Som de Segunda: Amor e Selvageria

 

savages

“Love is the answer”, canta Jenny Beth na faixa de abertura de Adore Life (2016), sobre uma base pesada e ruidosa, característica do trabalho do Savages. O sentimento é o que guia esse segundo disco das meninas, fazendo contraponto com a sonoridade e letras caóticas do antecessor – Silence Yourself (2013) -, que trazia temas como violência, caos e também amor.

Formado também por Fay Hamilton (bateria), Gemma Thompson (guitarra) e Ayse Hassan (baixo), o grupo traz em sua essência musical o post-punk consagrado por grupos como Joy Division, Bauhaus e Siouxsie & the Banshees. Com nome inspirado na obra literária Senhor das Moscas, de William Golding, o quarteto já esteve no Brasil, onde se apresentou na edição de 2014 do Lollapalooza.

O grupo começou com a parceria entre a francesa Jenny (que na verdade se chama Camille Berthomier) e Gemma, em 2011. Após a entrada das outras duas meninas, elas começaram a produzir juntas e lançaram o EP Savages, em 2012. Com um repertório mais extenso, o quarteto lançou no ano seguinte o primeiro disco, que gerou burburinho na imprensa especializada e, a partir de então, elas iniciaram uma turnê pelos principais festivais do mundo.

Silence Yourself se destaca pela voracidade que as integrantes fazem sua música. Essa força se torna ainda mais intensa nas apresentações ao vivo – como se vê no clipe de “The Answer” logo acima. Os singles foram bem recebidos pelo público, principalmente “Shut Up”, “I Am Here” e “Husbands”, que foram responsáveis por apresentar a banda.

Em Adore Life, as letras ganham um caráter mais interno e pessoal, e Jenny aborda o amor sobre diferentes perspectivas. Na abertura, ele é visto como uma resposta. Já em “T.I.W.Y.G.”, o sentimento não é visto como algo tão bom. “A morning in darkness, the eyes of the dawn/Suffering…”, canta a vocalista.

Já “Sad Person” traz um prazer “egoísta”, ao apresentar trechos como “I’m not gonna hurt you/Cause I’m flirting with you/I’m not gonna hurt myself”. Mas é em “Adore”, segundo single deste trabalho, que elas mostram uma nova atmosfera sonora, aparentemente influenciada por Morrissey, falando sobre vida e morte de forma poética, mas não necessariamente de forma pessimista. Outros destaques são “Surrender”, “Evil” e “Slowing Down The World”.

Por mais estranho que possa parecer nas primeiras audições, o trabalho do Savages devem ser ouvidos com atenção. Assim como foi com o primeiro disco, é difícil que Adore Life não figure nas listas de melhores discos e músicas no fim de ano.

Sobre o Autor

PH Rosa
Jornalista, autor de contos que nunca viram a luz do dia, viciado em música e comprador compulsivo de livros, discos e tênis. Se diz bom amigo, mas prefere ir ao cinema sozinho. Ama descobrir novos sons e escrever sobre canções que causam arrepio.

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