Resenha Literária: A Cabana

Como ser impessoal falando de um livro tão inerente a intimidade entre criatura e criador?

E se o livro se tratasse apenas de um Deus querendo chamar atenção, por si só já teria sido genial, mas A Cabana trata-se de um livro no qual o autor compreende que Deus pode ser tudo aquilo que precisamos. É assim que caracterizo a sapiência do William P. Young. A Cabana foi Best-Seller no The New York Times; e no Brasil muitas cópias foram vendidas, “incontáveis”, e muito depois do lançamento, anos depois, esse livro veio parar nas minhas mãos na forma de um presente.

A Cabana Resenha Literária

Confesso a vocês que eu estava no auge do meu ceticismo religioso. Confesso também que aceitei o presente por educação (Ei, minha mãe me deu modos!). E, nesta ocasião cética, em 31 de Maio de 2014, eu voltava pra Petrópolis, após um dia passeando pelo Rio, e, já que estava no meio do trânsito pra subir a serra, confesso que não pensei duas vezes entre mexer no celular e pegar o livro, escolhi o livro.

Quando passei do prefácio para o capítulo 1, e quando li todo o capítulo 1, horrorizada e chorando, eu me dei conta que eu precisava mergulhar na leitura de A Cabana, justamente por ter se tornado tão pessoal naquele momento, e ainda hoje algumas frases ficaram bem marcadas em mim.

Quanto as características do autor: eu não o conhecia, não sabia que A Cabana era seu primeiro livro publicado (com sucesso em 2007) e também não sabia que ele era formado em religião. O que provavelmente contribuiu pra que ele tivesse uma opinião sobre o divino (mas isso é uma divagação minha, já que ele mesmo não menciona isso).

Sobre a leitura, devo-lhes dizer que ele escreve de forma leve, Young conversa com o leitor, de forma simples, sem palavras rebuscadas, sem termos religiosos difíceis de serem compreendidos, e por mais que todas as coisas que ele tenha escrito possam ser refutadas por qualquer teólogo, devo dizer que fui cativada sinceramente por cada palavra, desde a minha alma, até o meu intelecto. Nós nunca sabemos que tipo de abismo o nosso próximo escala, e por isso, A Cabana, foi um livro muito importante pra mim. Eu devo alertar a você, que ainda não leu, que esse livro vai escolher você, se você deixar, e deixará em você uma marca.

Na capa externa (do lado de trás) se lê: “Se Deus é tão poderoso, porque não faz nada para amenizar o nosso sofrimento?”, essa talvez seja uma das questões mais difíceis da humanidade, e a resposta para o Mack foi:

“- Mas ainda não entendo por que Missy teve que morrer.
-Ela não teve Mackenzie. Isso não foi nenhum plano de Papai. Papai nunca precisou do mal para realizar seus bons propósitos.”

Além dessa questão que fica intrínseca em toda leitura, eu digo a você que não é preciso que você traga os seus porquês anotados num papel, o próprio livro trará um por um, todos que precisam de respostas, todos que ficarão pendentes, e trará outros questionamentos que você jamais imaginou possuir. “A Cabana” não trata da religião (do rito, dos usos e costumes). Se você, como eu, for até o livro com conceitos pré-formulados e céticos, vai perceber, que o tempo todo, o autor fala de relacionamento. O relacionamento de Mack com sua esposa Nan, o relacionamento de Nan com Deus, o relacionamento de Mack com os filhos, o relacionamento de Mack com Deus e o relacionamento de Deus com o mundo. “A Cabana” abre uma porta interessante para o pensamento sobre Deus, o pensamento de que Deus é o que é (o Eu Sou), ele é quem você precisa que ele seja desde que você o reconheça, e que isso transcende as aparências e os estereótipos, humanamente falando.

Além de Deus personificado como uma “negra enorme” chamada Elousia, o livro também apresenta Jesus no seu formato humano de carpinteiro e o Espírito Santo como Sarayu (o vento). O quarto personagem que vem fechando os questionamentos de Mack, chama-se Sophia, que é a sabedoria de Deus personificada.

Resenha A Cabana

William P. Young, autor de “A Cabana”

Duas coisas aconteceram comigo inadvertidamente, a primeira coisa é que eu aprendi a ler esse livro com papel pra assoar o nariz, porque chorei muito, não que o livro seja causador de lágrimas de tristeza, devo dizer que algumas vezes chorei simplesmente emocionada com a beleza da leitura, outras vezes por que me enxerguei em Mack, algumas vezes de alívio, como se alguém silenciosamente me pedisse desculpas e outras vezes confrontada e rebelde. Pode ser que não aconteça com você, mas por via das dúvidas, faça um bom café e leve o lenço, a segunda coisa que aconteceu comigo e pode ser que aconteça com você, é que eu senti uma grande necessidade de ler o livro aos poucos, às vezes pegando nele uma vez por semana ou até mais, porque eu precisava analisar e refletir sobre o que eu estava lendo, então pra mim foi uma leitura diferente, foi prazerosa, como se eu estivesse comendo um doce muito suculento, e esse doce no meu interior causava uma digestão longa e as vezes conturbada, não de um jeito ruim, conturbada de jeito bom e agitado. O certo a dizer é que o livro me virou do avesso e me expôs, e que ainda hoje eu carrego comigo o fruto do que aprendi com o Mack e a Missy.

A Cabana é um mergulho profundo, prepare-se para o impacto, (se for ler) Se já leu, espero que tenha sido virado do avesso e que tenha descoberto que o avesso é o seu melhor lado. Espero que essa pincelada sobre o livro tenha sido boa pra você, tanto quanto foi pra mim.

E por fim, irei deixar aqui, um pedacinho do livro, que hoje em dia faz parte da minha vida, por motivos muito pessoais, e por esses mesmos motivos, espero de coração que nesse livro você também ache as respostas que você procura.

 

“1 UMA CONFLUÊNCIA DE CAMINHOS
Duas estradas se bifurcaram no meio da minha vida,
Ouvi um sábio dizer.
Peguei a estrada menos usada.
E isso fez toda a diferença cada dia e cada noite.
Larry Norman (pedindo desculpas a Robert Frost)”.

Sobre o Autor

Juliane Schimel

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