuberante de tais momentos.

Viagens à parte, a Marvel, como de costume, mantém os pés dos expectadores firmes no chão em meio ao universo mágico, trazendo piadas autorreferentes e alusões à cultura pop. Esta característica parece ter caído no gosto do público Geek, e sustenta a produtora à frente da rival mais sóbria DC, em termos de popularidade. Recém-chegado ao misterioso Kamar-Taj, Strange recebe de um residente um pedaço de papel com uma palavra enigmática: “O que é isso, meu mantra?” “Não, a senha do Wi-Fi. Não somos selvagens.”

Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor e Tilda Swinton provam-se escolhas de casting apropriadas: competentes respectivamente nos estereótipos de herói, companheiro do mesmo e seu mestre. A queridinha da América Rachel McAdams tem pouco tempo em cena, mas merece destaque pela sensibilidade e carisma ao interpretar a ex-ainda-apaixonada por Strange. Sem perder o tom irreverente e divertido, Doutor Estranho traz ainda uma bela mensagem sobre os males do egoísmo e a nobreza do sacrifício. Tudo de forma bem mastigada e acessível: Ponto para a Marvel, que sob um risco calculado, parece mais disposta em tocar em questões mais elementares ao Homem.

Nas palavras de Tilda Swinton, na pela da Anciã: “Nunca foi sobre você.”

 

Sobre o Autor

Priscilla Signorelli
Cinéfila de alma antiga que prefere Technicolor a CGI, mas assiste de Marvel a Bergman com prazer. Divide o tempo útil entre a Crítica e a Cinemateca do MAM, enquanto sonha em viver de Cultura. Pseudo-poetisa e roteirista nas horas vagas.

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