A Odisseia Espacial de David Bowie

 

David-Bowie-pipoca-e-guarana

 

Nos primeiros dias do ano, fui a uma festa e a noite toda falava que queria ouvir “Modern Love”, clássico de Let’s Dance (1983), do Bowie. No tempo que fiquei na pista, a música não tocou, mas, depois de alguns goles, me peguei numa espécie de transe enquanto olhava o pôster de Aladdin Sane (1973) que estava no salão. Quando cheguei em casa, a primeira coisa que fiz foi escrever sobre aquela imagem, que ficou na minha cabeça a noite toda, junto com a sensação de hipnose.

 

 

Na manhã de hoje, enquanto me arrumava para ir ao trabalho e assistia ao jornal matinal, fiquei bem balançando com a notícia da morte de David Bowie e, mais uma vez, fui tomado pelo mesmo transe que senti naquela madrugada. A notícia foi confirmada pela família por meio de um comunicado em sua página no Facebook. O camaleão do rock lutava contra um câncer há 18 meses.

Dono de obras incríveis, Bowie já não se apresentava desde 2006, mas continuou sendo um dos grandes compositores e gênios da música. Na última sexta-feira, 8, dia em que completou 69 anos, o artista lançou Blackstar, último disco da carreira, repleto de experimentalismo com influências de jazz.

 

 

A inventividade do músico vem desde o início de sua carreira musical, que sempre tem um toque teatral, já que Bowie adorava criar personagens para atuar nas turnês e nos discos. Um dos mais icônicos foi Ziggy Stardust, que apareceu no disco The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars (1972). Aliás, é possível dizer que Bowie nutria uma certa obsessão pelo espaço e por extraterrestres, pois esse tipo de influência aparece em quase todos os seus trabalhos.

 

 

Com a queda de Ziggy, veio o Alien Thomas Jerome Newton, personagem que interpretou no filme The Man Who Fell To Earth (1976), que acabou aparecendo na capa do disco Station to Station (1976). Além desses dois, há também o astronauta Major Tom, que aparece em “Space Oddity” e outras canções, e o próprio Aladdin Sane, que Bowie definiu como “Ziggy vai à América”.

 

 

Bowie também expandiu sua carreira para o cinema, arte que também tem boa relação com sua música. Algumas de suas músicas marcaram cenas de filmes como Eu, Christiane F., As Vantagens de Ser Invisível, Frances Ha e o brasileiro Praia do Futuro.

 

 

O camaleão – que foi muito além do rock – conseguiu aproveitar a sétima arte de forma primorosa. Assim como no novo disco, Bowie usou os clipes de “Blackstar” e “Lazarus” para falar sobre a morte. Como disse o produtor do álbum, Toni Visconti, Bowie fazia o que queria e transformou sua morte em arte, assim como fez com a vida.

Toni Visconti

 

Ouvindo Blackstar, é impossível pensar em uma despedida melhor para um artista do tamanho de David Bowie. O álbum é uma parte importante do legado do músico, que deixou obras para amenizar a tristeza dos fãs e transformá-la em conforto.

Enquanto ouvimos suas músicas, David embarca em uma nave e vai encontrar Ziggy Stardust, que o espera no espaço.

“Look up here, I’m in heaven
I’ve got scars that can’t be seen
I’ve got drama, can’t be stolen
Everybody knows me now”

 

Sobre o Autor

PH Rosa
Jornalista, autor de contos que nunca viram a luz do dia, viciado em música e comprador compulsivo de livros, discos e tênis. Se diz bom amigo, mas prefere ir ao cinema sozinho. Ama descobrir novos sons e escrever sobre canções que causam arrepio.

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