7 Produções Problemáticas

 

Assistir a um filme pode ser uma experiência mágica; no melhor dos casos, um filme serve para causar uma reflexão no expectador, mudando um pouco o seu ponto de vista e abrindo seus olhos para um mundo incrível.  A produção de um filme, por outro lado, pode acabar sendo um verdadeiro Inferno-na-Terra para todos os envolvidos. Isso porque a gravação geralmente é caótica, com mudanças constantes no roteiro e batalha de egos entre os atores e o diretor. Alguns sets problemáticos acabam resultando em excelentes filmes – outros, nem tanto. Nós montamos uma lista com alguns filmes que, para o bem ou para o mal, conseguiram o milagre de serem terminados.

 

Tubarão (1975)

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Steven Spielberg ainda era um jovem diretor inexperiente quando assumiu a direção de Tubarão, em 1974. Como qualquer jovem com visão de sobra e juízo de menos, ele acabou tomando uma série de decisões que inflaram o orçamento de US$ 4 milhões para US$ 9 milhões e adicionaram mais de 100 dias às gravações. A primeira delas foi a decisão de gravar no mar: a água salgada acabou danificando o equipamento de filmagem e os três tubarões mecânicos que foram especialmente construídos. Além disso, múltiplas tomadas eram necessárias, já que barcos indesejados acabavam sempre aparecendo ao fundo da cena. Os atores acabaram se desentendendo: Robert Shaw – que, na época, estava quase sempre bêbado – criou caso com Richard Dreyfuss; e Carl Gottlieb quase teve sua cabeça decepada. No final, os problemas ajudaram o filme: a ineficiência dos tubarões mecânicos na água forçou Spielberg a escondê-los na maior parte do filme, criando, assim, o clima de suspense que tornou o filme um sucesso de bilheteria.

 

Titanic (1997)

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A gravação do arrebatador épico – sucesso absoluto de crítica e de público – traumatizou grande parte do elenco e da equipe. James Cameron, o diretor do filme, já não era conhecido por ser bonzinho com seus atores e Kate Winslet aprendeu isso da pior maneira possível: ela acabou fraturando seu cotovelo durante a gravação e quase se afogou em diversos momentos; além disso, a gravação em água gelada durou tanto tempo que a atriz acabou pegando uma infecção nos rins. Tudo isso contribuiu para a sua decisão de nunca mais trabalhar com o diretor, apesar do sucesso estrondoso do filme. E não era apenas Winslet que estava insatisfeita com Cameron: um membro da equipe, irritado com o jeito tirânico do diretor acabou envenenado a comida da produção com PCP, uma droga dissociativa que causa alucinações, enviando mais de 50 pessoas para o hospital.

 

Waterworld – O Segredo das Águas (1995)

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Mais uma vez, a gravação em alto mar acabou atrasando a produção e inflando o orçamento: dessa vez, o filme era Waterworld, a ambiciosa obra de Kevin Costner e Kevin Reynolds. O filme, que, no final, custou US$ 175 milhões e virou a produção mais cara já feita até aquele momento, sofreu com furacões (que destruíram quase todo o cenário) e com brigas entre Reynolds, o diretor, e Costner, a estrela. O clima entre os dois ficou tão ruim que Reynolds acabou saindo do projeto antes do final das gravações, deixando Costner a cargo de filmar as últimas cenas. Os problemas criativos do filme – além da troca de diretor, o roteiro sofreu múltiplas alterações – acabaram ficando claros no produto final: Waterworld foi destruído pela crítica e mal conseguiu recuperar o seu investimento na bilheteria.

 

O Corvo (1994)

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A grande quantidade de acidentes durante a produção desse filme deu a ele a fama de ser amaldiçoado. Em primeiro lugar, um contrarregra foi levado para o hospital após sofrer queimaduras sérias decorrentes de um choque elétrico; ele foi logo seguido por um assistente que teve seu corpo perfurado por uma parafusadeira.  De todos os acidentes, o mais grave foi o que tirou a vida de Brandon Lee, a estrela do filme. Lee estava a apenas três dias de terminar sua gravação quando uma arma que seria usada em cena – e que fora acidentalmente carregada com balas de verdade – acabou disparando sobre o ator e matando ele. A produção foi, obviamente, suspensa, mas o estúdio decidiu continuar com o projeto e ela logo foi resumida. O roteiro foi levemente reescrito e efeitos especiais foram usados para colocar o rosto de Lee no corpo de um dublê, terminando, assim, as cenas que faltavam.

