8 Escritores Que Viraram Roteiristas

Adaptações cinematográficas e obras literárias abundam por aí. Todo ano mais e mais pessoas reclamam que Hollywood está sem ideias e só vive de adaptações e remakes. Isso pode até ser verdade, mas não é a história toda: muita gente boa continua escrevendo grandes roteiros para o cinema e nada prova melhor isso do que quando novelistas consagrados resolvem abandonar temporariamente os livros para dedicarem-se às telas. Essa semana nós separamos oito autores que conseguiram obter sucesso em ambas as artes.

 

Ray Bradbury

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Bradbury já era um renomado escritor de ficção-científica e fantasia – já tendo publicado sua obra-prima, Fahrenheit 451, e As Crônicas Marcianas – quando foi convidado para adaptar o roteiro de Moby-Dick, filme clássico de John Huston baseado na obra homônima de Herman Melville. Bradbury e Huston tiveram problemas desde o começo, com o primeiro afirmando que nunca havia conseguido terminar o clássico e o segundo menosprezando as contribuições do escritor – de acordo com alguns, Huston não respeitava o gênero no qual Bradbury se consagrou. O trauma foi tão grande que Bradbury acabou escrevendo dois contos sobre a experiência. O filme acabou não sendo bem-recebido pela crítica, mas isso pouco abalou Bradbury. O escritor depois adaptou várias histórias suas para The Ray Bradbury Theater, uma série antológica que foi exibida entre 1985 e 1992.

 

Stephen King

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O prolífico autor de terror já foi adaptado para a TV e para o cinema diversas vezes. Grande parte dos filmes baseados em suas obras são clássicos absolutos – é o caso de O Iluminado, Conta Comigo e Um Sonho de Liberdade – enquanto outros são adaptações medíocres, mas que se tornaram indeléveis na cultura popular – como Carrie e Colheita Maldita. O próprio King escreveu o roteiro de um punhado de filmes, mas o melhor é Cemitério Maldito. King fez questão de escrever a adaptação do livro, um de cunho relativamente pessoal e considerado pelo autor como uma de suas histórias mais assustadoras. George Romero, mestre do cinema de terror e antigo parceiro de King (ambos já haviam trabalhado juntos em Creepshow.) inicialmente era o diretor, mas ele acabou substituído por Mary Lambert. Porém, a diretora teve pouca voz no projeto; King era quem comandava tudo, visitando o set todo dia e exigindo que seu roteiro permanecesse inalterado pela direção.

 

Nick Hornby

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Nick Hornby é, atualmente, a pessoa que melhor consegue conciliar o papel de roteirista renomado com escritor de sucesso. Alguns de seus livros de maior sucesso já foram transformados em filmes queridinhos-do-público, como é o caso de Um Grande Garoto e de Alta Fidelidade, além de Fever Pitch – esse último teve duas versões: uma britânica que foi escrita pelo próprio Hornby e uma americana que destruiu qualquer pretensão cinematográfica que Jimmy Fallon pudesse ter tido um dia. Como roteirista, Hornby destacou-se por Educação, o filme de 2009 que deu ao autor uma indicação ao Oscar, e, mais recentemente, por Livre, que rendeu a Reese Witherspoon uma indicação à estatueta de Melhor Atriz no Oscar desse ano. Seu filme mais recente, Brooklyn, estreou há alguns meses no Festival de Sundance e deverá chegar em breve ao Brasil.

 

Aldous Huxley

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Poucas pessoas não conhecem Aldous Huxley, o famoso e excêntrico autor de clássicos como Admirável Mundo Novo, Sem Olhos em Gaza e As Portas da Percepção, mas até mesmo os maiores fãs das obras do escritor às vezes não sabem que ele também foi um roteirista de cinema prolífico. Ele assinou os roteiros das primeiras adaptações de clássicos da literatura inglesa como Orgulho e Preconceito e Jane Eyre. Além disso, ele também escreveu – apesar de não ter sido creditado – uma cinebiografia sobre a vida de Marie Curie, estrelada pela incrível Greer Garson. Porém, a história mais famosa envolvendo um dos projetos cinematográficos de Huxley é sobre sua adaptação frustrada de Alice no País das Maravilhas. Fã da obra original, Huxley foi inicialmente contratado para escrever o roteiro da versão animada da Disney, de 1951. Ele desejava fazer um filme mais sombrio, focando-se nos temas latentes do livro de Carroll, mas a Disney foi contra e acabou demitindo Huxley do projeto.

