007 contra Spectre – Crítica

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A Volta do Velho

Spectre-6

Direção: Sam Mendes

Elenco: Daniel Craig, Christoph Waltz, Léa Seydoux, Ralph Fiennes

Roteiro: John Logan, Neal Purvis, Robert Wade, Jez Butterworth


Nota: 2 de 5 estrelas


No cinema—assim como na literatura—é muito fácil criar heróis, mas muito difícil criar ícones. Prova maior disso é a abundância de filmes recentes sobre superpoderosos salvando o mundo. Esses filmes podem até fazer sucesso e quebrarem recordes de bilheteria, mas a sustentabilidade desse modelo ainda é discutível—Steven Spielberg até já previu que a fase dos super-heróis está com os dias contados. Os estúdios Marvel podem fazer um cronograma de filmes até o final dos tempos, mas isso não garante o sucesso futuro, e só o tempo dirá o que ficará marcado indelevelmente na cultura popular.

E foi o próprio tempo, senhor absoluto da história e do mito popular, que decretou: não há, provavelmente, nenhuma figura tão marcante nem tão icônica no cinema quanto James Bond. O espião, que estreou pela primeira vez nas telas em 1962 e foi encarnado, durante esses mais de cinquenta anos, por seis atores diferentes, é o tipo de figura de transcende o imaginário popular; ele não apenas faz parte da cultura, como ele ajudou a moldá-la. Em seus vinte e três filmes, Bond criou um novo gênero e mudou a forma como o público assimila tropos, criando imagens que ficaram facilmente reconhecíveis.

Se James Bond ajudou a criar um novo estilo, ele infelizmente ficou preso a ele; os filmes do agente 007 aos poucos se tornaram um eco que propagava as limitações de seu protagonista. O que Bond fazia passou a ser esperado, clichê, e o personagem tornou-se uma paródia de si mesmo. Para mudar isso, felizmente entra em cena Daniel Craig: diferente de todos os outros atores que encarnaram Bond, Craig deu um novo ar ao papel, emprestando uma certa beleza bruta a um espião que era conhecido por suas formas finas. A escalação do ator é o exemplo perfeito do poder da inversão de expectativa no cinema: criticado inicialmente por desviar-se muito do papel, o ator conseguiu revitalizar o personagem e calou a boca dos detratores. A aposta em Craig foi acertada; ao renovar a franquia, James Bond alcançou patamares incríveis: Skyfall arrecadou mais de um bilhão em bilheteria e tornou-se o mais bem-sucedido filme de 007 de todos os tempos. Porém, a mesma coisa que ajudou Craig a diferenciar seu Bond em filmes como Casino Royale e Skyfall está lastimavelmente ausente em 007 contra Spectre.

Spectre começa onde Skyfall terminou: Após a morte de M (Judi Dench), Bond (Craig) recebe um vídeo da sua antiga chefe alertando-o sobre a temida organização SPECTRE, comandada pelo misterioso Franz Oberhauser (Christoph Waltz), uma figura do passado do agente. Ao mergulhar dentro da organização, o espião descobre que suas últimas missões estavam todas relacionadas e faziam parte de uma trama maior para destruí-lo e implementar um plano de vigilância global. Bond precisará contar com a ajuda de Madeleine Swann (Léa Seydoux) para se infiltrar na SPECTRE e descobrir seus segredos.

No comando de Spectre está o mesmo time que ajudou a tornar Skyfall um sucesso de público: além de Craig, estão o diretor Sam Mendes e os roteiristas John Logan, Neal Purvis e Robert Wade. Purvis e Wade já são figuras carimbadas no universo de 007—Spectre é o sexto filme do agente que eles escrevem juntos. Já Mendes é conhecido pela sua alta sensibilidade e extrema sutileza emocional—características que ele já demonstrou em filmes como Beleza Americana, Estrada para a Perdição, Foi Apenas um Sonho, e o próprio Skyfall—e Logan é conhecido por sua singular composição de personagens—como os da série Penny Dreadful, de sua autoria. Juntar esse grupo criativo com a força bruta de Craig e a emoção sutil da incrível Judi Dench foi o que fez de Skyfall um sucesso. Por algum motivo, a mesma fórmula não deu certo da segunda vez.

Mas, pensando bem, talvez não seja tão difícil de explicar o fracasso criativo de Spectre: enquanto Skyfall e Casino Royale tentavam renovar o gênero, Spectre parece querer fazer o oposto, enchendo cada segundo do filme com a maior quantidade possível de clichês. O filme não parece interessado em desenvolver os personagens emocionalmente, preocupando-se, em vez disso, com o grande complô arquitetado pela organização maligna. Isso não teria problema algum se fosse bem conduzido, mas a pressa com que o diretor parece querer resolver tudo acaba prejudicando o resultado final. Enquanto Skyfall e Casino Royale se preocupavam em tomar tempo para criar um elo emocional entre os personagens e o público, tornando os filmes acessíveis, Spectre passa sua ação em um ritmo frenético. Isso impede que o filme aproveite ao máximo o talento de seus atores: Christoph Waltz, um ator fantástico, e Monica Bellucci não são bem aproveitados e Léa Seydoux, infelizmente, deixa a desejar mais uma vez.

Tudo isso faz de 007 contra Spectre o pior dos filmes de James Bond estrelado por Craig. É uma pena, visto que ele fecha muito bem o arco iniciado pelo ator em Casino Royale e serve como uma despedida perfeita. Visto que o próprio Craig está com vontade de aposentar o terno, é difícil imaginar que rumos o próximo filme da franquia—para o qual o ator já está contratado—irá seguir.

Sobre o Autor

Daniel Lomba
Um entusiasta de cultura em todas as suas formas.

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