Aquecimento Foo Fighters – Top 10 Clipes: #3

 

O Foo Fighters está prestes a completar 20 anos mas, para alegria dos fãs, a banda está apagando essas velinhas fazendo a sua paixão pela música arder como nunca.

Além de Janeiro marcar o aniversário de Dave Grohl, seu talentoso e carismático líder, também é nesse mês que a banda irá aterrissar no Brasil para a turnê de seu novo disco, Sonic Highways.

Se você também é Foonático, sabe que eles passaram por Porto Alegre no dia 21 e tocaram em São Paulo ontem, dia 23. Eles também vêm para o Rio de Janeiro no domingo, dia 25 (show que está sendo ansiosamente aguardado pela pessoa que vos fala, que vai cobrir tudo em primeira mão aqui para o Pipoca e Guaraná) e partem para tocar em Belo Horizonte no dia 28.

Como um aquecimento para a turnê brasuca, estamos fazendo uma contagem regressiva com os dez melhores clipes da banda, acompanhada de curiosidades sobre alguns de seus álbuns e maiores hits.

Mesmo se você ainda não curte os caras, dê uma olhada e eu te garanto – você vai ser convertido.

Até agora, já tivemos:

#10: “White Limo”

#9: “Next Year”

#8: “Walking After You”

#7: “Walk”

#6: “Long Road to Ruin”

#5: “Low”

#4: “Breakout”

Segue o clipe número 3 na contagem:

3 – BIG ME

 

“Big Me” é um dos singles do álbum Foo Fighters, o primeiro da banda – se é que podia se chamar assim naquela época. Isso porque nele, Dave Grohl gravou todos os instrumentos, com a exceção de uma parte de guitarra da música “X-Static”, em que contou com a colaboração do músico Greg Dulli, da banda The Afghan Whigs. À primeira vista, saber que o sociável Grohl fez tudo sozinho parece estranho, mas Dave contextualiza toda a história da gravação do primeiro disco dos Foos na série de documentários que acompanha o lançamento do mais recente trabalho da banda, Sonic Highways.

Depois de já ter dirigido o clipe de “Monkey Wrench” e o documentário Sound City, Dave realizou um trabalho que é não só um verdadeiro ode à música norte-americana, mas que também revela os bastidores do processo criativo do novo disco da banda. A proposta de Sonic Highways era passar uma semana em cada uma das oito cidades mais representativas da música norte-americana (por isso a capa do disco tem tantos “oitos” escondidos em sua arte, que também são o símbolo do infinito) e, depois de entrevistar músicos, produtores, donos de estúdio e outras pessoas relacionadas à história da cena musical de cada lugar, escrever uma música inspirada por aquele local.

CAPA DE SONIC HIGHWAYS

Capa de Sonic Highways, novo disco do Foo Fighters

Capa de Sonic Highways, novo disco do Foo Fighters

 

No episódio de Seattle, Dave confessa que ficou extremamente deprimido depois da morte de Kurt Cobain: “Eu nem podia mais escutar música porque, para mim, ela sempre foi um caminho direto pro meu coração”. Ele não sabia o que fazer e pensou até em abandonar a carreira musical apesar de convites para se juntar à bandas como Tom Petty and The Heartbreakers. Mas aos poucos foi se recuperando e notou que um projeto seu podia funcionar como terapia. Grohl reservou seis dias no estúdio de Robert Lang, que ficava perto de sua casa em Seattle, onde ele foi gravar “as músicas favoritas que ele tinha escrito nos quatro, cinco anos anteriores, que ninguém tinha ouvido” com a assistência do produtor Barrett Jones, com quem Dave havia gravado a demo Pocketwatch em 1992. A ideia era gravar todos os instrumentos e lançar sob um nome que fizesse as pessoas acreditarem que se tratava de uma banda.

Nove das músicas presentes no disco já existiam em demos porque foram compostas antes ou durante a participação de Grohl no Nirvana. As únicas que foram compostas depois da morte de Cobain foram “This is a Call”, “I’ll Stick Around”, “X-Static” e “Wattershed”. Foi tudo tão fluxo de consciência que Grohl e Jones produziram o disco em uma semana, com meros 45 minutos para cada música ser gravada, o que aconteceu na mesma ordem em que aparecem na tracklist.