 

William Faulkner

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Considerado por muitos como um dos melhores autores americanos do século XX, William Faulkner penou para conseguir manter-se escrevendo. Ele já havia lançado O Som e a Fúria e Enquanto Agonizo – duas obras-primas –, mas ainda não havia obtido o sucesso comercial e o dinheiro que ele ganhava com seus livros mal pagava suas contas. Desesperado, ele acabou voltando-se para Hollywood e começou a escrever roteiros para a MGM; o resto é história. Faulkner acabou escrevendo mais de vinte roteiros de cinema; alguns não foram produzidos, em outros, ele não foi creditado. Ele abominava a cultura Hollywoodiana e menosprezava filmes, mas a necessidade financeira e a amizade formada com o diretor Howard Hawks acabaram mantendo Faulkner trabalhando com cinema. Foi com Hawks que ele conseguiu seus maiores sucessos de bilheteria, os filmes À Beira do Abismo e Uma Aventura na Martinica, ambos também estrelados por Humphrey Bogart e Lauren Bacall. Faulkner acabou fazendo sucesso comercial com seus livros e tornou-se, depois, um dos poucos autores americanos a ser laureado com um prêmio Nobel.

 

John Steinbeck

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Falando em autores americanos laureados com o prêmio Nobel… A história de Steinbeck é um pouco diferente da de Faulkner: o autor já era famoso e comercialmente bem sucedido no seu país em 1943 quando aceitou escrever o roteiro de Um Barco e Nove Destinos, um filme de Hitchcock. Porém, Steinbeck acabou rejeitando o filme depois e pediu para ter seu nome retirado dos créditos por causa de tons racistas que foram introduzidos ao filme durante a pós-produção. O nome de Steinbeck não foi retirado e ele acabou sendo indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original em 1945. Esse seria o primeiro de três prêmios da Academia que o autor seria indicado, os outros dois sendo A Morte de uma Ilusão, em 1946, e Viva Zapata!, em 1953. As adaptações dos principais livros de Steinbeck também se tornariam sucessos de público: Vinhas de Ira deu ao diretor John Ford um dos seus quatro Oscars e Vidas Amargas deu a James Dean uma indicação póstuma.

 

Kazuo Ishiguro

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O escritor britânico de origem japonesa é um novelista como poucos: não são muitos autores que possuem a sensibilidade de Ishiguro, nem sua meticulosidade. Seu romance mais famoso, Os Vestígios do Dia, foi adaptado em um filme estrelando Emma Thompson e Anthony Hopkins em 1993. O filme foi um sucesso absoluto de crítica – assim como o livro original – e acabou sendo indicado a oito prêmios da Academia. Ishiguro, propriamente, não teve relação nenhuma com o filme, mas acabou sentindo o gostinho do cinema anos mais tarde quando escreveu o roteiro de The Saddest Music in the World, um filme lindíssimo que todos deveriam assistir. Dois anos depois Ishiguro voltou novamente aos roteiros de cinema e, junto com James Ivory, o diretor de Os Vestígios do Dia, escreveu o não-tão-bom A Condessa Branca.

 

Cormac McCarthy

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Assim como o resto dos autores desta lista, Cormac McCarthy é um autor excepcional. Suas contribuições como roteirista não foram grandes até o momento – ele escreveu o roteiro apenas de O Conselheiro do Crime, filme de 2013 com Michael Fassbender, Penelope Cruz, Brad Pitt e Javier Bardem; infelizmente o filme é ruim, assim como todas as contribuições recentes do diretor Ridley Scott –, mas as adaptações de suas obras mais do que compensam por isso: o pós-apocalíptico A Estrada e o incrivelmente-fantástico-e-premiado Onde os Fracos Não Têm Vez. Agora, o que eu quero saber é quando sairá a adaptação de Blood Meridian… só mantenham o Ridley Scott longe dela.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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