Ao Infinito e Além – Crítica de Interestelar

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Warner Bros.

Quando crianças, costumamos olhar para o céu à noite e imaginar o que nos aguarda além das estrelas. Sonhamos com mundos distantes, cenários fascinantes e repletos de mistérios. Para autores, o espaço é um terreno fértil; um local não gerido pelas leis terrestres e que pode ser tão fantástico quanto uma Terra Média ou tão mágico quanto Hogwarts – é ainda melhor, na verdade, pois esse local está dentro da nossa realidade, lá fora, esperando ser desbravado por personagens tão humanos quanto nós.

Interestelar, o novo filme de Christopher Nolan – um diretor que, nos últimos anos, especializou-se em fazer blockbusters extremamente autorais – é um prato cheio para fãs de ficção científica e para os apreciadores de cinema de modo geral.

O filme começa em um futuro indeterminado em que as reservas alimentares do planeta estão sendo gradativamente destruídas por uma praga. A origem dessa praga nunca é mencionada, mas ela é poderosa o suficiente para impedir os humanos de plantarem qualquer coisa que não seja milho. Cooper (Matthew McConaughey) é um ex-engenheiro e ex-piloto que atualmente trabalha como fazendeiro – a profissão, aliás, está em alta, já que a maior demanda é por alimentos e, aparentemente, o povo do futuro desistiu de engenharia genética e decidiu apostar todas as suas fichas em práticas coloniais. Ele tem dois filhos: uma que ele adora, Murph (incialmente interpretada pela jovem Mackenzie Foy, depois pela não-tão-jovem Jessica Chastain e depois pela decididamente-não-jovem Ellen Burstyn); e um que ele não gosta tanto assim, Tom (Timothée Chalamet e, posteriormente, Casey Affleck). A família vive uma vida pacata e feliz, mas isso tudo muda quando, após uma tempestade de areia, Cooper encontra um padrão estranho sendo formado por colunas de areia no quarto da filha.

Sendo o biscoitinho esperto que é, Cooper descobre que o padrão representa o endereço de uma instalação secreta da NASA comandada pelo Professor Brand (Michael Caine, no papel de mentor carismático que Nolan adora coloca-lo) e por sua filha, Amelia Brand (Anne Hathaway). O professor é um antigo colega de Cooper e ele o convida para se juntar a uma missão espacial em busca de um novo planeta para a espécie humana. Cooper aceita, pois acredita que essa é a única maneira de assegurar o futuro de seus filhos.

O restante do filme é um dos trabalhos mais emocionalmente carregados de Nolan, especialmente no que se refere a relação intensa entre Cooper e sua filha. O diretor, conhecido pelo seu estilo frio e analítico, está claramente fora de sua zona de conforto e acaba perdendo a mão no drama, especialmente no terceiro ato, quando tudo vira um festival de lágrimas e a resposta para todos os problemas do universo passa a ser ‘amor’.

O roteiro de Interestelar, apesar de possuir seus momentos constrangedores – o grande vilão do filme se chama Mann (Homem, em inglês), o que permite a Nolan fazer o muy belo trocadilho de que o Homem é o maior inimigo da humanidade; um artifício que deixaria Hobbes orgulhoso – é bom. A ciência apresentada no filme é incrivelmente sólida. Obviamente, não é possível sair do cinema acreditando em tudo que foi apresentado na tela, especialmente porque a ciência de Interestelar (assim como quase todo o nosso conhecimento sobre o espaço) é puramente especulativa. Mesmo assim, o filme consegue apresentar suas teorias de maneira didática e coerente. Isso, sem dúvidas, é por causa do produtor Kip Thorne, físico e autor do livro que inspirou o roteiro do filme, que também serviu como consultor.

Outro ponto alto do filme é o seu elenco: McConaughey – um ator que cresce desde 2011 e atualmente está na sua melhor fase – encaixa-se perfeitamente com o papel e Chastain aproveita inteiramente as poucas cenas que tem. Já Hathaway apresenta no filme seus annehathawaynismos de sempre. Que os fãs da atriz entendam isso como quiserem.

Apesar de possuir uma belíssima fotografia e incríveis efeitos especiais, o que mais impressiona em Interestelar é o que não é visto. Aquilo que é desconhecido, não-visto; o que se esconde do outro lado do buraco de minhoca ou dentro de um buraco negro. É lá que está o que tanto buscamos, o segredo escondido que revelará nossa origem e nosso propósito. O que Nolan quer mostrar, no fundo, é que a resposta está dentro de cada um de nós. E que, mesmo assim, atravessaremos um universo inteiro atrás dela.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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