A Colina Escarlate – Crítica

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Terror em Tons de Vermelho

Crimson-Peak-Tom-Mia

Direção: Guillermo del Toro

Elenco: Mia Wasikowska, Jessica Chastain, Tom Hiddleston

Nota: 4 de 5 estrelas

 

Do que você tem medo? Quando pequeno, fantasmas me apavoravam; histórias de mulheres de branco, assombrações agrilhoadas, arrastando suas correntes pelo assoalho, e espíritos com assuntos mal resolvidos me deixavam acordado a noite inteira; recheando meus sonhos com o temor pelo desconhecido. Conforme crescia, os medos infantis foram lentamente desaparecendo; os fantasmas foram ficando cada vez mais translúcidos, metamorfoseando-se em um raio de luz ou em um jogo de sombras. Eles se tornaram invisíveis e o meu cérebro cético logo deixou de temê-los. Contudo, tenho certeza de que eles ainda estão lá, para quem souber olhar direito.

Guillermo del Toro é, inegavelmente, um diretor com um olhar especial; e desconfio que ele nunca tenha perdido o contato com seus amigos de outros planos. Em homenagem a eles, del Toro lança esta semana A Colina Escarlate, seu mais novo projeto. Ambientado durante o século XIX, o filme é uma verdadeira carta de amor ao romance gótico tradicional, pegando emprestado influências das tradicionais histórias de fantasmas e prestando a devida reverência aos clássicos de autores como Ann Radcliffe e as irmãs Brontë.

A Colina Escarlate conta a história de Edith Cushing (Mia Wasikowska), uma jovem aspirante a escritora à frente do seu tempo. Edith é uma espécie de Jane Eyre; uma protagonista forte e independente, mas que abandonaria tudo por um grande amor—contanto que ele viesse em seus próprios termos, que isso fique bem claro. Ela passa os seus dias redigindo e melhorando o seu manuscrito—não uma história de fantasmas, mas uma história com fantasmas, os fantasmas sendo uma metáfora, como ela mesma faz questão de pontuar—, convivendo alegremente com o seu pai (Jim Beaver) e o seu melhor amigo, o doutor Alan McMichael (Charlie Hunnam), um jovem evidentemente enamorado pela moça, mas tímido demais para revelar seus verdadeiros sentimentos.

A vida de Edith muda drasticamente quando ela conhece o encantador Thomas Sharpe (Tom Hiddleston) e sua irmã, Lucille (a sempre impecável Jessica Chastain), e se apaixona perdidamente por ele. A jovem heroína acabará se casando com Sharpe e indo morar em sua casa: uma mansão decadente na Inglaterra, onde as paredes sussurram segredos terríveis. Aos poucos, Edith descobrirá, da pior maneira possível, o passado obscuro que os irmãos tanto se esforçaram para manter fora da luz.

É bom deixar claro que del Toro—juntamente com Quentin Tarantino—é um dos maiores geeks fazendo filmes atualmente. O diretor ama e respira cultura pop e todos os seus filmes foram, de uma maneira ou de outra, uma verdadeira ode a essas paixões. Desde a mitologia e o folclore explorados em O Labirinto do Fauno, passando pelos quadrinhos em Hellboy e chegando aos animes de robôs dos anos setenta em Círculo de Fogo, todos os projetos de del Toro foram, antes de tudo, feitos sob a visão de um fã. A Colina Escarlate não é diferente, expondo o amor e o respeito do seu diretor pelos romances góticos e as histórias clássicas de fantasmas.

Del Toro é um mestre de sutilezas e os primeiros dois atos do filme mostram isso claramente: nenhuma cena é supérflua, nenhuma informação fornecida é desnecessária; o diretor insere cada detalhe com o cuidado e a meticulosidade de um relojoeiro. Grande parte do mérito inicial do filme provém diretamente do seu roteiro, que o próprio del Toro e o coroteirista, Matthew Robbins, reescreveram cerca de doze vezes. Todo esse trabalho valeu a pena: o roteiro é composto por uma série de referência a temas e elementos típicos dos melhores romances góticos; alguns tão sutis que apenas fãs vorazes do gênero perceberão.

O grande problema de A Colina Escarlate, infelizmente, está quase exclusivamente concentrado em seu terceiro ato. É nesse momento que o filme perde a sua delicadeza para transformar-se em um verdadeiro banho rubro, cheio até a borda com exageros. Em alguns momentos, principalmente durante as cenas de aparições fantasmagóricas, sinto que del Toro mira firme em um terror no estilo d’O Iluminado, de Kubrick, mas erra o alvo. Uma parte da culpa é do próprio diretor, isso está claro; outra parte da culpa é de Wasikowska. Admito que tenho certos problemas com a atriz desde a sua participação lastimável em Alice, de Tim Burton. Wasikowska nunca conseguiu verdadeiramente me convencer em nenhum de seus papeis subsequentes e as suas deficiências ficam evidentes nas cenas de terror. Isso é uma pena, pois o resto do elenco está sólido, com um destaque para Chastain e Hiddleston.

Como já falei, às vezes, para ver um fantasma basta saber olhar. Aqueles que aprenderem a abrir bem os olhos serão premiados com o fantástico mundo de del Toro, um lugar lindo, com cenários incríveis e figurinos espetaculares; um lugar mágico, onde tudo pode acontecer e onde o perigo nem sempre vem dos fantasmas. Às vezes o perigo está bem vivo; e ele mora na mesma casa.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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