A 5ª Onda – Crítica

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Uma Invasão do Terrível

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Direção: J Blakeson

Elenco: Chloë Grace Moretz, Nick Robinson, Alex Roe, Liev Schreiber

Roteiro: Susannah Grant, Akiva Goldsman, Jeff Pinkner


Nota: 1 de 5 estrelas


É seguro dizer que nem toda obra sobre invasões alienígenas será uma A Guerra dos Mundos; o livro é uma das maiores histórias de ficção-científica já escritas e qualquer obra que se preste a contar sobre ataques extraterrestres irá, invariavelmente, pegar emprestado diversos conceitos e referências imaginados por H.G. Wells. Ao relatar um invasão marciana ao Reino Unido do século XIX, Wells deu voz a uma série de temores latentes em seu país; temores de ataques estrangeiros, de inimigos poderosos e desconhecidos, com poderios bélicos inimagináveis e capazes de dizimar facilmente qualquer resistência. É bom lembrar que, na época em que Wells escreveu a obra, as tensões eram crescentes; o medo da população era palpável e os ânimos estavam elevados. A literatura refletia imensamente essa paranoia nacional; invasões bárbaras eram temas constantes dos folhetins e viviam no imaginário popular. Em pouco tempo, as expectativas da população se converteriam em realidade: o conflito estouraria e o país entraria na Primeira Guerra Mundial.

Como um bom escritor de ficção-científica, Wells percebeu que a fantasia de sua obra deveria refletir apenas a realidade de seu cotidiano; os seres alienígenas, a ciência incrível, tudo deveria ser apenas uma metáfora para questões firmemente plantadas no real. As melhores obras de ficção-científica não são aquelas que nos apresentam um mundo completamente diferente daquele a que nós estamos acostumados, mas sim aquelas que nos apresentam conceitos familiares vistos sobre a ótica do inacreditável. Uma obra do gênero precisa ter elementos reconhecíveis, precisa criar um certo nível de identificação imediata com o leitor. O livro de Wells conseguiu isso inteiramente; tanto que, anos depois, um aspirante a cineasta com um sobrenome parecido—Orson Welles, no caso—dramatizou a obra no rádio e causou pânico em alguns ouvintes, que tomaram as palavras de Welles—e Wells—como verdadeiras.

Por que perco tanto tempo falando sobre Wells e sua obra? Talvez porque seja melhor do que falar sobre A 5ª Onda. O filme, dirigido por J Blakeson e estrelado por Chloë Grace Moretz, é baseado no livro juvenil homônimo de Rick Yancey. Nele, após o aparecimento de um objeto não-identificado nos céus, os humanos começam lentamente a serem dizimados pela Terra. Quatro ondas já foram responsáveis pelo extermínio de grande parte da população terrestre; a quinta onda—que dá ao livro e ao filme seu título—será a derradeira e garantirá a hegemonia dos invasores. No meio de tudo isso, Cassie Sullivan (Moretz) precisa reencontrar seu irmão—separado dela e colocado como soldado em um exercito de crianças—e tentar, ao mesmo tempo, sobreviver. Ah, no meio do caminho Cassie encontra um jovem misterioso e inicia um romance—afinal, o que seria desse tipo de filme sem um bom e velho romance adolescente.

Assim como amor de mãe e comida de avó, a culpa nesse filme parece interminável e dá e sobra para todo mundo. A direção é ineficiente; Blakeson parece não se importar em fazer nada além de um típico filme padrão e não enche a tela com nada de especial. Ele repete as mesmas cenas manjadas de todos os filmes do mesmo filão, não se preocupando em nenhum momento com nada que se pareça com originalidade. As atuações são pífias: Nick Robinson e Alex Roe, que formam dois vértices do triângulo amoroso com Moretz parecem recém-saídos de um curso preparatório de teatro amador—e não um curso bom, ainda por cima. É difícil levar qualquer cena em que eles apareçam como algo além de cômico. Só que, no caso, a comédia não tem graça e a piada é o espectador, que está preso assistindo o filme. O roteiro é constrangedor, os diálogos não tem nenhuma força criativa e parecem retirados de um dicionário de lugares-comuns. Nenhuma linha de diálogo do romance é convincente e uma mensagem mal-ajambrada sobre humanidade ou como temos que cuidar do nosso planeta e de outras espécies é simplesmente jogada no final do filme.

Eu odeio falar tão mal de um filme; especialmente um filme de ficção-científica, um gênero que eu adoro e respeito. Mas, às vezes, é necessário cortar males pela raiz: o gênero merece um filme melhor; e A 5ª Onda não merece ser visto.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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