“O primeiro disco do Foo Fighters nem era para ser um álbum, era um experimento só por diversão. Eu estava zoando. Algumas das letras não eram nem palavras de verdade”, declarou Dave, que conta que a maioria delas foi escrita 20 minutos antes de as gravações começarem. Ainda sim, ele defende que “as coisas que você escreve no calor do momento são as mais reveladoras. Agora eu vejo que elas de fato têm um significado.” “Big Me”, por exemplo, era uma canção de amor para Jennifer Youngblood, a esposa de Grohl na época. Apesar de ser a favorita de Dave do disco, ela foi mixada em 20 minutos.

Mesmo tendo feito tudo sozinho, Grohl recutou uma banda que incluia o baixista Nate Mendel, o baterista William Goldsmith e o ex-guitarrista do Germs que fazia turnês com o Nirvana, Pat Smear. Fora o batera, os outros ainda fazem parte da banda, mas mesmo Pat Smear saiu por um tempo alegando exaustão.

Grohl lançou 100 LPs e 100 cassetes das sessões de gravação e as entregou para os amigos para pedir feedback e até para os fãs de Nirvana que o paravam na rua. Eddie Vedder, frontman do Pearl Jam, estreou duas das músicas durante uma transmissão de rádio e o disco começou a circular na indústria, criando interesse de gravadoras. O álbum acabou vendendo mais de dois milhões de cópias, mas os críticos não ficaram impressionados. Houve até uma entrevista onde um repórter perguntou a Grohl por que o álbum “soava como o Nirvana, mas não tão bom”. Dave diz que “havia vezes em que me perguntavam coisas que você não perguntaria a um estranho, a alguém que você acabou de conhecer, que tinha passado por algo horrível – não era educado, caralho. Isso rolou por alguns anos, depois diminuiu”.

A intenção de Grohl ao formar os Foo Fighters nunca foi fazer outro Nirvana e sim de firmar seu lugar como uma banda com boas músicas e que não tinha medo de explorar seu lado mais leve, fazendo graça de muitas coisas – inclusive de si mesma.

Por isso que, antes que pudessem acusar Grohl de estar “se vendendo” ao fazer música comercial que nada tinha a ver com o estilo de sua banda anterior, Dave foi esperto o bastante para se auto-zoar antes que qualquer um pudesse fazê-lo.

A grande, porém fina ironia do clipe de “Big Me” que muitos não perceberam é a de que ele, através do clima artificial de suas situações e de sua fotografia, incorpora à própria narrativa a noção de ser um instrumento de venda da música e da banda.

Grohl chegou a afirmar que ela era “uma música pop ridiculamente açucarada”. A confissão do vocalista parece ter inspirado a história do clipe, que é uma paródia da campanha de comerciais da marca de balas norte-americana, cujo slogan “Mentos – The Fresh Maker” é modificado para “Footos – The Fresh Fighter”. Uma curiosidade é que, na época, os fãs costumavam jogar Mentos no palco quando eles tocavam essa música.

Na época, “Big Me” foi indicado no Video Music Awards da MTV em cinco categorias, mas venceu somente a de “Melhor Clipe de Banda”. Mas a coisa mais legal sobre essa música é que em um show dos Foos em Las Vegas em Outubro de 2014, eles apresentaram uma versão mais lenta de “Big Me” para homenagear uma fã chamada Carter. O que a fez merecer a honra? Ela estava na plateia e completava 70 anos naquela noite. Nada melhor do que uma canção de amor para uma fã tão dedicada assim.

Sobre o Autor

Anna Israel
Formada em Comunicação Social – Cinema pela PUC-Rio, tive a sorte de fazer intercâmbios para a UCLA, NYU e Cornell nos EUA, de conhecer alguns dos meus grandes ídolos e de ganhar prêmios com meus trabalhos. Para viver, só preciso de cinema, TV e música. Mas boas horas de sono e chocolate também vêm a calhar.

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