Doença e Possessão: Crítica de The Taking of Deborah Logan

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Está cada vez mais difícil encontrar um filme de terror que valha a pena assistir em meio a tanta coisa trash que é lançada no mercado. Porém, de vez em quando encontramos aquela joia rara que que entretem e de alguma forma tenta revitalizar o gênero explorando algum ângulo original. Nesse caso, fica difícil não compartilhar um grande achado com outros fãs do gênero. Por isso, não posso deixar de falar sobre The Taking of Deborah Logan.

 

Michael Myers The Taking of Deborah Logan

tumblr.com

“Alô, gostaria de pedir um filme de terror original, por favor.”

 

Por estar sempre atrás de alguma nova ideia, realmente fiquei chocada ao ler a sinopse de The Taking of Deborah Logan. Cheguei a pensar – como ninguém nunca pensou nisso antes?

A personagem que empresta seu nome ao título sofre de Alzheimer e depende da filha, que recentemente voltou a morar com a mãe devido a doença, para cuidar de suas necessidades mais básicas. Por problemas financeiros as duas concordam em participar de um documentário feito por estudantes de cinema (outro clichê muito usado no cinema terror moderno).

O filme se aproveita de alguns clichês já conhecidos pelo público como o uso da filmagem estilo documental utilizada em filmes com A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project) e o sucesso espanhol, REC.; e o artifício de instalação de câmeras em vários cômodos da casa para captar qualquer acontecimento estranho enquanto os personagens estão dormindo, algo que ocorre em todos os filmes da franquia Atividade Paranormal (Paranormal Activity).

A princípio, Deborah (Jill Larson) parece relutante, mas acaba aceitando a pequena equipe de filmagem, os primeiros dias mostram o cotidiano de Deborah e, consequentemente, os sintomas do Alzheimer e como isso afeta a sua relação com a filha, interpretada maravilhosamente bem por Anne Ramsay – conhecida por suas participações em várias séries famosas, como House, e por seu papel coadjuvante na  série de comédia dos anos 90, Mad About You.

A situação é realmente muito triste e você sente não só pela personagem, mas também por todos que são forçados a viver com essa doença, que, como é mostrado na história, afeta a todos os envolvidos e não só o paciente.

O tema faz parecer que o que está sendo abordado, primeiramente, não é uma história de terror, mas um drama familiar. Fica claro que o diretor de primeira viagem, Adam Robitel, gosta de “brincar” com a inserção de diferentes gêneros em uma mesma narrativa. Em certas cenas parece que realmente estamos assistindo a um documentário médico sobre a doença e o seu quadro de evolução.

Como havia mencionado antes, o foco principal é a relação mãe e filha, e isso é crucial para fazer quem estiver assistindo se importar com o que acontece a Deborah e acreditar na possibilidade de sua salvação, pois quando a situação começa a escalar e as ocorrências vão ficando cada vez mais bizarras e inexplicáveis fica fácil pensar: por que eles não se livram dela? O trabalho feito na construção da personagem foi excelente, algo pouco visto em filmes desse gênero, e garante a simpatia do público por Deborah.

Apesar de algumas escolhas já manjadas pelo público, The Taking of Deborah Logan mantém sua originalidade não só em relação ao enredo, mas também nas reações dos personagens aos misteriosos acontecimentos na casa. Não gosto de colocar spoilers nas minhas críticas, mas não posso deixar de falar que esse foi o primeiro filme em que vi algum personagem raciocinar e chegar a conclusão: “isso aqui tá muito doido é melhor eu dar o fora”, não com essas palavras, mas algo muito perto disso inclusive com alguns palavrões envolvidos.

Não vou falar sobre as cenas chocantes pois a surpresa é muito melhor, mas posso garantir que quem procura bons sustos e bizarrices nunca antes vistas precisa assistir The Taking of Deborah Logan (ainda sem título em português).

Trailer

Sobre o Autor

Roberta Figueiredo
Formada em Comunicação Social, produtora independente de cinema, respira conhecimento e se alimenta de cultura. Ariana, teimosa, gosta de caminhar na praia e fazer maratonas no Netflix. ;-)

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