Os 5 Melhores Filmes de 2015

 

2015 foi um ano curioso para o cinema: sendo bem direto, a maioria dos lançamentos não agradou. O desgaste criativo em Hollywood ficou excepcionalmente evidente, com uma miríade de continuações e reboots em franquias conhecidas. Isso funcionou muito bem em alguns casos—como fica evidente pela lista a seguir—, mas fracassou miseravelmente em outros (que não mencionarei por nome; afinal, o ano já está acabando e não vale a pena ficarmos falando sobre tudo que ele teve de ruim). Aproveitando para tomar impulso com o cansaço das grandes produções, um ou outro filme menor conseguiu ter destaque, normalmente sobre as costas de um grande diretor. No final, o balanço geral do ano não foi inteiramente negativo e 2015 apresentou, pelo menos, um filme bom para todos os gostos: desde crianças até o mais pedante dos críticos. Infelizmente, nem todos esses filmes puderam entrar na lista—que é, aviso de início, extremamente subjetiva—, mas, se 2015 foi um ano para esquecermos, pelo menos os filmes a seguir ficarão na memória.


5.Vício Inerente

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O que acontece quando um dos meus diretores favoritos resolve adaptar um livro de um dos meus autores favoritos? Obviamente, o resultado só pode ser bom—como, aliás, tudo atrelado aos nomes de Paul Thomas Anderson e Thomas Pynchon. E, apesar de Vício Inerente, o filme, alterar certas coisas em relação ao livro, diluindo um pouco a mensagem original de Pynchon, ele consegue manter o mesmo clima alucinógeno e psicodélico.

No comando da história de Doc Sportello (Joaquin Phoenix), um detetive particular que é encarregado, por uma antiga namorada, de resolver o caso do desaparecimento de um magnata do ramo imobiliário, Anderson faz o que sabe fazer de melhor: criar personagens fascinantes e tramas dotadas de significado profundo. Com um roteiro bem amarrado e atuações sólidas—em especial de Phoenix e de Josh BrolinVício Inerente é um daqueles filmes imperdíveis em que cada visualização adicional mostra ao espectador um fato novo, não percebido anteriormente.


4.Brooklyn

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É um feito bem raro que alguém consiga capturar o mesmo nível que sutileza emocional e expectativa silenciosa que os personagens do escritor irlandês Colm Tóibín. Portanto, é excepcionalmente louvável o trabalho que Nick Hornby, John Crowley e Saoirse Ronan realizam em Brooklyn.

O filme conta a história de Eilis Lacey (Ronan), uma jovem irlandesa que decide imigrar para o condado nova-iorquino na década de 1950. Após amadurecer na sua nova cidade, ganhar uma independência desconhecida até aquele momento e apaixonar-se, uma desgraça familiar obriga Eilis a retornar a seu país e fazer uma escolha entre seu presente e seu passado. O que realmente segura o filme—além do belíssimo roteiro de Hornby, que captura na medida exata a emotividade velada do livro—é a atuação magistral de Ronan, que incute sua Eilis com uma resiliência adamantina, ao mesmo tempo que expressa, com um simples olhar ou gesto, a urgência emocional necessária para o texto.


3. Star Wars: O Despertar da Força

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Os fãs de Star Wars estão acostumados com a decepção. A trilogia mais recente, dirigida por George Lucas, o criador da franquia, é basicamente a decepção encarnada, tornada ainda mais grave pelos anos de expectativa, criada desde o fim de O Retorno de Jedi.

Exatamente por esse motivo, ver O Despertar da Força, o mais novo filme da série, é como expirar um longo sopro de alívio. O filme não é simplesmente bom: ele é exatamente tudo que um filme de Star Wars deveria ser. Com a dose exata de nostalgia e de inovação, O Despertar da Força presta sua devida reverência e homenagem ao filme original—dirigido por Lucas em 1977—, mas adiciona o suficiente à mitologia para fugir da simples cópia. O mérito é inteiramente de seu diretor J.J. Abrams, que percebeu que, para fazer um bom filme, precisaria anular qualquer tipo de marca autoral. A escolha acertada do elenco jovem—que, assim como o trio de protagonistas atual, possui uma química fantástica—é outro ponto positivo. Leia minha crítica completa do filme aqui.


2.Anomalisa

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Tendo criado sua carreira quase que inteiramente sobre a figura do homem-patético, Charlie Kaufman retorna ao posto de diretor após muito tempo (tempo até demais!) em Anomalisa.

O filme conta a história de Michael Stone (David Thewlis), um autor de autoajuda cansado da sua vida e da sua rotina. Stone é vítima de um ennui eterno, agravado pelo fato de que todas as pessoas à sua volta têm exatamente o mesmo rosto e exatamente a mesma voz. Preso em um universo de mesmice, Stone consegue encontrar refúgio em Lisa (Jennifer Jason Leigh), uma jovem sem-graça, mas que, para Stone, possui, pelo menos, o atrativo de ser diferente. Kaufman mais uma vez consegue caminhar com facilidade na linha tênue que separa a realidade da fantasia. O fato de que o filme é uma animação e foi feito inteiramente com bonecos é um plus. Infelizmente, agora só me resta ficar revoltado quando esse filme for sumariamente ignorado no Oscar. Leia minha crítica completa do filme aqui.


1. Mad Max: Estrada da Fúria

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Todos os outros filmes presentes nesta lista são incrivelmente bons e estão, sem dúvidas, entre os meus favoritos de 2015. Mas nenhum filme este ano—aliás, nenhum filme em muito tempo—conseguiu me estimular da maneira como Mad Max: Estrada da Fúria conseguiu. Todos os filmes da franquia idealizada por George Miller são excelentes e cada um contribuiu significativamente para minha infância. Portanto, bastava Miller fazer algo no nível dos antigos para me fazer adorar Estrada da Fúria. Mas ele não fez só isso; ele foi além.

Acompanhando Max (Tom Hardy) mais um vez em um cenário apocalíptico—dessa vez causado pela escassez de água—, somos apresentados à Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) que desesperadamente busca um paraíso feminino onde ela possa levar as escravas sexuais de Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne) e, finalmente, viver em liberdade. As cenas de perseguição do filme são espetaculares e, visualmente, o filme é belíssimo, mas o tocante mesmo em Estrada da Fúria é a incrível garra emocional dos seus protagonistas. Sem se preocupar muito com detalhes, Miller cria personagens tão complexos e, ao mesmo tempo, com objetivos e características tão definidas que é impossível não se compadecer com sua peleja. Leia minha crítica completa do filme aqui.


Bônus: Ida

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Coloco Ida como bônus porque o filme, tecnicamente, estreou no ano passado. Mas, como ele saiu no final de 2014—e como eu mesmo só cheguei a vê-lo este ano—, acho justo incluí-lo; ainda mais porque Ida é o tipo de filme que merece ser incluído em uma lista de melhores sempre que possível.

O filme acompanha uma jovem freira que está prestes a fazer seus votos quando é incentivada a visitar uma tia para descobrir um pouco mais sobre o seu passado. Visualmente, o filme é lindo: todo em preto-e-branco, o clima de inverno polonês é realçado e torna-se quase um personagem à parte. Mas o grande mérito do diretor Pawel Pawlikowski—e o que certamente o rendeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro—está em como, de maneira semelhante a Miller, ele consegue infundir significado e um incrível sentimento de urgência em seus protagonistas, mesmo em cenas onde o diálogo é escasso e o assunto é, aparentemente, banal. Nada foi colocado por acaso, não há nenhum excesso no filme e tudo em Ida serve a um propósito. O filme é uma obra-prima de sutileza e modéstia.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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