Crítica de Boyhood – Da Infância à Juventude

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É bem possível que quem esteja na faixa dos 20 e poucos anos se identifique com Boyhood – Da Infância à Juventude. Isso porque o filme que narra a história de Mason (Ellar Coltrane) dos seis aos 18 anos, além de uma experiência no mínimo diferente do diretor e roteirista Richard Linklater, é também um retrato de uma geração e uma reflexão sobre os “novos” conceitos de família. Primeiro ponto a ser destacado do filme é o fato dele ter sido filmado ao longo de 12 anos, com o mesmo elenco, o que deu o tom realista e natural ao trabalho, tornando a identificação com os personagens mais fácil, já que o espectador pode acompanhar o amadurecimento e o crescimento de Coltrane ao longo do filme. Essa técnica nos permite acompanhar a evolução nos sentir mais próximos do protagonista, como se fôssemos mais um integrante daquela família.

Por causa dessa identificação, o tempo passa num piscar de olhos e o espectador nem percebe que ficou quase três horas à frente da tela. Outro ponto que também ajuda no desenvolvimento do filme são os ótimos diálogos criados por Linklater, que contribuem para a compreensão e construção do núcleo familiar do menino.

Assim, é fácil entender porque a mãe do menino, interpretada por Patricia Arquette, deixa de ser controladora e focada nos filhos, e passa a ser mais liberal. Talvez isso seja reflexo dos relacionamentos conturbados que a moça arruma ao longo da história: homens agressivos e controladores. Já o pai, vivido por Ethan Hawke (o eterno Jesse da trilogia de Linklater iniciada com Antes do Amanhecer), aparece no início do filme com uma postura desapegada, por ora infantil, e se transforma em um homem responsável, preocupado, mas ainda terno, carinhoso e amigo dos filhos. “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.”

A trilha sonora funciona como um elemento de contextualização. Enquanto na primeira parte Samantha (Lorelei Linklater) canta e dança Oops!… I Did It Again, da Britney, para irritar o irmão mais novo, quando o tempo passa vão surgindo músicas de Lady Gaga, Kings of Leon, Arcade Fire e o mega hit de 2011 e 2012 Somebody That I Used To Know, do australiano Gotye.

É trocando de casa e aprendendo a se adaptar em novos ambientes que Mason cresce e vê a vida de diferentes perspectivas. Ele aparentemente se acostuma fácil com as pessoas que saem de seu convívio devido às mudanças, mas se abate quando termina o namoro antes de ingressar na faculdade.

De forma natural, Linklater narra as primeiras vezes sem alarde. O primeiro beijo, o primeiro amor, primeira cerveja, primeiro trago de maconha e a primeira vez com uma garota. As situações embaraçosas são as mesmas que vivemos em nossas vidas.

De certa forma, o filme também funciona como uma autoanálise. Sai o rosto liso e infantil, crescem as espinhas e a barba. Com elas, vêm as questões sobre os relacionamento reais e virtuais – por que apagar a conta do facebook? Perdas, ganhos, mudanças… é tudo muito natural e sutil, e pode até parecer clichê. Mas não há como negar que Boyhood é um grande filme.

Veja o trailer:

Sobre o Autor

PH Rosa
Jornalista, autor de contos que nunca viram a luz do dia, viciado em música e comprador compulsivo de livros, discos e tênis. Se diz bom amigo, mas prefere ir ao cinema sozinho. Ama descobrir novos sons e escrever sobre canções que causam arrepio.

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