Quinta da Nostalgia: As Adaptações Americanas de Anna Karenina

 

Em 1915, o diretor, roteirista e produtor canadense J. Gordon Edwards realizou a primeira adaptação do livro russo Anna Karenina para os cinemas. A obra literária de Leo Tolstói ganhou vida nas telas com um elenco artístico de peso como, Betty Nansen (Anna Karenina), Edward José (Baron Alexis Karenin) e Richard Thornton (Prince Vronsky).

O diretor começou a carreira artística como ator, em seguida, tornou-se diretor e produtor da Suburban Garden Theatre em St. Louis. Depois, ele foi contratado por William Fox para dirigir filmes a partir do ano de 1914.

A primeira direção assinada com a Fox foi o filme “St. Elmo”(1914). Este é um filme de drama silencioso americano e a primeira adaptação cinematográfica em longa-metragem do romance homônimo de Augusta Jane Evans de 1866 e foi produzido pela Balboa Amusement Producing Company e distribuído pela Box Office Attractions Company de William Fox.

Ao todo, o canadense dirigiu 22 filmes estrelados entre 1916 e 1919 pela estrela Theda Bara , que o chamava de “diretor mais legal que eu já trabalhei.” Mais tarde, ele se tornou o supervisor de produção da Fox, e continuou a dirigir filmes até a morte em 1925.

Um de seus maiores projetos foi a “Rainha de Sabá” (1921), um filme mudo perdido, que continha uma enorme sequência de corrida de bigas, um filme que nasceu quatro anos antes do famoso épico “Ben-Hur” (1925).

Esta primeira versão americana de “Anna Karenina”, infelizmente, é uma obra cinematográfica perdida. Não há registros em vídeos, fotos de bastidores ou demais peças publicitárias do filme. Apenas um dos raros registros que temos é este anúncio de jornal com um fotograma do filme.

 

Anna_Karenina_Movie1915_newspaper

 

Em 1927, a obra de Tolstói ganhou mais uma versão para os cinemas, desta vez intitulado “Love” (1927) dirigido por Edmund Goulding. O filme foi lançado pela Metro-Goldwyn-Mayer e contou com a dupla Greta Garbo e John Gilbert, par de estrelas do filme blockbuster “Flesh and The Devil” (1926). Este filme contou com alterações significativas da obra original e foi lançado com dois finais diferentes, um para o público europeu e outro para o público americano, que pode desfrutar da tragédia de Tolstoi com um final feliz. 

 

 

Na versão européia, com a perda do direito de visitar o filho e ter que sair Vronsky para sempre, Anna Karenina comete suicídio ao se jogar na frente de um trem para salvar a sua reputação. Um final que estava mais fiel ao trabalho original do escritor russo.

Já na versão americana, os amantes não vêem durante três anos, mas Vronsky procura por Anna sem cessar. Por acaso, ele lê no jornal um artigo sobre o filho de Anna, que está finalizando a Academia Militar em São Petersburgo, também descobre que Karenin morreu e que Anna já passara a visitar o filho diariamente. O casal se reencontra quando Sergei convida Vronsky para sua casa.

Em 1935, Clarence Brown faz a terceira adaptação para o cinema americano da obra e conta, novamente, com a estrela Greta Garbo. Em Nova Iorque, o filme estreou no Teatro Capitol, o local mais prestigiado das estreias da MGM.

Anna Karenina” (1935) é um dos filmes mais populares da atriz e é considerado a melhor adaptação do clássico para o cinema. Clarence Brown, que teve a rica oportunidade de dirigir a diva Garbo em outros sete filmes, limitou-se ao contar na trama a história da Rússia czarista em torno de Anna e Vronsky.

O filme ganhou 2.304 milhões dólares nas bilheterias e também ganhou o prêmio Mussolini Cup de “Melhor Filme Estrangeiro” no Festival de Cinema de Veneza. A musa Greta Garbo recebeu da New York Film Critics Circle o prêmio de “Melhor Atriz” pela personagem Anna. O filme ficou em na posição 42 na lista dos 100 Anos de AFI.

 

 

Posteriormente, a obra russa ganha mais espaço nas companhias cinematográficas americanas e ganha mais duas versões no ano de 1985 e 1997.

Em 1985, a versão foi um filme para a televisão e contou com Jacqueline Bisset (Anna Karenina), Christopher Reeve (Vronsky) e Paul Scofield (Karenin).

 

 

E em 1997, Anna Karenina” foi dirigido por Bernard Rose e estrelado por Sophie Marceau, Sean Bean, Alfred Molina, Mia Kirshner, James Fox e uma equipe russa adicional de Trite Studio e o Lenfilm Studios emSão Petersburgo, Rússia.

Este filme é a única versão internacional totalmente filmado na Rússia. Entre Fevereiro e Agosto de 1996, o filme foi rodado em locais como São Petersburgo em vários dos palácios de czares russos, bem como históricas mansões da nobreza russa, como o Palácio de Inverno, Peterhof, Menshikov Palace, Yusupov Palace e outros locais. Várias outras cenas menores também foram filmadas em Moscou.

Anna-Karenina_1997

O projeto teve a ajuda inicial de Mel Gibson, que foi abordado inicialmente por Sophie Marceau. O orçamento do filme girou em torno de aproximadamente US $ 20 milhões provenientes do montante da Icon Productions empresa. Resolvida essa questão de pré-produção,  o andamento da pós-produção foi feito parcialmente na Europa e concluída a edição de estúdio nos EUA.

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Sobre o Autor

Ellen Ferreira
Cineasta e Jornalista. Ama se refugiar no cinema, maratonar séries e ouvir trilhas sonoras de filmes enquanto trabalha. Gostaria de ter trocado correspondências de amizade com o genial J.R.R Tolkien e de ter dirigido os filmes da era de ouro de Hollywood. Dedicada a criar, fazer filmes, pesquisar, escrever histórias e desbravar o máximo da cultura mundial.

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