 

Fitzcarraldo (1982)

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Werner Herzog é um diretor brilhante, mas extremamente difícil de trabalhar e em nenhuma produção isso ficou tão claro quanto em Fitzcarraldo. Os problemas começaram quando o ator principal, Jason Robards, foi afastado da produção por disenteria. Com 40% do filme já pronto, Herzog se viu obrigado a encontrar um novo protagonista e regravar tudo. Klaus Kinski, um colaborador frequente de Herzog, foi escalado, mas criou confusão no set desde o primeiro dia, brigando com o diretor, os membros da equipe, e até com os figurantes nativos da região – histórias contam que um chefe tribal se ofereceu para matar Kinski durante a produção. Como se isso não fosse suficiente, a equipe se viu no meio de uma guerra que acabou estourando na fronteira Peru-Equador e uma seca pesada forçou a produção a puxar manualmente um barco a vapor de 320 toneladas. Não acabou: um assistente de produção precisou amputar sua perna com uma serra-elétrica após ser mordido por uma cobra e o diretor de fotografia cortou sua mão e recebeu pontos sem anestesia. Ufa!

 

A Ilha do Dr. Moreau (1996)

Island of Dr. Moreau (1996) Marlon Brando

Richard Stanley era um promissor diretor de terror quando foi escalado para adaptar o clássico de H.G. Wells. Ele passou anos no projeto antes de começar as gravações e os problemas chegaram pouco antes da fotografia principal ter início: Val Kilmer, o protagonista do filme, pediu para sair do projeto, pois precisava dedicar tempo a assuntos pessoais. Reticente em perder sua estrela, o estúdio ofereceu a Kilmer um papel menor e ele acabou aceitando. Porém, o clima no set de gravação entre o ator e o diretor logo azedou e Stanley foi demitido quatro dias após o início das filmagens; John Frankenheimer (de Sob o Domínio do Mal) assumiu o cargo de diretor. Irritado, Stanley isolou-se nas selvas perto do set durante dois meses antes de retornar escondido à produção – a equipe de maquiagem ajudou o ex-diretor, maquiando-o como um dos figurantes. Assim, Stanley pode ver por dentro como seu antigo projeto caía aos pedaços: Kilmer e Marlon Brando, as estrelas do filme, haviam dominado completamente o ritmo das gravações e enlouqueciam Frankenheimer; Brando recusava-se a decorar suas falas; o clima entre Kilmer e o diretor ficou tão ruim que, quando a estrela terminou de gravar suas cenas, o diretor mandou escoltarem ele para fora do set. A produção foi tão traumática que Fairuza Balk, uma das atrizes, tentou fugir do set e já estava no aeroporto quando foi interceptada pela equipe e trazida de volta.

 

Apocalypse Now (1979)

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Apocalypse Now é a prova viva do mérito de um grande diretor: tudo que podia dar errado durante a gravação acabou acontecendo e, mesmo assim, Francis Ford Copolla conseguiu produzir um filme incrível. A fotografia principal do filme demorou incríveis 16 meses para ser concluída e foi marcada por caos constante. Para começar, Harvey Keitel, o protagonista, foi demitido logo nas primeiras semanas e substituído por Martin Sheen. Em seguida, furacões, terremotos e chuvas torrenciais destruíram os cenários e obrigaram a produção a parar diversas vezes. Após meses de atrasos, Sheen teve um ataque cardíaco e precisou ficar um tempo afastado, fato que Copolla tentou a todo custo esconder da equipe, em uma tentativa de controlar minimamente o caos que estava se instalando. Quando Marlon Brando apareceu para gravar ele estava severamente acima do peso e completamente não-preparado. Além disso, Brando sugeria, a todo momento, alterações no roteiro e improvisava muitas de suas falas. Copolla acabou tão frustrado que se recusou a trabalhar com Brando, obrigando seu diretor assistente a filmar todas as cenas envolvendo o astro.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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