Crítica de Homens, Mulheres e Filhos

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Homens, Mulheres e Filhos

Foto: Paramount

 

Talvez o primeiro filme decente de Adam Sandler em anos, Homens Mulheres e Filhos (Men, Women and Children) pode não ser o melhor trabalho do diretor Jason Reitman, mas nem por isso irei “destruí-lo” como fizeram a maioria dos críticos americanos que detestaram o filme.  Reitman, responsável por filmes de grande popularidade como Juno e Amor Sem Escalas – que na minha humilde opinião é sua melhor obra até hoje – sempre foi um queridinho da crítica, mas ultimamente seus filmes não conseguem cativar nem a crítica, nem o público.

 

Quem conhece o trabalho do Reitman sabe que suas histórias sempre buscam analisar as relações interpessoais entre os personagens e os conflitos internos sofridos pelos protagonistas na esperança de que o espectador, de alguma forma, se identifique com os problemas ali retratados, em Homens, Mulheres e Filhos, isso não é diferente.

 

O pano de fundo é um típico subúrbio americano, com alguns personagens caricatos: uma mãe (Judy Greer) que quer de qualquer jeito tornar a filha famosa, um pai (Dean Norris) divorciado com dificuldade de se relacionar com o filho (Ansel Ergot), uma mãe (Jennifer Garner) super protetora que monitora todos os passos da filha (Kaitlyn Dever) e um casal sexualmente frustrado que busca aventuras fora do casamento (Adam Sandler e Rosemarie DeWitt). Além desses personagens, a história conta com a narração de Emma Thompson intercalada com imagens da nave espacial Voyager, que carrega fotos, músicas e outros dados sobre o planeta Terra e a humanidade. Esses dois elementos servem como exemplo do conflito enfrentado por Tim, personagem de Ansel Ergot, que após ser abandonado pela mãe começa a questionar a significância de suas decisões e de sua própria importância em relação a um universo tão vasto.

 

Analisando os problemas dos personagens percebemos que todos eles passam por questões atemporais, traição, falta de comunicação, desconfiança e crise existencial devido a um evento traumático. Tudo isso já seria suficiente para escrever uma bela história. Talvez o que tenha prejudicado a trama de Homens, Mulheres e Filhos tenha sido essa necessidade de ser uma crítica de como a internet nos afeta e ao mesmo tempo criar resoluções para todos os personagens (e acreditem, são muitos). O resultado é uma análise superficial e até previsível de como o nosso modo de interagir mudou graças à tecnologia e conclusões não tão bem definidas para todos os personagens.

 

Os roteiristas Erin Cressida Wilson e Jason Reitman parecem querer explorar empecilhos trazidos pela presença da tecnologia em nossas vidas e como, apesar de extremamente útil e indispensável nos dias de hoje, ela também pode ser nociva e, principalmente, prejudicial na construção de relacionamentos mais profundos entre pais, filhos, amigos e namorados. Essa é uma questão interessante, mas em meio a tantos outros filmes que já trataram do mesmo assunto e de maneira bem mais inteligente (vide o último filme de Spike Jonze, Ela), sinto dizer que Homens, Mulheres e Filhos deixou a desejar nesse quesito.

 

Mesmo tendo ficado desapontada com alguns elementos do filme, não posso dizer que não gostei de Homens, Mulheres e Filhos, pois considero Reitman talentoso e adoro o “feeling” de filme independente de suas obras (mesmo sabendo que todas são bancados por grandes estúdios).

 

Uma pessoa que não posso deixar de elogiar é Ansel Ergot, sem dúvida o melhor personagem do filme e a mellhor interpretação também, Ergot tem uma sensibilidade incrível, muito difícil de ser encontrada em atores tão jovens. A jovem Kaitlyn Dever também está muito bem e merece vários elogios, ela é mais um talento que migrou da televisão e parece ter encontrado o seu caminho no cinema.

 

Aliás, todos os atores jovens de Homens, Mulheres e Filhos estão muito bem em seus papéis, apesar de ter grande respeito pelos atores adultos não consigo deixar de pensar que esse filme teria sido melhor se tivesse concentrado a atenção da história nos adolescentes.

 

Uma coisa não posso negar, mesmo quando um filme de Reitman não excede as expectativas tenho que admitir que ele sempre dirigi muito bem seus atores. Apesar de todas as questões que me incomodaram na história não posso deixar de recomendar o filme, pois mesmo não sendo a obra-prima de um diretor que admiro, Homens, Mulheres e Filhos ainda é melhor que muito filme que esteve em cartaz esse ano.

 

Assista ao Trailer

Sobre o Autor

Roberta Figueiredo
Formada em Comunicação Social, produtora independente de cinema, respira conhecimento e se alimenta de cultura. Ariana, teimosa, gosta de caminhar na praia e fazer maratonas no Netflix. ;-)

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