Caça-Fantasmas – Crítica

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Fantasmas de Filmes Passados

 

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Direção: Paul Feig

Elenco: Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Leslie Jones, Kate McKinnon, Chris Hemsworth

Roteiro: Katie Dippold e Paul Feig


Nota: 2.5 de 5 estrelas


Quem você vai chamar? Bem, se você for o diretor Paul Feig, você certamente chamará Melissa McCarthy em primeiro lugar; Feig e McCarthy já trabalharam tantas vezes juntos em projetos de sucesso variante que é bem provável que o diretor possua o número da atriz em discagem automática. Em segundo lugar, talvez você chame Kristen Wiig em uma busca para repetir o sucesso que foi Missão Madrinha de Casamento. Depois, é só juntar mais uma ou duas atrizes de comédia—de preferência provenientes de um programa consolidado como Saturday Night Live—e um dos galãs mais badalados do momento e pronto: você terá o elenco perfeito e o filme perfeito. Ou pelo menos é isso que Feig gostaria de fazer você acreditar.

Buscando inspiração na seleção de elenco do Caça-Fantasmas original—que procurou reunir as maiores personalidades do humor disponíveis nos meados da década de oitenta—, Feig montou o seu próprio dream-team de estrelas com uma pegada original: ele só escalaria mulheres para os papéis principais. É o tipo de decisão criativa que não deveria surpreender, mas mesmo assim a internet criou caso: o primeiro trailer para o filme entrou para a história como o mais odiado de todos os tempos e grande parte do público decidiu condenar o filme antes mesmo dele ser lançado. O filme merece todo esse ódio gratuito que ele vem recebendo? Certamente não. Ele é tão ruim assim? Talvez seja… mas acho melhor você assistir a ele antes de tomar essa decisão.

Antes de continuar, preciso fazer uma confissão: eu nunca vi Caça-Fantasmas original, nem sua sequência, uma falha cinematográfica que eu sei que é gravíssima. Mas talvez isso me coloque em uma posição privilegiada neste momento: eu poderei analisar o novo filme pelo que ele é, independentemente de qualquer sentimento que eu poderia ou não ter pelo original. Enquanto a maioria dos críticos perderá tempo comparando o antes com o agora e buscando espaço para o novo filme dentro de um contexto maior—o chamado Universo Cinematográfico que entrou em moda de uns anos para cá—, eu poderei simplesmente ignorar tudo isso e me focar no essencial: ou seja, se o filme é bom e consegue se sustentar por si só. As respostas para essas questões são: mais ou menos e nem tanto.

O filme começa com Erin Gilbert (Kristen Wiig), uma professora de física na Universidade de Columbia que vê um livro sobre atividade paranormal que ela escrevera anos antes comprometer suas chances de conseguir o cargo de professora titular na universidade. Desesperada, ela vai atrás de Abby Yates (Melissa McCarthy), uma antiga amiga e co-autora do livro, para tentar impedir que essa enorme mancha no currículo (em formato impresso e digital) continue a ser distribuído. Porém, quando as duas acabam descobrindo a presença de um fantasma de verdade em uma antiga mansão, (e sendo demitidas de seus respectivos empregos em consequência de suas pesquisas não-tradicionais) elas decidem se juntar a Jillian Holtzmann (Kate McKinnon), uma engenheira excêntrica que estava trabalhando com Abby, e Patty Tolan (Leslie Jones), uma funcionária de metrô que também acaba encontrando espectros durante seu horário de trabalho, e criar um grupo para investigar e combater essas entidades de outros planos.

Aqueles que já gostam do trabalho de Feig em filmes como Missão Madrinhas de Casamento, As Bem Armadas e A Espiã Que Sabia de Menos—todas traduções horríveis, diga-se de passagem, mas isso não é culpa do diretor—já devem saber o que esperar de Caça-Fantasmas. Mais uma vez Feig dá bastante espaço para seus atores fazerem aquilo que sabem fazer de melhor: Wiig está especialmente bem no filme, roubando todas as cenas em que aparece, e McCarthy aposta em um tom de comédia mais abaixo do que ela costuma ter nesse tipo de filme, o que é uma mudança extremamente bem-vinda. Já McKinnon e Jones muitas vezes se perdem na repetição e no estereótipo, ambas criando personagens sem muita profundidade ou grande apelo; e Chris Hemsworth, que interpreta Kevin, o secretário desmiolado do grupo, só se salva marginalmente pelo seu charme natural.

Caça-Fantasmas se constrói de maneira enfadonhamente previsível. Todas as cenas esperadas estão lá: antigas amigas que se reencontram e, apesar de relutarem inicialmente, decidem trabalhar juntas? está lá; personagem louca e genial com zero apego à realidade? está lá; personagem negra fortemente estereotipada que passa a metade do filme gritando? está lá também; mulher cientista de respeito que age como uma adolescente por causa de um homem bonito? pode apostar que está lá. Mesmo sem ter visto o Caça-Fantasmas original, foi possível perceber exatamente em que momentos eles estão fazendo referências ao primeiro filme, com vinte anos de atraso. Na verdade, eu me arrisco a dizer que, se não fosse pelo fato de todo o elenco principal ser feminino, o filme seria uma cópia totalmente fiel do original, sem tirar nem pôr. Nessa tentativa tão desesperada de ser o que não é, o novo Caça-Fantasmas perde qualquer semblante de originalidade que ele poderia ter. E não é só o filme original que o novo Caça-Fantasmas tenta emular. Espectros de todos os filmes anteriores de Feig—e outros similares—assombram o filme: ele poderia ter sido interessante e diferente se tivesse sido lançado há dez anos; agora, ele só parece cansado e esgotado.

Feig deixa escapar uma oportunidade de ouro de trabalhar com essas atrizes da melhor maneira possível: ele achou que o truque da troca de sexo fosse o suficiente, esquecendo-se que um bom filme não pode se sustentar apenas em uma boa ideia. Caça-Fantasmas tem momentos engraçados, mas eles são esparsos e poucos e quase sempre eles são causados por fatores não controlados por Feig: o filme consegue se salvar um pouco graças aos esforços de Wiig e McCarthy e pelas curtas participações dos atores originais. (em especial, Dan Aykroyd, em um momento que me deixa triste por ele não trabalhar com mais frequência) Mérito precisa ser dado, contudo: é muito bom ver que em uma época marcada por apostas seguras da maioria dos estúdios, Feig tenha optado por se arriscar com um elenco puramente feminino. E, tomando como base apenas esses filmes que surfam na onda recente de nostalgia-apenas-pela-nostalgia, Caça-Fantasmas não é dos piores filmes. A enorme quantidade de pré-julgamento que o filme recebeu mostra que um longo caminho ainda é necessário antes de termos uma indústria cinematográfica mais representativa. Por tudo isso, Caça-Fantasmas é um filme importante e é uma pena que ele também não seja um filme bom.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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