Cannes 2015: O Melhor e o Pior do Festival

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A sexagésima-oitava edição do Festival de Cannes já está chegando ao final e, apesar da seleção de filmes desse ano ter ficado aquém da expectativa, a escolha da equipe capitaneada por Joel e Ethan Coen sobre quem levará para casa a cobiçada Palme d’Or não é fácil. Aqui no Pipoca e Guaraná nós já falamos sobre o festival aqui, mas, agora que o final se aproxima, é tempo de analisarmos o que aconteceu de melhor e – infelizmente – de pior nessas últimas semanas no balneário francês.

 

MELHOR – Mulheres em alta

Não é surpresa que mulheres ainda são severamente mal-representadas na indústria de cinema. Estúdios ainda evitam dar grandes projetos a diretoras, apesar de mulheres provarem vez após vez que elas são capazes de dirigir filmes campeões de bilheteria. Portanto, a escolha de La Tetê Haute, filme da diretora francesa Emmanuelle Bercot, para abrir o festival foi acertada. Em todos os anos de festival, essa foi apenas a segunda vez que um filme dirigido por uma mulher foi selecionado para tal. Além disso, o júri decidiu premiar uma Palme d’Or honorária à legendária diretora Agnès Varda, a primeira mulher a receber a honraria.

 

PIOR – Mulheres em baixa

Em um ano com tantas decisões acertadas acerca de inclusão, obrigar mulheres a usarem sapato alto no tapete vermelho foi uma bola-fora. Que feio!

 

MELHOR – Carol, de Todd Haynes

O filme, estrelado por Cate Blanchett e Rooney Mara como um casal de lésbicas na década de 1950, foi, sem dúvidas, o mais falado do festival. Blanchett chegou a declarar que já havia tido relacionamentos com outras mulheres – e, depois, negou tal afirmação. O filme foi extremamente aplaudido durante a sua exibição e não duvido nada que, apesar de poder sair de Cannes de mãos vazias, ainda ouviremos muito sobre ele no ano que vem, na cerimônia do Oscar.

 

PIOR – Abundância de Inglês

Nós sabemos que inglês é uma língua universal; mas, em um festival tão diversificado e internacional quanto o de Cannes, é uma pena que diretores estejam optando por apresentarem tantas obras anglo-saxônicas. Exemplos como o do diretor italiano Paolo Sorrentino e do diretor grego Yorgos Lanthimos não foram tão bem-recebidos pelo público. Sorrentino – um diretor brilhante –, inclusive, teve uma reação bem mista: seu filme, Youth, acabou sendo vaiado e aplaudido na mesma sessão.

 

MELHOR – Pixar em alta

Divertida Mente, a nova empreitada da Pixar, foi ovacionada em Cannes. Ninguém que viu o filme teve qualquer coisa de negativa a dizer sobre ele. Isso apenas serviu para nos deixar ainda mais animados para vê-lo.

 

PIOR – Franceses em baixa

Já o cinema francês, tão em destaque no começo do festival, acabou não entregando nenhum filme espetacular. Uma pena. Pelo menos os franceses sempre terão Paris.

 

MELHOR – Um de nossos diretores favoritos se dá bem

No caso, Denis Villeneuve, dos incríveis Incêndios e Os Suspeitos. O seu novo filme, Sicario, foi aplaudido durante sua exibição. Estrelado por Emily Blunt, Benicio del Toro e Josh Brolin, o filme fala sobre uma policial idealista que precisa trabalhar com figuras de caráter questionável em uma operação contra o tráfico de drogas na fronteira dos Estados Unidos. Já estamos reservando nosso lugar no cinema.

 

PIOR – Outro de nossos diretores favoritos se dá mal

Gus Van Sant, um diretor com uma filmografia um pouco mais irregular que Villeneuve, acabou não agradando com seu novo filme, The Sea of Trees. Estrelado por Matthew McConaughey e Naomi Watts, o filme foi largamente vaiado durante a sua sessão, mostrando que até o caso de amor do cinema com o novo McConaughey tem data de validade – coisa que Interestelar estava prevendo no ano passado.


Confira abaixo a relação completa dos premiados

Palma de Ouro
Dheepan

Grande Prêmio do Júri
Saul Fia

Melhor Direção
Hou Hsiao-Hsien (The Assassin)

Melhor Ator
Vincent Lindon (La Loi du Marché)

Melhor Atriz
Rooney Mara (Carol) e Emmanuelle Bercot (Mon Roi)

Melhor Roteiro
Chronic

Prêmio do Júri
The Lobster

Prêmio Camera d’Or
La Tierra y la Sombra

Palma de Ouro de Curta-metragem
Waves ’98

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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